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Obviamente … não me demito!

A democracia em Portugal, anda verdadeiramente pela hora da morte!
Na semana em que a TVI apresentou uma reportagem de investigação sobre o que se está a passar em Pedrogão Grande, no que diz respeito à gestão dos dossiers das indemnizações dos incêndios do ano passado, neste concelho do Pinhal Interior, seria razoável já houvesse, da parte dos visados, uma tomada de posição política, já que as outras, as criminais, competem às polícias e à justiça.

José Lagiosa

Em democracia, os problemas não podem ser empurrados para a frente com a barriga esperando que caiam no esquecimento público para logo, logo, poder continuar a praticar os mesmos ou outros similares.
Em democracia o poder político tem de saber assumir as consequências políticas imediatas de tudo o que acontece debaixo do nosso chapéu político.
Em Pedrogão parece que não se conhece esta regra de transparência democrática.
“À mulher de César não basta ser honesta, tem de parece-lo”, assim diz o ditado.
E este dito encaixa neste caso como uma luva. O homem até pode ser sério, mas não parece. Tanto se esquivou das respostas às perguntas da jornalista que as dúvidas, se instalaram na sociedade sobre o que realmente tem estado a acontecer em Pedrogão Grande na gestão dos fundos de apoio às vítimas dos incêndios.
A responsabilidade efetiva pode até passar-lhe ao lado, mas a responsabilidade política, essa tem de ser assumida e as respetivas consequências, inevitavelmente postas em prática.
Face à gravidade do que a jornalista da TVI tornou público, com testemunhos que indiciam serem as acusações verdadeiras, importa que o poder político autárquico, leia-se presidente da Câmara Municipal, assuma desde já uma primeira consequência, de caráter político, demitindo-se.
Depois a investigação criminal e judicial completaram o quadro do que tem de ser feito.
Em democracia é isto que verdadeiramente tem de ser feito.
Pois, mas isso é em democracia pura e nós andamos, em Portugal, a brincar às democraciazinhas com as consequências práticas bem à vista ou melhor, com a falta de consequências a prevalecer sobre os deveres democráticos de quem nos governa, desde o poder autárquico até aos poderes legislativos e governativos.
Já em sentido inverso, cidadão que não cumpre é, e bem, penalizado.
A democracia é de todos e para todos. Não há democracia para cidadãos de primeira e democracia para cidadãos de segunda.
Ou melhor, não deveria haver, mas afinal parece que há, pelo menos para alguma da nossa classe política.
Infelizmente este não é caso único. Por esta ou aquela razão os casos multiplicam-se, a cada ano que passa, a uma velocidade de multiplicação alucinante.
Depois admiram-se que os sentimentos nacionalistas e ultra nacionalistas proliferem, a uma velocidade alucinante.
Pudera, nestas coisas, até um santo perde a paciência!
Senhor presidente da Câmara de Pedrogão Grande, assuma de uma vez por todas, a sua responsabilidade política e demita-se, dando aos cidadãos uma razão para continuarem a acreditar na política e nos seus agentes.
Não se esqueça que a paciência também tem limites. E quando ela acaba… tudo pode acabar mal!
A não ser que seja daqueles que prefere a máxima de “Obviamente… não me demito!

*José Lagiosa, diretor do beiranews.pt

 

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