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BeiraNews | Maio 23, 2019

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Portugal que futuro?… por Vasco Santos do MAS

Portugal que futuro?… por Vasco Santos do MAS
José Lagiosa

Vislumbrar um futuro sustentável face às poderosas elites europeias

Vislumbrar um futuro sustentável, a nível ambiental, económico e social para a Europa só é possível através da total demarcação face às poderosas e corruptas elites europeias que nos têm governado.

Os acordos e tratados europeus não combatem a desigualdade, a corrupção, a especulação financeira, as dívidas públicas ilegítimas ou a “engenharia” fiscal ao serviço das fortunas de banqueiros e grandes empresários. A banca é salva à custa da destruição dos salários, dos direitos laborais e democráticos, dos serviços públicos e das PMEs.

Vasco Santos

É preciso travar os privilégios das elites estabelecendo um teto máximo para os rendimentos das administrações dos bancos e grandes empresas, taxando as grandes fortunas em 70% para baixar os impostos sobre o trabalho, o consumo e as PMEs e não canalizar nem mais 1€ público para a banca privada! É também urgente a renacionalização de todos os setores estratégicos, começando pela banca, para controlar preços e o investimento nacional.

Paralelamente, o futuro da Europa e de quem cá vive e trabalha só é garantido com uma defesa intransigente dos direitos laborais, recuperando a contratação coletiva, fixando o salário mínimo europeu nos 900€ e exigindo o fim das ETT! Para que a haja uma verdadeira conciliação entre trabalho e lazer, para que haja qualidade de vida é também necessário fixar o horário máximo europeu de 35h semanais para atingir o pleno emprego.

Uma Europa que se quer livre e democrática só é possível se acabarmos com a violência sobre as mulheres, os negros e negras, os ciganos, os imigrantes e as LGBTs. Uma sociedade com trabalho de qualidade, salários dignos e garantia de acesso aos serviços públicos para todos e todas. Não é aceitável que a Europa que se construiu sob o discurso de integração, de recuperação em cenário pós-guerra insista em reter milhares de seres humanos em campos de detenção onde lhes são negados os direitos mais básicos do ser humano. Devemos bater-nos por uma verdadeira política de integração concedendo direito irrestrito de asilo – ninguém é ilegal.

O futuro da Europa é também o futuro das mulheres que nela vivem e trabalham, porque são elas a maioria de pobres, são elas a maioria de desempregados, são elas as mais precárias e são elas as mais vulneráveis ao tráfico e à violência física e psicológica. É preciso transformar a política do défice 0% numa política de violência zero, exigindo penas e efetivas para agressores machistas (revendo as molduras penais).

Não é possível planear o futuro da Europa sem olhar para o futuro do nosso planeta. Os mais recentes estudos da ONU indicam que estamos perante o risco iminente de destruição de 1 milhão de espécies fruto da ação humana. Mas há solução – é necessária uma “mudança transformadora”, uma reconversão total de energias fósseis para energias limpas. O capitalismo já demonstrou ser incapaz de a executar, pois a economia mundial é controlada pelas grandes indústrias automóvel, energética, petrolífera e bancos, cujas fortunas estão dependentes do contínuo consumo de combustíveis fósseis. Precisamos de um sistema económico cuja principal preocupação seja a sustentabilidade ambiental e para isso é preciso nacionalizar as indústrias energéticas, petrolíferas e automóvel para investir numa total transição energética até 2035. Esta reconversão deverá acompanhar-se de um plano europeu de criação de milhões de empregos em sectores ambientalmente sustentáveis – isso é possível e os custos são bem inferiores aos do pagamento de buracos financeiros da banca privada. É necessário também assegurar a mobilidade das pessoas, investindo em transportes coletivos públicos, acessíveis e de qualidade. Sem planeta, não há futuro para a Europa nem para nenhum país do mundo…. Há um carácter de emergência e os governos (nacionais e a governação europeia também) não podem continuar atrelados aos grandes grupos económicos pondo as nossas vidas em risco.

Na Europa também se assiste ao crescimento da extrema-direita. É preciso dizer que a solução para a crise, a desigualdade, a violência e a crise ambiental não virá da direita, nem da extrema-direita. Trump, Bolsonaro, Le Pen, Salvini ou Órban são inimigos do povo e têm o objetivo de aumentar a desigualdade, a violência e a opressão sobre quem trabalha. A extrema-direita combate-se com unidade das forças políticas, sociais e sindicais que representam os interesses de quem vive do seu trabalho

O futuro da Europa é tornar-se numa Europa sem muros nem austeridade! A Europa terá futuro quando for a Europa dos trabalhadores, sem as amarras dos interesses do grande capital.Faz falta uma esquerda anti-capitalista no Parlamento Europeu. O MAS pretende ser essa alternativa à esquerda.

*Vasco Santos, cabeça de lista às Eleições Europeias pelo MAS-Movimento Alternativa Socialista

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