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Há setores do PS que veem BE como problema para a maioria absoluta

A coordenadora bloquista, Catarina Martins, considera que há setores do PS que entendem que o BE “pode ser um problema para o objetivo da maioria absoluta” nas próximas eleições legislativas, o que justifica “algum tipo de crispação”.
Em entrevista à agência Lusa na véspera da XI Convenção Nacional do BE – que decorre no sábado e no domingo, em Lisboa -, Catarina Martins garante que “o Bloco é o que sempre foi, mas com mais força faz-se mais caminho”.
“Há talvez setores do PS que consideram que o Bloco de Esquerda pode ser um problema para o objetivo da maioria absoluta e tenham decidido que ganhariam alguma coisa com algum tipo de crispação”, responde, quando questionada sobre a subida de tom e crítica dos socialistas em relação aos bloquistas.
No entanto, a líder do BE ressalva que “não é toda a gente que pensa assim no PS”, uma vez que já compreenderam que há “um acordo para cumprir e que o Bloco manteve exatamente a mesma postura todos os dias, independentemente das flutuações de outros lados”.
Sobre se António Costa está no grupo dos que encaram o BE como um problema para as próximas eleições, Catarina Martins diz querer pensar que o primeiro-ministro está empenhado em concluir a legislatura.

“Eu quero pensar que o senhor primeiro-ministro está tão empenhado como eu em levar a legislatura até ao fim, no cumprimento dos acordos que fizemos em 2015 e indo mais além deles, sempre que é possível”, afirma.
À pergunta se o BE e o PCP são hoje partidos mais próximos ou mais antagonizados, Catarina Martins responde, primeiro, que é preciso valorizar “muito o trabalho e a convergência” com os comunistas.

“Registo que mantemos diferenças profundas – e para nós amargas – como, por exemplo, o PCP não ter apoiado a despenalização da morte assistida e permitir à direita chumbar um projeto que é uma ambição do país”, lamenta.
No entanto, a deputada do BE assinala “também que em matérias como a adoção por casais do mesmo sexo, a posição do PCP tem vindo a evoluir e deu alguns passos que há uns anos se acharia impossível dar”, tendo a expectativa que o partido “faça parte das ideias progressistas também no campo dos direitos e liberdades individuais”.
A XI Convenção Nacional, reunião magna do partido que começa no sábado, é, para Catarina Martins, “um momento de balanço”, precisamente no dia em que passam três anos sobre a assinatura dos acordos que viabilizaram o Governo minoritário do PS.
“É verdade que é um momento em que o Bloco se confronta com as próprias responsabilidades que teve, acrescidas, e também que coincide com o momento em que já há uma colaboração estreita, pensada, quotidiana entre uma geração mais nova dirigente porque o Bloco nestes últimos anos procedeu a uma enorme renovação”, destaca.
Para a dirigente, “o BE tem neste momento uma convergência grande de direção sobre os caminhos que tem de seguir”, desvalorizando qualquer impacto da polémica que envolveu o antigo vereador bloquista na Câmara de Lisboa, Ricardo Robles.
“O BE considera que Ricardo Robles errou, reconheceu o erro e em 72 horas tínhamos mudado o vereador, mas não teve nenhum comportamento ilegal. Nós reconhecemos os erros e corrigimos, mas não houve sequer nenhum comportamento ilegal. Não sei se há muitos partidos que tenham o mesmo comportamento que o Bloco”, aponta.
A Convenção acontece no ano em que o partido perdeu uma das suas figuras de destaque, o antigo coordenador João Semedo – que partilhou com Catarina Martins, entre 2012 e 2014, a liderança ‘bicéfala’ – e que morreu em julho último.
“O João foi muito mais, na política, do que esses dois combates [Lei de Bases da Saúde e despenalização da eutanásia) que foram os últimos e que foram muito importantes. Foi a capacidade de interlocução, de criar pontes. Foi saber que a determinação na política do programa nunca é o sectarismo, nunca é dizer que não conseguimos construir pontes ou dialogar com outros”, elogia.
“Esquerda não está condenada simplesmente a impor limites à ação do PS”
A coordenadora do BE, Catarina Martins, admite que o partido pode vir a ser chamado a “desenhar programas” após as legislativas de 2019, mas adverte que “o Bloco não vai integrar um governo que não é o seu”.
“A esquerda não está condenada a, simplesmente, impor alguns limites à ação do Partido Socialista. A esquerda pode ter a responsabilidade de desenhar programas”, realça a dirigente bloquista, numa entrevista à agência Lusa em que sublinha que, após as próximas legislativas, voltará a ser “a relação de forças a determinar as soluções” de Governo.
Catarina Martins lembra que, em 2015, quem passou muito tempo a desenhar cenários, “falhou-os todos”, porque os partidos da esquerda conseguiram entender-se com o PS para travar o Governo PSD/CDS-PP e a política de austeridade de cortes dos rendimentos.
A dirigente bloquista recusa-se, contudo, a indicar a fasquia eleitoral que poderá levar, desta vez, os bloquistas para um governo de esquerda, defendendo que ainda há um caminho longo a percorrer até às eleições legislativas de 2019.
“Nós só estaremos no governo quando tivermos os votos para estar”, assegura, depois de reconhecer que a execução da estratégia económica do partido será “mais fácil se o Bloco tiver votos e força para isso”.
“É preciso ter a clareza de dizer para onde é que nós queremos ir depois deste percurso. Fizemos o acordo para parar o empobrecimento do país – era tão modesto, mas tão importante quanto isso em 2015 -, afastámos a direita, acabámos com os cortes em salários e pensões, parámos a privatizações”, lembra a líder do BE.
E, agora, “o que fazer daqui para a frente?”. “Para o Bloco, este é o tempo de pensarmos que isto não é tudo o que o país precisa, porque nós temos problemas estruturais gravíssimos e precisamos de olhar para o país que temos”, defende.
“Nós achamos que falta muito. Falta reequilibrar as relações laborais, porque a precariedade ainda é regra… regras laborais mais fortes, um Estado social mais capaz, recuperar o universalismo do estado social”, indica.
Catarina Martins aproveita para salientar que, em Portugal, “ter filhos é um sinal de empobrecimento”, sustentando que “questões como recuperar o universalismo do Estado social ou os passes dos transportes serem para toda a gente são pequenos passos que devem ser alargados” na próxima legislatura.
Mas, a coordenadora do BE adverte que “uma coisa é fazer convergências sobre matérias centrais, outra coisa é achar que um partido político pode governar com um programa que não é seu”.
“Isso é impossível, isso não existe”, acentua, manifestando “muita preocupação com a política europeia”, designadamente quanto à “retórica sobre uma invasão de imigração”.
Catarina Martins elogia o “trabalho extraordinário” desempenhado pela eurodeputada do BE, Marisa Matias, que “é reconhecido não só em Portugal, mas em toda a Europa e mesmo do ponto de vista internacional”.
No entanto, questionada sobre se Marisa Matias voltará a ser cabeça de lista nas eleições europeias do próximo ano, remete a decisão para os órgãos próprios do partido.
“Vamos fazer esse percurso de debate. Acho que a Convenção é também um momento muito importante e eu diria que esse é um tema que não pode ficar de fora”, salienta.
Sobre a possibilidade de “convergência” no apoio a um candidato presidencial, nas eleições de 2021, a líder do BE diz ser cedo e haver ainda “muito tempo”.
“Nós no Bloco gostamos de convergências, mas as convergências devem ser sobre programas políticos claros”, frisa, para logo a seguir concluir: “A legislatura ainda não acabou e ainda se pode fazer muito trabalho. Nós não desistimos”.
Já quanto ao mandato do Presidente da República, Catarina Martins distingue a parte institucional da política, chegando a sublinhar as intervenções de Marcelo Rebelo de Sousa “contra determinados tipos de populismos que alimentam ódios na sociedade”.
“Aí o Presidente da República tem tido um papel que é importante na defesa do Estado de Direito”, sustenta.
Faz também a distinção relativamente ao antecessor no Palácio de Belém, Cavaco Silva, que “achava que os partidos da esquerda não poderiam negociar políticas para o país”.
Marcelo é diferente e até há matérias em que “há convergência” com o BE, como na defesa do estatuto do cuidador informal, afirma.
“O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa é um homem que se coloca na direita do espetro político, que acha normal a presença do setor privado na saúde, por exemplo – quando nós defendemos uma separação clara entre público e privado – tem essa história, é nisso que acredita, foi com esse programa que foi eleito, aliás, com absoluta clareza”, afirma, considerando “absolutamente normal e legítimo que as intervenções do PR promovam o tipo de programa em que acredita”.
*Lusa / Foto: Arquivo

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