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Ponto de Vista… por António Justo

Parlamento Britânico pronunciou-se contra o tratado de retirada da União Europeia

Mais uma Farsa encenada no Palco da Confusão nacional e europeia

Talvez por não haver no Parlamento britânico lugares suficientes, para todos os deputados se poderem sentar, é que lhes falte o tempo para poderem reflectir. Talvez por isso, é que na atual farsa os deputados Hardliner do Brexit se ficam no lamento de ninharias que apenas fomentam o seu papel de rebeldes.

A Grã-Bretanha queria deixar a União Europeia a 29 de março e ainda em janeiro o parlamento britânico rejeitou o contrato de demissão negociado com a União Europeia. A 13 de Março a Brexit “No Deal” foi rejeitada; a 14 de março, os eurodeputados decidiram pedir à UE um adiamento “curto e limitado” da data de retirada. Para o Merkur.de, sob o ponto de vista da UE, a Grã-Bretanha teria de realizar eleições europeias para uma prorrogação do Brexit para além de 30 de junho. Também não é certo se todos os membros da EU estarão de acordo sobre o adiamento.

António Justo

Na discussão tem-se a impressão de muitos galos no mesmo galinheiro onde cada qual procura levantar a sua garganta mais alto. Parece que nem querem sair nem querem entrar, mas também não parecem dispostos a encarar a realidade de uma UE que com eles se tornaria numa Europa das nações, mas também na consciência que só juntos se poderão posicionar num mundo global!

A discussão em torno do Brexit documenta o âmago da crise das democracias liberais na Europa e apresenta-se como uma chamada de alerta contra a desmontagem da cultura ocidental através de um multiculturalismo desenfreado implementado através de uma desculturalização da Europa. Como reacção surge um nacionalismo superficial encostado à economia e à tradição.

A EU transformou-se num centro de obrigações que criou um público estupefacto por ingenuidades e políticas criadas por elites, muitas vezes, irresponsáveis. Apesar do optimismo insuflado para desviar os olhos da realidade, a população sente um mal-estar difuso porque não se sente envolvida no negócio em via.

Os britânicos, tal como grande parte dos conservadores europeus, querem ser bons vizinhos, mas não querem que o vizinho se venha sentar à sua mesa sem ser convidado; vivem segundo o princípio: amigos amigos, mas negócios à parte. A política de imigração e a crise das dívidas da zona euro, o medo de mais muçulmanos e de terrorismo são o pesadelo dos britânicos.

O Brexit vem dar razão aos países que criticam o centralismo de Bruxelas e que defendem o patriotismo europeu e nacional.

O dilema da Europa em Bruxelas é criar mais problemas do que os que resolve; isto é, a incapacidade de criar um compromisso entre os que querem uma Europa mais ela, mais cultural e os que querem uma Europa mais comercial, mais na mão dos boys. Pouco a pouco vai-se tendo a impressão que, numa sociedade de intrigas, tudo anda a fazer batota, mas o trágico é que ninguém nota!

*António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=5327

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