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1 de maio — dia das Marias no mês de Maria

Marias?

Amemo-las em maio, que maio está cada vez menos capaz de amar, capaz de as amar.

Olho a Maria: anda e ciranda e não desanda, mesmo cansada.

Olho a Maria: anda e ciranda, sorrindo anda e continua, mesmo cansada.

Entrou no trabalho de madrugada; retorna a casa tarde passada.

Sorrindo parte, sorrindo chega e não sossega — faz disso arte.

Olho a Maria: anda e ciranda e não desanda, mesmo cansada.

Olho a Maria: anda e ciranda, sorrindo anda e continua, mesmo cansada.

Maria, aparentemente, viva; Maria, a parecer, nova; Maria a querer ser flor de cheiro bem orvalhada, mas não tem flores — tem ramos de dores na mão calejada;

Maria para quem estar quieta é não estar parada: e ela não tem medo de quase nada.

Olho a Maria: anda e ciranda e não desanda, mesmo cansada.

Olho a Maria: anda e ciranda, sorrindo anda e continua, mesmo cansada.

Morre lá fora uma pitada, e a saber; volta intranquila à casa amada para desmorrer.

Faz do trabalho segunda casa, leva o consolo debaixo da asa, da sua casa, para a sua casa, debaixo da asa.

Lava a roupa, limpa o chão, passa a cera. «Por aí não!»

Passam pessoas e mais pessoas, passando, pisam os seus lavores e vão para longe, para longe de si onde não passam os seus amores.

Vai ao canteiro, ao vaso, à varanda, arranja flores.

É pintora de almas, de todas as cores, e ela não tem flores — tem ramos de dores na mão calejada.

Olho a Maria: anda e ciranda e não desanda, mesmo cansada.

Olho a Maria: anda e ciranda, sorrindo anda e continua, mesmo cansada.

Mais tarde, mesmo magoada, mesmo cansada, mesmo esquecida, mesmo perdida, a Maria ciranda e não diz nada.

É a juventude que está cansada? Ou é a Maria que olha para dentro e não vê nada?

Que podendo ter tudo, afinal tem quase nada?

Volta e revolta, mexe e remexe, toca e retoca;

volta e revolta, mexe e remexe, toca e retoca.

Olho a Maria: anda e ciranda e não desanda, mesmo cansada.

Olho a Maria: anda e ciranda, sorrindo anda e continua, mesmo cansada.

Regressa a casa para descansar, quem acredita que vai parar?

Mulher amiga, mulher sem medida, em qualquer tempo, ocasião.

Mulher que fica na nossa vida? Estará cá bem dentro do coração?

Marias?

Amemo-las em maio, que maio, apesar de ser o mês de Maria — o mês das Marias —está cada vez menos capaz de amar, capaz de as amar.

*José Dias Pires

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