Image Image Image Image Image Image Image Image Image Image
       

BeiraNews | Novembro 19, 2019

Ir para o Topo

Topo

Sem Comentários

Jovens em França com esperança que português abra portas no futuro

Jovens em França com esperança que português abra portas no futuro
José Lagiosa

Os doze melhores alunos de português em França receberam este sábado bolsas de mérito da associação Cap Magellan e da seguradora Império e afirmam que não só o português já ajudou na transição para a universidade, mas como pode ainda abrir portas no futuro.

“O português já me ajudou para entrar no Colégio de Direito da Sorbonne. Para entrar, perguntam a todos os estudantes quantas línguas falam e se têm outras culturas e isso conta no processo de seleção. Portanto, o português já me ajudou e penso que me vai continuar a ajudar na vida”, disse à agência Lusa Eva Crespo, que ambiciona ser juíza, é luso-descendente e foi uma das jovens distinguidas este sábado.

Em casa, Eva falava mais francês com os pais, ambos vindos ainda adolescentes do Norte de Portugal para França, e começou a aprender o português na escola aos oito anos. “Os meus pais sempre me transmitiram a cultura portuguesa e visito Portugal para conhecer e ver a minha família, mas a verdade é que foram os professores que nos fizeram conhecer uma cultura mais larga e ainda a cultura dos países lusófonos”, disse a jovem luso-descendente, acrescentando que receber este prémio foi um “reconhecimento” pelo seu percurso.

A entrega das doze bolsas no valor de 1.600 euros aconteceu este sábado no consulado-geral de Portugal em Paris, na presença de João Alvim, cônsul-geral adjunto, de Diogo Teixeira, diretor-geral delegado da Império, Anna Martins, presidente da associação Cap Magellan, e Adelaide Cristovão, coordenadora do ensino de português junto da Embaixada de Portugal, das famílias dos jovens e 11 dos 12 jovens distinguidos — uma das jovens distinguidas estava em direto de Portugal através das redes sociais, já que após os estudos em França entrou em Medicina na Universidade do Minho.

Embora a maior parte dos jovens que receberam as bolsas tenha pais portugueses, outros descobriram apenas mais tarde as suas raízes. É o caso de Théo Francez, cujo avô nasceu no comboio que trazia os pais de Portugal para França. “Quando era pequeno, descobri que uma parte da minha família era portuguesa e tentei procurar perto de mim uma escola onde pudesse estudar o português”, afirmou este francês de 18 anos que entrou recentemente para Universidade de Rennes onde estuda Ciências e Propriedades da Matéria em declarações à Lusa.

Com a descoberta da língua, veio também a descoberta da família que ainda tem na Covilhã, que visitou há dois anos. A sua ambição é ser astro-físico e a ligação a Portugal pode vir a reforçar-se. “Vejo que é um sector que se desenvolve em Portugal e porque não, mais tarde, gostava de colaborar nesse campo ou até mesmo partir em Erasmus”, afirmou o jovem.

Adelaide Cristovão reconhece que o interesse na língua portuguesa tem vindo a aumentar e é, cada vez mais, um factor de distinção no currículo de quem entra no mundo do trabalho em França. “No mundo globalizado, o conhecimento de línguas é muito importante. No caso de França em que todos fazem inglês, a maior parte faz espanhol e uma percentagem faz alemão, quando aparece um currículo com português é extremamente importante porque não são tantos assim e os pedidos são cada vez não só de empresas francesas, mas multi-nacionais. O português é não só a língua de Portugal, mas do Brasil, de Angola e muitas empresas aqui têm negócios com esses países”, lembrou a coordenadora do ensino de português junto da Embaixada de Portugal à Agência Lusa.

O cerimónia teve ainda um momento mais descontraído com o ator e comediante luso-descendente José Cruz que partilhou a sua história com os jovens e a audiência, mencionando como o português teve uma influência na sua vida e também na sua carreira.

*Lusa / Foto: NUNO VEIGA

Comentar