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BeiraNews | Junho 3, 2020

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Comunidade moçambicana exige compensações justas de mineradora chinesa

Comunidade moçambicana exige compensações justas de mineradora chinesa
José Lagiosa

Comunidades das áreas abrangidas pela concessão de areias pesadas da companhia chinesa Haiyu Mozambique Mining, no norte de Moçambique, exigem o pagamento de compensações justas pela perda de terra, diz hoje a agência noticiosa da sociedade civil moçambicana CIVILIMO.

Os habitantes da área de concessão, no distrito de Angoche, acusam o Governo moçambicano e a Haiyu Mozambique Mining de ignorarem as consultas públicas para a implementação do projeto, violando a lei, refere a CIVILIMO.

As queixas da população foram feitas durante uma reunião com representantes do Governo e da companhia.

“O Governo moçambicano foi cúmplice nos atropelos à lei e promete, agora, promover a sua correcção”, indica a publicação.

A Haiyu Mozambique Mining Co. Lda iniciou as suas atividades em Angoche em 2011 sem o cumprimento de várias obrigações legais, incluindo consultas, participação comunitária e estabelecimento de critérios para indemnizações por danos.

A companhia começou a operação sem planos de reassentamentos das comunidades residentes na área de exploração das areias pesadas.

A CIVILIMO assinala que o Governo e a empresa só iniciaram as consultas às comunidades oito anos após o início da exploração das areias pesadas.

O órgão de informação cita o administrador de Angoche, Rodrigo Ussene, que admite que as autoridades ignoraram procedimentos legalmente exigidos na implementação de projetos de exploração de recursos naturais, justificando a situação com a avidez pelo desenvolvimento do país.

“O Governo reconhece que ignorou certos procedimentos impostos pela lei”, declarou Rodrigo Ussene.

A CIVILIMO acusa a Haiyu Mozambique Mining de destruir os ecossistemas vegetal e aquático da área costeira onde extrai as areias pesadas.

O representante da Haiyu Mozambique Mining Lda, Amilcar Marremula, assumiu que a empresa violou a lei na implementação do projeto, pedido desculpas pela situação.

Amílcar Marremula comparou a conduta da companhia com a de “um rapaz que conquistou uma menina e a levou consigo sem o consentimento dos pais e que agora pretende regularizar essa união”.

*Lusa / Foto: YESHIEL PANCHIA

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