7.8 C
Castelo Branco
Sexta-feira, Novembro 27, 2020
No menu items!
Início Cultura Biblioteca Nacional recebeu apresentação do livro “Cem Poemas (de morrer) de amor...

Biblioteca Nacional recebeu apresentação do livro “Cem Poemas (de morrer) de amor e uma cantiga partindo-se”

Uma histórica e memorável sessão

O livro “Cem Poemas de (morrer) de amor e uma cantiga partindo-se”, da autoria de Gonçalo Salvado e Maria João Fernandes, com desenhos de Francisco Simões, foi apresentado, no passado dia 7 de dezembro, na Biblioteca Nacional, em Lisboa.
“Unir todas as vozes que caminham para a noite.”, António Ramos Rosa, “Fundação do Corpo”.
 “(…) dos seus começos no século XII até Pessoa a poesia portuguesa
é uma “canção de amor” ininterrupta.”, Eduardo Lourenço
A propósito desta apresentação, escreveu Maria João Fernandes:
“Há momentos que não se repetem na história e na vida cultural de uma cidade, neste caso Castelo Branco, que justamente pela sua notável atividade cultural, e em várias frentes, pode atualmente ser considerada um dos centros, neste âmbito, de maior dinamismo do nosso País.
Um momento verdadeiramente memorável e que desejamos registar e partilhar com os albicastrenses que não o presenciaram, foi a sessão de apresentação, sexta-feira 7 de Dezembro no Auditório da Biblioteca Nacional de Portugal da Antologia de Gonçalo Salvado e Maria Fernandes: Cem Poemas (de Morrer) de Amor e uma Cantiga Partindo-se, inteiramente apoiada pela Câmara Municipal de Castelo Branco, com capa e desenhos do escultor Francisco Simões e prefaciada por Guilherme d’Oliveira Martins. A sessão abriu ao som dos incomparáveis acordes da música de elementos do grupo “João Roiz Ensemble”: Custódio Castelo (Guitarra Portuguesa); José Filomeno Raimundo (Piano), Pedro Ladeira (Clarinete) e Miguel Carvalhinho (Guitarra Clássica). A que se acrescentou a alma deste conjunto, a belíssima voz da Fadista Ana Paula, intérprete do momento mais alto do evento, dando voz, 500 anos depois, ao imortal poema de João Roiz, o que mereceu entusiastas e merecidos aplausos e a outros poemas a partir do livro apresentado.

Gonçalo Salvado, Maria João Fernandes e Eduardo Lourenço

A obra que decorre das comemorações promovidas pela Câmara Municipal de Castelo Branco, dos 500 anos da “Cantiga Partindo-se”, o intemporal poema de João Roiz de Castelo Branco, uma referência do lirismo nacional, já tinha merecido, na cidade que lhe deu o nome, uma apresentação pelo ex Ministro da Cultura, o Dr. Luís Filipe de Castro Mendes, um dos cem poetas incluídos. Com o livro coincidiu aliás a grande e belíssima exposição de esculturas, cerâmicas e desenhos de Francisco Simões: “Amor Única Chama” comissariada por Maria João Fernandes e evocadora do seu universo.
A recente apresentação em Lisboa pelo Professor Guilherme de Oliveira Martins é mais um momento de consagração desta obra que tem entre outros, o mérito de alargar as fronteiras culturais de Castelo Branco, promovendo o diálogo com um público nacional, a quem se destina em primeiro lugar, embora o destino de uma obra de referência como esta, que retoma um tema fundador do lirismo europeu e português devesse ser internacional. O que não seria impossível, atendendo até, a que o título glosa voluntariamente um outro, que já é património da nossa memória cultural, os Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada de Pablo Neruda.
Na verdade, quer o Prefácio inicial de Guilherme d’Oliveira Martins, quer os estudos introdutórios de Maria João Fernandes e Gonçalo Salvado situam o tema no filão a que pertence, o do lirismo nacional já estudado por Eduardo Lourenço que o insere numa vasta tradição nacional, contributo fundamental para a nossa identidade cultural.
Eduardo Lourenço honrou aliás com a sua presença, o que pode considerar-se um grande acontecimento, pela apresentação a um público mais alargado, de um tema pela primeira vez reunido na literatura portuguesa. A relação do amor e da morte, que pela sua recorrência e importância na nossa literatura e no estro de poetas maiores e de outros quase desconhecidos, desde o século XIII, situa nas palavras de Jaime Cortesão, “a afetividade lusitana (…) como “o paradigma do mais puro amor humano.” O que Carolina Michaelis corrobora ao considerar “O sentimentalismo fundamental da saudosa alma portuguesa que morre de amor”.
A mesa que presidiu à apresentação e os elementos que asseguraram o momento musical

Quem és, ó doce respiração de meu sangue?, Gonçalo Salvado.
E Maria João Fernandes acrescenta:
“Competiu neste caso ao grande historiador e intérprete da cultura, Guilherme d’Oliveira Martins a apresentação e reflexão sobre o tema no contexto desta Antologia que por diversas vezes qualificou de ‘magnífica’, elogiando o percurso e o trabalho dos autores, desenvolvendo um tema já esboçado no seu Prefácio: “A cultura portuguesa assenta numa diversidade de elementos que lhe dão um especial encanto. Estamos perante uma encruzilhada de influências e de temas que Miguel de Unamuno sintetizou em duas referências: o sentido lírico e a história trágico-marítima” e ainda: “Dir-se-ia que nestes versos encontramos a presença de toda a poesia do Ocidente peninsular, com a plasticidade própria de um movimento cadenciado do amor e da morte, do encontro e do desencontro, do desespero e da esperança… E voltamos a lembrar Amadis, o Donzel do Mar, e Oriana, a sem par, na expressão de Afonso Lopes Vieira: “Mas o amor não tem fim, se é belo amor; ou, se o tem, tem-no em si mesmo, porque amor ama o amor…”.
À brilhante apresentação seguiram-se as intervenções de Gonçalo Salvado e de Maria João Fernandes, na sequência da introdução da Diretora da Biblioteca Nacional de Portugal: Drª Maria Inês Cordeiro, de Carlos Semedo em representação do presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, do Editor João Carrega e do escultor Francisco Simões que igualmente enalteceu a qualidade da Antologia apresentada.
A sessão terminou com uma leitura de poemas, pelos poetas presentes. Casimiro de Brito e Adalberto Alves, Joana Lapa (Maria João Fernandes) e Gonçalo Salvado e também de alguns dos poetas que por razões de saúde não puderam participar. Os poemas de Agripina Costa Marques e Maria Teresa Horta foram lidos por Maria Paula, uma voz albicastrense. Foi ainda lido por Gonçalo Salvado, o poema de António Ramos Rosa, “Fundação do Corpo”, uma particular homenagem de Maria João Fernandes. O poema de David Mourão-Ferreira que deveria ter sido lido pelo filho, David Ferreira que assistiu à sessão, acabou por ser interpretado pelo seu grande amigo e ilustrador, Francisco Simões. Tratou-se verdadeiramente de “Unir todas as vozes que caminham para a noite” e dela triunfam afirmando o poder do Amor numa memorável iniciativa que prolonga o universo lírico dos autores nela envolvidos e apela certamente a uma continuidade do seu projeto de dar forma a uma Arte de Amar em língua portuguesa”.
* Poeta, Crítica de Arte (A.I.C.A., Associação Internacional de Críticos de Arte)
Recorde-se que, em Castelo Branco, o livro foi apresentado pelo ainda ministro da Cultura, Castro Mendes.
 

Leave a Reply

- Advertisment -

Most Popular

Turismo Centro de Portugal apresenta Lugares Património Mundial na Bienal Ibérica de Património Cultural

AR&PA 2020 realiza-se até sábado de forma virtual O Turismo Centro de Portugal está presente, a partir de hoje e...

Covid-19: INEM tem 18 profissionais infetados e 39 de quarentena

O INEM tem 18 profissionais infetados com o novo coronavírus e 39 em isolamento profilático, o registo mais elevado desde o início...

Quinta do Regueiro, distinguido como produtor do ano, lança nova colheita do Regueiro Barricas 2019

A celebrar 21 anos, o pequeno produtor a produzir vinhos gigantes, apresenta novo vinho e várias sugestões de presentes para este...

Estão abertas as candidaturas à Bolsa Nacional para projetos de investigação em Microbiota

Prazo termina a 17 de dezembro Estão abertas, até ao dia 17 de dezembro próximo, as candidaturas à 2.ª...

COMENTÁRIOS RECENTES

Paula Alexandra Farinha Pedroso on Elias Vaz lança livro sobre lendas e mitos de Monsanto
%d bloggers like this: