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Celeste Rodrigues é homenageada em novembro na Festa do Fado em Lisboa

A fadista Celeste Rodrigues, que morreu no passado mês agosto, é evocada em novembro na Festa do Fado, que assinala o 7.º aniversário da classificação do fado como Património Imaterial da Humanidade, no Café Luso, em Lisboa.
No dia 26 de novembro, no âmbito da homenagem à criadora da “Lenda das Algas”, na qual participarão, entre outros, o seu neto, o cineasta Diogo Varela Silva, e o bisneto, o guitarrista Gaspar Varela, que a chegou a acompanhar, entre artistas e “apreciadores do fado”, é inaugurada, no Luso Café, a exposição “Fado, Memórias e Revelações”, composta por “fotografias inéditas de eminentes artistas de fado”, do fotógrafo Rogério Paulo Gonçalves.
A exposição ficará patente no Luso Café, espaço contíguo à casa de fados, que ocupa as antigas cavalariças e celeiro de um antigo palácio do século XVII.
Paralelamente, realizam-se duas exposições na Adega Machado, também no Bairro Alto, e na casa de fados O Timpanas, em Alcântara, de fotografias de Celeste Rodrigues e de outros fadistas, nomeadamente os que atuam, regularmente, nestes espaços. As três mostras encerram no mesmo dia, dia 26 de dezembro.
“Celeste Rodrigues foi homenageada, com o descerramento de uma lápide no nosso espaço, em maio de 2013, quando celebrou 90 anos, e marcou sempre presença na Festa do Fado, (…), nomeadamente, no ano passado, no âmbito do 90.º aniversário do Café Luso (…) conhecido como ‘a catedral do fado’”, disse à agência Lusa Jorge David, do departamento de comunicação.
João Pedro Ferreira Borges, do Fado & Food, grupo proprietário desta casa de fado, em declarações à Lusa, lembrou que, “durante vários anos, quando o fado não estava em voga, como atualmente, o Café Luso e outras casas de fado fizeram uma caminhada no deserto, tendo sabido manter viva a cultura fadista e procurado que o fado não estagnasse”.
Em 2015, o Café Luso realizou uma exposição de fotografia em homenagem a Álvaro da Silva Resende (1935-2005), natural do Porto, que foi fotógrafo do Café Luso desde 1970 até à sua morte, e “ficou conhecido no meio fadista como ‘o barão’”.
A fadista Celeste Rodrigues morreu no passado dia 1 de agosto, aos 95 anos, em Lisboa.
Nascida no Fundão, irmã de Amália Rodrigues, iniciou a carreira em 1945, quando aceitou o convite do empresário José Miguel (1908-1972), para cantar no Café Casablanca, em Lisboa.
Do seu repertório constam, entre outros temas, “A Lenda das Algas”, “Fado das Queixas”, “Pode Ser Mentira”, “Noite de Inverno”, “Ouvi Dizer Que me Esqueceste”, e “Olha a Mala”, entre outros.
Em maio passado, Celeste Rodrigues cantou no palco do Teatro Tivoli, em Lisboa, uma das suas últimas atuações.
Ao longo da carreira fez parte dos elencos de várias casas de fado, como o Café Latino, o Marialvas, Adega Mesquita, Tipoia e Adega Machado e a Parreirinha de Alfama e Café Luso, onde atuava duas vezes por semana até próximo da data da sua morte, tendo gravado com nomes como Jorge Fernando, Diogo Rocha, Fábia Rebordão e Tim, dos Xutos & Pontapés.
Em 2005, o encenador Ricardo Pais, então diretor do Teatro Nacional São João, no Porto, convidou a fadista a participar no espetáculo “Cabelo Branco é Saudade”, ao lado de Argentina Santos, Alcindo de Carvalho (1932-2010) e Ricardo Ribeiro, com o qual fez uma digressão europeia.
*Lusa / Foto: ANTÓNIO COTRIM

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