16 C
Castelo Branco
Quinta-feira, Junho 17, 2021
No menu items!
InícioNacionalQuando os deputados estão do lado oposto do líder do seu partido…

Quando os deputados estão do lado oposto do líder do seu partido…

Algo vai mal no seio do PSD. Os desentendimentos entre o grupo parlamentar e o líder do partido têm sido uns atrás dos outros, desde que Rui Rio venceu as eleições para a liderança dos sociais democratas.
Bem sabemos que a vitória de Rio não foi folgada, porventura até muito pouco provável, nos bastidores dos seus barões, que desde a primeira hora convencionaram que lhe iam fazer a vida negra.
E de certo modo não têm deixado, por mão alheias esse desiderato. Por outro lado, Rui Rio também sabia que a vida não lhe seria facilitada.
Onde esta realidade é mais evidente, é exactamente no Parlamento, onde a esmagadora maioria da bancada, escolhida por Passos Coelho, nos seus tempos de presidente do partido, tem feito gala dessas posições antagónicas, com o pensamento político do antigo presidente de Câmara da segunda maior cidade do País.
Rui Rio sabia-o e, na minha opinião, preparou-se para ir gerindo politicamente o partido, tendo na sua bancada, quase que uma oposição que não pode descartar, antes das próximas legislativas.
Até lá, vai armadilhando a gestão das posições diversas, das gentes que representam o passado político recente do partido e vai criando as condições internas que vão permitir, baralhar e voltar a jogar, finalmente com as suas peças, nos diversos tabuleiros políticos, nomeadamente na Assembleia da República.
E chegados aqui, coloca-se a questão de saber, porque conhecendo o ambiente e o frenesim que palpita no grupo parlamentar do PSD, se não teria sido, porventura, aos olhos de muitos, mais cauteloso na sua postura mais sóbria na questão da discussão e votação dos diplomas sobre a legalização da eutanásia.
O momento da declaração favorável à aprovação da despenalização, não foi nem desastrosa nem tão pouco inocente.
Rui Rio, sabendo que a esmagadora maioria dos deputados do PSD iria votar contra a despenalização, evitou uma guerra de confronto com o grupo parlamentar, ainda por mais, numa matéria tão delicada, libertou-os para votarem consoante a consciência de cada um deles, mas não deixou, por mãos alheias, ao dar aos eleitores a sua posição clara, deixando para os deputados do PSD o ónus da votação contra a despenalização.
Rui Rio, contrariamente ao que dizem esses deputados, não geriu o processo desastrosamente, antes separou, desde já as águas, foi intelectualmente honesto, o que é raro nos líderes partidários e deixou a porta aberta para incluir, no programa eleitoral, uma proposta oficial do PSD, o que se traduzirá desde já no afastamento dos deputados, que agora o acusam, nas listas das próximas legislativas. “Touché”!
É vê-los agora preocupados com a postura do líder. Pessoas como Luís Montenegro, Carlos Abreu Amorim, Passos Coelho e Santana Lopes, só para citar alguns, estão a antecipar o seu luto político. Eles sabem bem que não se safam com este Rui Rio que, goste-se ou não, nada tem a ver com o PSD que vem desde os tempos de Passos Coelho.
Cá estaremos para ver se será ou não o cenário em 2019. Sim porque Rio tem a perfeita noção que este tempo que se vive e as próximas eleições para o Parlamento, serão ainda do PS.
Portanto lógico é ele fazer exactamente isto, arrumar a casa. Depois, bem depois teremos de esperar para ver, mas não tenho dúvidas que Rui Rio está a começar a prepara o PSD, para as eleições legislativas de 2023. Assim o deixem e ele consiga!

*José Lagiosa, diretor do beiranews.pt

 
 
 
 

Leave a Reply

- Advertisment -

Most Popular

COMENTÁRIOS RECENTES

Paula Alexandra Farinha Pedroso on Elias Vaz lança livro sobre lendas e mitos de Monsanto
%d bloggers like this: