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Violência de um beijo obrigado ou os brandos costumes portugueses

A última semana, em Portugal, foi pródiga em reações, a uma afirmação do professor universitário Daniel Cardoso, no programa “Prós e Contras”, na passada 2ª feira na RTP1.
“Obrigar uma criança a dar um beijo na avozinha ou no avozinho é uma violência”. Esta a frase da polémica, usada e comentada proficuamente, descontextualizada da intervenção em causa.
Mesmo assim, penso que muitos dos comentários e intervenções, nos mais diversos lugares, são perfeitamente descabidas e sem nexo, por falta de informação ou por outras razões que a própria razão desconhece.
A questão não é a afirmação em si, porque essa é perfeitamente verdadeira, coerente com o pensamento atual, ainda que com oposição de alguns setores da sociedade, como se viu aliás, em muitas das reações manifestadas nos mais diversos meios.

José Lagiosa

A questão é aliás profunda, a necessitar de uma reflexão serena e profissional.
Pese embora, essa necessidade, não posso deixar passar em claro o episódio e manifestar de uma forma clara e inequívoca, mas serena, a minha opinião sobre a matéria.
É óbvio que a questão foi descontextualizada, do todo, da intervenção de Daniel Cardoso.
É óbvio que a questão foi aproveitada, quase até ao limite, para que individualmente ou coletivamente, se passasse, a mensagem retrógrada, que vivemos ainda no século passado, quando e onde, muitas vezes, se deixava de “ver” e “ouvir” aquilo que nos melindrava mas que não ousávamos dizer.
Felizmente os tempos são outros e deixámos de ver só a preto e branco e existem afinal, outras cores e mais importante ainda, imensos tons de cinzento.
Quantas das vezes, aqueles que nos são mais próximos são os primeiros a transformar as nossas crianças, em vítimas de assédio das mais diversas espécies, incluindo o sexual.
Obviamente que, obrigar uma criança a dar um beijo a um familiar, veículo desse tipo de abusos, é uma violência.
Mas não só, a criança tem desde muito cedo o direito a preservar o seu corpo perante aquilo, um toque por mais inocente que seja, que sente como desconfortável.
Inibir uma criança desse direito é necessariamente uma violência.
Quantas e quantas vezes, crianças são abusadas das mais diferentes e variadas formas e ninguém dá conta dos sinais do desconforto ou mesmo do pedido de auxílio?
Estas são, garantidamente questões que os portugueses têm que começar, de uma forma generalizada, a ver com outros olhos, a discuti-las serenamente, se querem que todas as crianças cresçam e sejam educadas em padrões coerentemente saudáveis e cientificamente atualizados.
Defender hoje, as nossas crianças, salvaguardando a sua integridade física e a sua intimidade, é sinónimo de cidadãos mentalmente mais saudáveis e mais preparados no futuro.

*José Lagiosa, diretor do beiranews.pt

 

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