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Sexta-feira, Junho 18, 2021
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Serviço Nacional de Saúde e Liberdade

António Arnaut e Júlio Pomar tiveram, pelo menos, duas características em comum. Ambos foram lutadores anti-fascistas e defensores da Liberdade.
Morreram, coincidentemente os dois, na mesma semana.
António Arnault ficou conhecido dos portugueses por ter sido, em 1979, o pai do Serviço Nacional de Saúde, que permitiu aos portugueses o acesso universal e gratuito dos serviços de saúde.

José Lagiosa

Júlio Pomar, ficou conhecido, por sua vez, pelo retrato oficial de Mário Soares, enquanto Presidente da República.
Ambos foram muito mais que isso.
Arnault foi co-fundador do Partido Socialista e foi um defensor do SNS até ao fim. Poucos dias antes do seu último suspiro, confessou a Manuel Alegre “Manel, temos de defender o Serviço Nacional de Saúde”.
O melhor tributo que lhe podemos fazer, agora que partiu, é esse mesmo, defender o SNS, com unhas e dentes, lutando para que o poder político não continuar a perverter a sua essência e o que tinha no pensamento António Arnault.
Em 1979 os inimigos da medida defendiam que o SNS era demasiado ambicioso para o país que Portugal era. Concebido à imagem do Serviço Público de Saúde do Reino Unido, considerado, o mais universal e eficaz do mundo à data, defendiam então, esses arautos da verdade, que Portugal não tinha condições, aos mais diversos níveis, de implantar tal coisa.
A verdade é que não só o conseguiu, como actualmente supera-o, por demérito dos ingleses, largamente, apesar de todas as fragilidades que apresenta.
A melhor forma de honrar e perpetuar a memória futura de António Arnault, é pois, continuar a lutar continuadamente, pela melhoria do SNS.
Que os políticos portugueses nunca se esqueçam disso. Por nós, enquanto estivermos vivos, vamos relembrá-los assiduamente.
O segundo grande vulto da sociedade portuguesa, que nos deixou esta semana, foi Júlio Pomar, considerado por muitos, o maior pintor português.
Foi das mãos dele que nasceu o retrato oficial de Mário Soares, enquanto Presidente da República, que provocou, na sociedade portuguesa, um forte discussão pública, pois à data ia contra o correctamente estabelecido,
Mas tanto Soares que lhe encomendou o retrato, quer Pomar, eram ambos o antípoda do politicamente correto.
O certo é que, o que foi à data, motivo de crítica e falatório, é hoje aceite de uma forma ampla, como uma obra de arte que retrata minuciosamente o perfil de pessoa que foi Mário Soares e lá continua e continuará na galeria dos presidentes.
Esta semana, Portugal ficou, seguramente, mais pobre. Perdemos, todos nós, duas das mais importantes personalidades da nossa história recente,
Saibamos honrá-los. No caso de Arnault defendendo, melhorando e fortalecendo o SNS, no cado de Pomar, admirando e salvaguardando a sua imensa e rica obra artística.
Obrigado por tudo!

*José Lagiosa, diretor do beiranews.pt

 
 
 

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