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BeiraNews | Outubro 22, 2018

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Paixão e até brincadeira levam a uma vida de comissário da Volta a Portugal

Paixão e até brincadeira levam a uma vida de comissário da Volta a Portugal
José Lagiosa

A paixão pelo ciclismo, mesmo que criada a partir de uma brincadeira, é uma das razões para se querer ser comissário, o árbitro desta modalidade, que é uma ‘espécie em perigo de extinção’.

Hugo Rodrigues é um dos mais jovens comissários da Volta a Portugal, apesar de ter abraçado esta tarefa há 10 anos, quase 20 menos do que Paulo Leal, o segundo na hierarquia da 80.ª edição, apenas atrás do presidente do colégio de comissários, o holandês Martin Bruin.

“A figura do comissário é desconhecida para a maioria das pessoas que olham para este desporto. No meu caso, fui corredor, comecei muito jovem, corri até à categoria de sub-23 e a paixão mantém-se. Esta foi a forma que tive para continuar ligado à modalidade”, revelou, à agência Lusa, Hugo Rodrigues, que é comissário moto na Volta.

Mais experiente, Paulo Leal, natural de Sangalhos e ex-jogador de basquetebol durante 20 anos, entrou no “mundo do ciclismo por uma brincadeira”, que depois se transformou “numa paixão”.

“Comecei a fazer as primeiras provas um pouco por brincadeira. Depois foi ficando este bichinho e esta paixão pela modalidade, que ficou até hoje. Estou cá com todo o prazer. Hoje, em termos de balanço, se calhar já gosto mais do ciclismo do que do basquetebol, pelo prazer, pelo respeito e pela paixão pela modalidade”, afiançou.

Com o papel de comissário 2 na Volta a Portugal, Paulo Leal diz que “há muitas diferenças” no papel de ‘árbitro’ desde que se iniciou, considerando que “o colégio de comissários, embora mais curto, tem outros meios para poder trabalhar, como é óbvio”.

Contudo, os comissários são uma ‘espécie em risco’, uma vez que, “há quatro, cinco anos havia cerca de 160 comissários, e hoje em dia o número de comissários no ativo é de 70 e qualquer coisa”.

“Os comissários acabam por ser poucos para tantas provas que há”, lamentou Paulo Leal.

Para cativar novos jovens, o comissário diz que “vale a pena vir e tentar, nem que seja pela beleza da modalidade”.

“Há muitos jovens que gostam e andam de bicicleta, venham, vale a pena virem”, pediu.

Paulo Leal considera que, ao contrário do que acontece em outros desportos, é raro acontecerem expulsões de atletas por agressões, embora existam outros motivos para ser mostrado um ‘cartão vermelho’ a um ciclista, como agarrarem-se durante muito tempo ao carro da equipa.

“É muito pouco comum. Raramente acontece, só no calor da etapa ou porque houve uma situação que originou isso. Mesmo entre equipas rivais, todos têm um respeito muito grande, algo que muitas vezes não vemos noutras modalidades”, disse.

Na Volta a Portugal, o colégio de comissários é composto pelo presidente, que é o holandês Martin Bruin, o comissário 2 e comissário 3, três árbitros de mota, um juiz de chegada, um auxiliar do juiz de chegada, um cronometrista e um juiz de partida.

*Lusa /

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