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BeiraNews | Junho 17, 2019

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Casa de apostas dá chumbo do acordo de saída do Reino Unido da União Europeia como quase certa

Casa de apostas dá chumbo do acordo de saída do Reino Unido da União Europeia como quase certa
José Lagiosa

Uma casa de apostas britânica acredita que as hipóteses de o acordo para o Reino Unido sair da União Europeia ser chumbado são de apenas 87%, mas espera apostas de mais algumas centenas de milhar de euros até terça-feira.

Para a votação do acordo de saída, que vai acontecer na terça-feira e que foi adiado em dezembro pela primeira-ministra, Theresa May, devido ao risco de ser “rejeitado por uma margem significativa”, a William Hill estabeleceu probabilidades de 4/11, ou seja, a aposta de uma libra (1,11 euros) garante 36 pence de retorno (40 cêntimos).

Já um voto positivo tem probabilidades de 2/1, ou seja, se o acordo for aprovado, um apostador terá um lucro de 200%.

A estimativa é feita com base numa ponderação do número de apostas no primeiro cenário, que é favorecido por 98,3% dos apostadores, disse o diretor de comunicação, Rupert Adams, num encontro com um grupo de jornalistas em Londres.

“Nós falhámos redondamente nas previsões para o referendo do ‘Brexit’ e para a eleição de Donald Trump, que foram os dois eventos mais inesperados, e mudámos a forma como fazemos as previsões. Agora avaliamos o número de apostas e não o volume das apostas”, adiantou.

Adams não revelou o valor dos prejuízos, depois do referendo de 2016 quando 51,9% dos eleitores votaram pela saída britânica da UE, contrariando todas as sondagens, mas estima que a indústria no geral tenha perdido perto de três milhões de libras (3,33 milhões de euros).

A indústria das apostas movimenta no Reino Unido cerca de 14,4 mil milhões de euros (16 mil milhões de euros), tendo alargado o âmbito inicial do desporto como corridas de cavalos e futebol nos últimos anos a questões relacionadas com a política e a família real.

Devido ao intenso debate que gera, o ‘Brexit’ é um dos temas que mais gera interesse dos apostadores, e Adams está confiante que até ao dia do voto serão apostados mais 100 a 200 mil libras (111 a 222 mil euros).

A área da política recebe anualmente entre cinco a seis milhões de libras (entre 5,54 milhões e 6,65 milhões de euros) em apostas na William Hill, indicou.

Porém, este é também a área do jogo mais complexa de gerir devido à dificuldade em estabelecer as probabilidades, as quais têm agora em conta as apostas feitas em diferentes cidades do país para além de Londres, como a Escócia e o norte de Inglaterra.

“É muito difícil porque os deputados não seguem a disciplina parlamentar, ou dizem uma coisa e fazem outra”, justificou Rupert Adams, que faz parte de uma equipa que recolhe informação que influencia os cálculos matemáticos usados.

Por outro lado, vincou, também é difícil ler o sentimento da população porque “as pessoas são cada vez menos honestas sobre o que pensam” porque não apostam necessariamente no resultado que pretendem, mas naquele que pode dar mais lucro.

A casa de apostas britânica estimou, tendo em conta que faltam apenas 78 dias para a data do ‘Brexit’ a 29 de março, que a probabilidade de sair sem um acordo é de 73%.

A incerteza que rodeia o processo de saída do Reino Unido da UE faz com que existam muitos cenários, e o desafio das casas de apostas é tentar perceber qual é o mais provável para reduzir assim o valor que terá de pagar aos apostadores.

Por exemplo, se no dia 24 de junho de 2016, após o referendo sobre o ‘Brexit’, as probabilidades de um novo referendo eram de 50/1, no mês passado baixaram para 12/1 e atualmente estão em 11/8, ou seja, 42% dos apostadores acreditam num novo referendo antes de 2020.

“A mudança no espaço de um mês é incrível, mas tem em conta o número limitado de opções”, comentou.

A casa de apostas, fundada há 85 anos atrás, acredita que, mesmo que o voto no acordo seja negativo e desfavorável ao governo, Theresa May vai manter-se em funções, mas as probabilidades de se demitir ainda este ano têm aumentado.

Porém, a saída, provavelmente súbita não será seguida por eleições legislativas devido ao risco de o partido Conservador perder para o partido Trabalhista, mas por uma sucessão interna no governo, projetou Rupert Adams.

*Lusa / Foto: ANDY RAIN

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