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Rei Wamba repovoador de imaginários

A Real Associação da Beira Interior, organizou no passado dia 26 de Maio, em Idanha-a-Velha, com apoio da União de Freguesias de Monsanto da Beira e Idanha-a-Velha, a palestra “Idanha-a-Velha o Berço de Wamba, Tempos e Patrimónios” que teve como  orador o historiador e arqueólogo social Pedro Miguel Salvado.

Na mesa esteve o orador, o responsável da aldeia de Idanha-a-Velha – Vítor Pires e o Vice-Presidente da Real Associação da Beira Interior – Luís Duque-Vieira.

Pedro Salvado começou por relevar o afeto e a ligação que tem para com a aldeia de Idanha-a-Velha onde viveu e trabalhou, salientando que face á sua história milenar marcada por períodos de decadência, têm sido as suas gentes que, num grande esforço de resiliência, quem tem sabido manter viva a identidade desta comunidade considerada cidade até ao século XIX.

“Os seus moradores, gente que habita, vive e sonha, relembra, são o seu maior património. É por eles que fazemos história”, disse.

Salientou também o facto, da conferência coincidir com as eleições para o Parlamento Europeu considerando “se não fosse a entrada de Portugal na União Europeia e os fundos monetários da Europa, Idanha-a-Velha certamente já há muito que estria demograficamente extinta. Falar hoje de património e de turismo nesta aldeia dita histórica é falarmos de União Europeia”.

Pedro Salvado é coautor do livro “Rei Wamba. Espaço e memória” que foi prémio da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, editada em 1995 e que o investigador anunciou uma nova edição para o próximo ano conjuntamente com a realização de umas jornadas internacionais dedicadas a “uma das personalidades mais fascinantes da história peninsular que tem sabido revitalizar-se, em séculos, através de suportes materiais e imateriais, eruditos e populares, históricos e lendários, e que se encontra ligada à história Idanha-a-Velha”.

Com efeito, há uma tradição começada a ser gizada a partir do século XV que afirma ter sido Idanha-velha o local de nascimento deste rei visigodo que de figura histórica passou a personagem lendária.

Idanha-a-Velha é dos principais locais de Portugal onde continua viva a memória deste rei “infelizmente algo desvanecida» mas com referentes muitos concretos como o freixo associado á lenda ou a casa onde dizima que tinha vivido, «são patrimónios frágeis que devem ser salvaguardados e difundidos». Pedro Salvado propõe a criação da rota ou itinerário cultural ibérico  do rei Wamba por terras de Portugal e Espanha « que pode vir a ser um projeto de enorme importância para a memória coletiva da Península ibérica e uma oferta diferenciadora no turismo cultural transfronteiriço”.

A Real Associação da Beira Interior via levar a cabo uma nova série de palestras sobre Wamba que percorrerá diversas localidades de Espanha que se encontram associadas á memória deste rei, como Pampliega, Bamba  ou Salamanca.

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