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Mike El Nite edita na sexta-feira novo disco que é também uma banda desenhada

O segundo álbum de Mike El Nite, a ser editado na sexta-feira, vem acompanhado de uma banda desenhada, e um é indissociável do outro, já que em ambos estão histórias dos últimos dois anos da vida do ‘rapper’.
“Inter-Missão” surge depois de “uma fase um bocado atribulada” da vida do rapper de Lisboa, a seguir a “um pico de sucesso”. “A história da banda desenhada [BD] e do disco começa nesse momento, que foi um pico de alegria na minha vida, um dos melhores dias da minha vida [um concerto no festival Super Bock Super Rock em 2016]”, recordou.
Pouco depois disso, chegou ao “fim uma relação muito longa” e, mais tarde, Mike El Nite teve “um acidente de bicicleta aparatoso”. Acontecimentos que provocaram “um momento de alguma crise existencial e artística, crise de expectativas em relação ao sucesso, o que deveria ou não fazer”.
“Tive algumas coisas menos boas que aconteceram na minha vida e, desses eventos, saíram algumas músicas, mas não havia uma ideia de disco”, recordou. Aliás, a ideia de Mike El Nite “até era ter feito outro projeto, que seria uma sequela de ‘O Justiceiro’ [álbum de estreia, editado em 2016]”.
“Mas este disco e esta BD puseram-se no caminho quase como uma história que quebra a linha de tempo entre os álbuns, e que nos leva para um universo alternativo em que eu estou a ter uma alternativa paralela, uma ‘side quest’ digamos assim”, afirmou.
A BD atravessou-se no caminho do rapper quando conheceu o argumentista de BD Miguel Peres. “[O Miguel] enviou-me um exemplar de uma BD dele com uma dedicatória a dizer que gostava muito do meu trabalho e que eu o inspirava. Começámos a falar em colaborar e de repente algumas músicas que eu tinha tornaram-se um ponto de partida para o disco e o disco tornou-se uma coisa que acompanha a BD e a BD uma coisa que acompanha o disco”, resumiu.

Mike El Nite partilhou com Miguel Peres a história que queria contar, o argumentista alinhavou um texto “e reuniu uma equipa de pessoal muito talentoso para desenhar [Marcus Aquino], pintar [Joana Oliveira] e legendar [Ivan Rego]”. “Depois fomos adaptando a história à medida que íamos trabalhando”, recordou.
Na música que faz, Mike El Nite tenta “sempre implementar elementos da cultura portuguesa”.
“Porque sou português, e porque acho que muitas vezes isso pode não chegar ao público mais recente do hip-hop, gosto sempre de incluir alguma portugalidade numa coisa que muitas vezes é muito norte-americana”, disse.
Em “Inter-Missão” isso nota-se, por exemplo, no tema “Carmen”, que conta com a participação de Rita Vian (dos Beautify Junkyards), a cantar fado, ou em “Dr. Bayard”, nome de uma marca de rebuçados portugueses.
No disco, além de Rita Vian, Mike El Nite conta ainda com as vozes de Catarina Boto, J-K, Fínix MG e Sippinpurpp, e a ajuda na produção de Lewis M (Luís Montenegro dos Salto), DWARF, Maria, Ice Burz, Osémio Boémio e Benji Price.
Filho de um músico – o pai fez parte da Brigada Vitor Jara e, mais tarde, assumiu o projeto Quinzinho de Portugal -, Miguel Caixeiro sempre cresceu “com uma relação muito próxima com a música”.
No final dos anos 1990, o agora rapper começou a ouvir hip-hop e ‘nu metal’, “como qualquer miúdo daquela geração”, foi também nessa altura que se interessou “em escrever umas coisas”.
“Não era o miúdo mais musical de sempre, mas gostava de escrever. Então o hip-hop pareceu-me uma boa via. Também era muito revoltado com o sistema”, recordou.
Numa determinada fase afastou-se um pouco do hip-hop e esteve mais ligado à eletrónica e isso “foi bom para abrir horizontes musicais”.
Foi quando regressou ao hip-hop que nasceu o projeto Mike El Nite, inicialmente “muito influenciado por Tyler, The Creator e também com a sua evolução musical”.
“Ele hoje em dia faz música mais orquestrada, mais elaborada, menos rap, mais cantada. Estive a ouvir também artistas como Thundercat e quis abrir espetro daquilo que faço ou sou ou não capaz de fazer. Quis desafiar-me a fazer temas de uma maneira diferente das que estava habituado a fazer, porque a maneira de fazer hip-hop às vezes é um bocado quadrada e repetitiva. Então quis experimentar isso e para isso precisei de ajuda de pessoal mais músico que eu, digamos assim”, partilhou.
Além do álbum de estreia, Mike El Nite já editou dois EP e uma mixtape.
“Inter-Missão”, tal como o primeiro álbum de Mike El Nite, é uma edição de autor. Para comprá-lo, só entrando em contacto com o rapper, através das redes sociais, ou na loja King Pin Books, em Lisboa.
O concerto de apresentação do disco está marcado para 2 de fevereiro, no Estúdio Time Out, em Lisboa.
*Lusa / Foto: JOSE SENA GOULAO

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