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BeiraNews | Dezembro 9, 2019

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A memória não engana

A memória não engana
José Lagiosa

Home sweet home. Este nome adotado para a carrinha que nos levou durante a campanha de abril de 1976 não podia ter sido melhor escolhido.

Realmente durante as três semanas que andámos na estrada, somente uma vez fomos a casa, precisamente no domingo em que decorreu o comício no antigo estádio da FNAT, hoje 1º de Maio.

Durante todo o tempo palmilhámos milhares de quilómetros, ao longo de Portugal, desde o Minho ao Algarve. Só não fomos, por razões óbvias à Madeira e aos Açores.

José Lagiosa

Para além do episódio ocorrido em Carrazedo de Montenegro e que vos contei no passado domingo, outros ouve que mereciam destaque, aqui neste espaço.

Vou abordar unicamente dois: o primeiro que aconteceu no Tortozendo e que foi nada mais, nada menos do que uma ação de militantes do PCP, que visavam desestabilizar a nossa campanha e conseguir alguns dividendos, quando a zona tinha grande atividade têxtil e votava maioritariamente à esquerda.

De nada lhes valeu já que ganhámos as eleições no concelho da Covilhã e no distrito de Castelo Branco, a segunda de cariz mais pessoal e que se passou, em Viseu, quando perante um grupo de rapazes e raparigas da JS local resolvi, responder a um comentário de uma das raparigas.

Acabou por terminar em casamento um ano e três meses depois. Estou a falar da mãe das minhas duas filhas mais velhas.

É óbvio que foi um episódio que me marcou, apesar do divórcio que acabaria por acontecer treze anos mais tarde.

Mas o mais relevante foram as amizades construídas entre aqueles companheiros de route, com os quais perdura uma amizade fraterna, apesar de não nos vermos frequentemente.

Exemplo disso, é aliás, o que aconteceu aquando do lançamento do livro de José Sócrates, em Lisboa, no Museu da Eletricidade, reencontrei a Isabel Soares, filha de Mário Soares e sua companhia ao longo de toda essa campanha de 76, que já não via há cerca de 30 anos, que ao falar-lhe da carrinha Home sweet home e dos malucos da JS, logo exclamou, Lagiosa…

Eram, sem dúvida, outros tempos. Éramos novos, as experiências marcavam-nos muito, mas fundamentalmente o espírito de camaradagem era outro, alicerçado noutros valores onde a palavra amizade tinha realmente peso, importância e era verdadeiramente sentida.

*José Lagiosa, director do beiranews.pt

 

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