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BeiraNews | Maio 23, 2019

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Europa que futuro?…por Francisco Guerreiro do PAN

Europa que futuro?…por Francisco Guerreiro do PAN
José Lagiosa

32 mil milhões de euros para financiar a pecuária na UE?

A Crise Climática é actualmente o tema mais urgente e transversal da agenda nacional e internacional. Nas suas declarações políticas na cimeira do clima (COP22) em 2016, o Primeiro Ministro António Costa garantia que Portugal seria neutro em Carbono em 2050. As mesmas promessas foram feitas pelos restantes países, incluindo os da União Europeia, quando assinaram o Acordo de Paris. Porém, nenhuma destas declarações surtiram ou surtirão efeitos práticos.


Francisco Guerreiro

Mas porquê? A resposta é clara: porque continuamos a manter uma economia baseada na produção, distribuição, consumo e desperdício linear. E por mais que seja apelativo falar em Economia Circular, tal não é exequível num paradigma económico, social e cultural onde o crescimento infinito, promovido pelos partidos do sistema, se depara com a cada vez maior escassez de recursos. É uma equação impossível. Mais, da Esquerda à Direita, onde o modelo produtivista e extrativista se mantém o mesmo, podemos analisar que nenhum partido em Portugal – dentro do país ou através dos seus Eurodeputados/as – fala dos destrutivos impactos da pecuária na dizimação da biodiversidade, na poluição desenfreada dos lençóis freáticos e das massas de água, na contaminação dos solos com agrotóxicos e na devastadora pegada hídrica ao produzir proteína animal em vez de vegetal.

Aliás, o impacto financeiro da indústria da pecuária na Europa é avassalador. Em termos financeiros, falamos de 18% a 20% do orçamento comunitário para subsidiar e/ou apoiar este sector. Isto equivale entre 28.5 e 32.6 mil milhões de euros. E no território? Cerca de 71% da terra arável na Europa está direccionada directa ou indirectamente para a pecuária, sendo que apenas entre 10% a 30% do que o gado come é convertido em proteína animal consumida pelos cidadãos.

A pecuária destrói literalmente o ambiente, é estruturalmente ineficiente na gestão de recursos naturais já escassos, mantém-se como um sorvedouro do dinheiro público e nunca fornecerá os alimentos necessários para esta sociedade. Por tal, urge direccionarmos estes recursos naturais e financeiros para a expansão de culturas vegetais e frutícolas em modo biológico, ajudando assim os produtores na sua transição e garantindo que não só a saúde pública como o ambiente e os animais são protegidos.

Os dados são claros: se cortássemos em 50% o consumo de carne, leite e derivados, desceríamos entre 20% e 40% as emissões de gases com efeito de estufa. E tudo com um simples gesto: alterando o que colocamos no prato.

Mas o que vemos é um bloqueio ideológico dos partidos tradicionais da Esquerda à Direita. Ninguém quer falar do elefante no meio da sala. Já com o PAN, como temos demonstrado na Assembleia da República e nas Assembleias Municipais, não há temas tabu.

E é também por isto que queremos sentar o Planeta no Parlamento Europeu e finalmente termos uma voz em Bruxelas que defenda integralmente o ambiente, o bem-estar social e económico das pessoas, e a protecção de todos os animais.

*Francisco Guerreiro, cabeça de lista à Eleições Europeias pelo Pessoas-Animais-Natureza – PAN

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