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Paços do Concelho da Sertã recebe Exposição de Pintura de Tito Vitorino

O renovado edifício dos Paços do Concelho da Sertã, tem patente desde, 24 de junho, uma exposição de pintura de Tito Vitorino.
Até 7 de setembro poderão ser apreciadas naquele espaço, de segunda a sexta-feira das 9 horas às 16h30m, cerca de 20 obras deste conhecido pintor cernachense.
Da exposição fazem parte obras que retratam diversos cenários como o Rio Zêzere na Bouçã, a Casa de Túllio Victorino, o Jardim do Clube Bonjardim, a doca e praia na Figueira do Foz, o antigo mercado Bettencourt em Cernache do Bonjardim, entre outros locais do país.
Tito Príncipe Vitorino nasceu em Cernache do Bonjardim, a 17 de agosto de 1921, sendo filho de Dalila Príncipe Victorino e do reconhecido pintor Túllio Victorino.
Frequentou o ensino primário em Cernache do Bonjardim e fez os seus estudos secundários em Lisboa.
Autodidacta na sua formação pictórica, foi influenciado pelo pai, com quem colaborou no seu ateliê, em Coimbra, no final da década de 1930.
Em 1946, partiu para África, permanecendo algum tempo na ilha de Fernão Pó, antes de rumar a Angola, – “sempre com a paleta e os pincéis”, como o próprio dizia, – vivendo em Luanda até 1961.
Aí trabalhou no Banco de Angola, durante 15 anos, nunca abandonando a sua faceta de pintor. Regressado a Portugal e a Cernache do Bonjardim, foi durante anos funcionário do Instituto Vaz Serra, tendo casado com Maria Helena Girão Guimarães Príncipe Vitorino, com quem teve Nuno Pedro Guimarães P. Vitorino.
Influenciado pela atitude naturalista e pelas correntes impressionistas do final do século XIX, Tito Vitorino apresenta uma obra muito centrada nas paisagens natural e humana.
Pintou sobretudo a sua terra mas também África e a Figueira da Foz, que frequentava durante o Verão.
As suas obras transmitem, por norma, uma atitude serena e expressiva, procurando a conciliação da luz com o objecto, resultado do seu enorme prazer em pintar.
Participou em inúmeras exposições: Museu de Angola (1960), Figueira da Foz (1977, 1985 e 1987), Lisboa (1984) e Sertã (FAFIC 1985, 1986, 1987 e 1988).
Integrou ainda exposições coletivas no Lobito (Angola), Figueira da Foz, Braga e Tomar.
Após ter estado internado em Coimbra, no Hospital dos Covões, (onde, aliás, a sua mãe se encontra representada numa grande tela pintada pelo pai, Túllio Victorino, numa das escadarias de acesso ao 1.º piso), viria a falecer em Cernache do Bonjardim, vítima de doença prolongada, a 22 de outubro de 1988.
Era tido como um ser afável, amigo do próximo, de trato simples, aprazível e confraternizador, não desdenhando da condição de cada um.
Ainda hoje é lembrado com saudade, quase 30 anos após a sua partida.

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