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BeiraNews | Outubro 18, 2019

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José Inácio Faria questiona CE sobre o 2º adiamento do encerramento de Almaraz

José Inácio Faria questiona CE sobre o 2º adiamento do encerramento de Almaraz
José Lagiosa

O Eurodeputado José Inácio Faria questionou, no passado dia 11 de fevereiro, a Comissão Europeia sobre o segundo adiamento do encerramento da central nuclear de Almaraz e os riscos de segurança do programa nuclear espanhol com impacto em Portugal.

O Eurodeputado reagiu após o anúncio do Governo Espanhol de voltar a adiar o encerramento da Central Nuclear de Almaraz, desta vez diferindo a desativação dos dois reatores para 2027 e 2028, mantendo assim em risco, Espanha e Portugal, por mais 8 anos do que o inicialmente previsto.

A central nuclear de Almaraz (Cáceres, Espanha) em operação desde 1981 (operação comercial desde 1983) está implantada em zona de risco sísmico e apenas a 110Km em linha recta da fronteira portuguesa.

A central tem um sistema de refrigeração aberto para a albufeira de Arrocampo que debita diretamente no Rio Tejo, sem nunca se ter feito uma avaliação de impacto ambiental nem existir um plano de emergência transfronteiriço.

José Inácio Faria

Em 2020 caduca a vida-útil deste tipo de central, mas o Governo Espanhol tem mantido e estendido a operação para lá do desejável:

1.    A autorização, em 2016, da construção do Armazém Temporário Centralizado (ATC) para material radioativo, com intenção de albergar os resíduos das restantes centrais nucleares de Espanha (Ascó, Cofrentes, Vandellós e Trillo), mas camuflando o prolongamento do funcionamento de Almaraz.

2.    A comunicação do Governo Espanhol, em novembro, de prolongar o encerramento de Almaraz para 2024, compensando assim o risco de deficit de uma das três empresas energéticas espanholas (Enresa),
https://cincodias.elpais.com/cincodias/2019/01/29/companias/1548786651_187264.html?fbclid=IwAR3WztITxST32xDTYcoUr9NxwhhGsrBKKP4kOyFtC_BlLoA3rnkVnBOaXJ4

3.    A comunicação de Almaraz funcionar, afinal, até 2028, bem como o adiamento de 5 anos de todo o plano de encerramento das Centrais Nucleares espanholas fora de prazo.
https://cincodias.elpais.com/cincodias/2019/02/08/companias/1549647160_807281.html?fbclid=IwAR1u4VXabg0ZEg-l7x7jhqtWze_W6Kpo4o-ZVwpIZjITlzsg9MKXeGGo5Go

O eurodeputado considera ainda agravante que:

–        O Estado espanhol tem em mãos o início de um procedimento de infração movido pela Comissão Europeia por ainda não ter transposto a Diretiva (UE) 2014/87, que faz alterações importantes ao “quadro comunitário para a segurança nuclear das instalações nucleares”.

–        Depois de ter sido rejeitada por contestação popular a opção de se criar um aterro na meseta ibérica central, se arrisque a que o armazém de resíduos nucleares espanhóis em Almaraz, passe de provisório a definitivo. Opção a todos os títulos indesejável pelo risco sísmico e pela proximidade ao curso de água.

Tendo em conta que a Central está situada junto ao Tejo e faz fronteira com os distritos portugueses de Castelo Branco e Portalegre, sendo Vila Velha de Ródão a primeira povoação portuguesa banhada pelo Tejo depois de o rio entrar em Portugal, o Eurodeputado mantém-se convicto de que é necessário defender os cidadãos em risco exigindo o encerramento no período de vida-útil.

Senão, a manter-se este quadro temporal será essencial um estudo de impacto ambiental e um plano de emergência transfronteiriço, já que tais medidas são inexistentes até aos dias de hoje.

Tendo já alertado para a situação por diversas vezes, nomeadamente em 2016 e 2017, o deputado José Inácio Faria refere que “A ocorrer algum incidente, mesmo que de menor gravidade, arriscamos a contaminação de uma vasta região e de importantes santuários da biodiversidade em Espanha e Portugal, com consequências nefastas nas saúdes das populações por tempo indeterminado”.

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