Image Image Image Image Image Image Image Image Image Image
       

BeiraNews | Julho 21, 2019

Ir para o Topo

Topo

Sem Comentários

Sarnadas de Ródão recebeu Palestra sobre as “Invasões Francesas”

Sarnadas de Ródão recebeu Palestra sobre as “Invasões Francesas”
José Lagiosa

A Real Associação da Beira Interior, organizou no dia 12 de Maio, uma palestra com apoio da Junta de Freguesia de Sarnadas de Ródão, o evento realizou-se no edifício da Junta de Freguesia de Sarnadas de Ródão.

O orador convidado foi o professor, investigador, historiador e militar António Mateus Alves, cujo tema abordado foram “Invasões Francesas”.

            Na Mesa esteve o orador, o presidente da Junta de Freguesia de Sarnadas, Vergílio Pires e o presidente da Juventude Monárquica da Real Associação da Beira Interior, Rui Mateus.

            Muito se tem falado nas Invasões Francesas em Portugal, entre 1807-1812.

Desde factos reais que estão documentados, a lendas e mitos que decorrem destes acontecimentos e que fazem parte do imaginário popular.

            A partir de meados do Século XVIII, dá-se na Inglaterra uma industrialização acelerada, enquanto na Europa continental, em que reinavam Monarquias de cariz absolutista, a economia continuava assente na exploração agrária de uma propriedade muito concentrada e tecnicamente rudimentar.

            Em 14 de Julho de 1789, após maus anos agrícolas e uma forte inflação, estala em França uma revolução sangrenta que levou á implantação de uma república radical, anticatólica e antimonárquica.

Não só os Reis de França foram executados na guilhotina, como muitos revolucionários que promoveram este duplo regicídio, tiveram igual destino.

            É assim que um simples tenente oriundo da Córsega, consegui impor-se e, em poucos anos, transformou esta república num novo regime de cariz imperial.

            As velhas Monarquias continentais conjuraram-se para abater esta ameaça emergente e é, neste contexto que Portugal e Espanha, entre outros, vão atacar França, nomeadamente através da campanha do Rossilhão (1793-1795).

Desta campanha nada resultou de bom para Portugal, dado que, apesar dos êxitos iniciais, a Espanha assinou com a França, um tratado de paz bilateral, donde fomos excluídos.

O nosso país, isolado, apenas ganhou rancor dos franceses, o que irá ter consequências futuras.

            Nos primeiros anos do Século XIX, dá-se a aproximação entre Espanha e a França e agudiza-se o conflituo com a Inglaterra.

Este país, efectiva um bloqueio marítimo à França e a França decreta um bloqueio continental à Inglaterra.

            Portugal, velho aliado dos ingleses e que depende da sua marinha para a segurança da ligação marítima ao seu ultramar, não pode aceitar os termos que a França pretende impor-nos, e isto leva este país e a Espanha a declararem-nos guerra.

Franceses e espanhóis, pelo Tratado de Fontainebleau contratam a invasão conjunta de Portugal e a partilha do nosso país em três Reinos diferentes, a atribuir à Espanha um deles, ao Rei da Etruria um outro e finalmente ao próprio Napoleão Bonaparte a terceira fatia do nosso país, e que o imperador dos franceses, administraria como entende-se.

            É assim que, a partir de Novembro de 1807, se dá a primeira invasão comandada por Junot, e atravessa a Beira-Baixa nomeadamente por Segura, Idanha-a-Nova, Castelo Branco, Vila Velha de Ródão, Abrantes, Santarém e Lisboa.

Contudo não chega a tempo de impedir a fuga da família Real Portuguesa para o Brasil.

            Dom João, Príncipe-Regente Português dado a loucura de sua mãe (Rainha Dona Maria I) deixa ordens para que não se hostilize os invasores e estes, por via de um Inverno rigoroso, seguem famintos e rotos sua rota saqueando e humilhando uma pobre população indefessa e confusa, já que as suas autoridades naturais, as primeiras a condenarem qualquer resistência ao invasor.

O próprio país estava dividido na simpatia pelos franceses e ingleses, dado que os ideais da revolução francesa já há muito aqui vinham criando adeptos.

Poucos meses depois, contudo, o carácter agressivo e prepotente da invasão levou a maioria da nossa população a detestar os franceses e a organizarem-se guerrilhas contra eles.

Com o auxilio efectivo dos ingleses as nossas forças militares foram-se reconstituindo e sobe o comando de Wellesley e depois Besfort, a par das tropas inglesas aqui desembarcadas, começa uma guerra organizada contra os ingleses.

            As batalhas da Roliça e Vimeiro são os momentos determinados de sua reacção e levam à derrota de Junot, que é obrigado a abandonar o país.

Pela convenção de Sintra os franceses, contudo, saem airosamente levando consigo armas e bagagens e um imenso espólio, parte da rapina efectuada entre nós.

            A segunda invasão em 1809 a partir de Março, pouco afectou a Beira-Baixa e os franceses não conseguiram praticamente progredir para sul do Rio Douro.

Braga, Chaves e Porto, são as cidades mais sacrificadas e ai no Porto que se dará o mais trágico incidente desta invasão: o desastre da Ponte das Barcas.

Também agora Soult é derrotado e obrigado a retirar-se do norte do país.

            Finalmente a terceira invasão comandada por Massena, militar até aqui invencível a que Napoleão chamava “filho querido da vitória”, o eixo de ataque escolhido é o Vale do Mondego.

O exército pouco franco-espanhol que nos invade tem um efectivo aproximado de 110.000 homens. O seu objectivo final é Lisboa.

            O primeiro contacto entre dois exércitos, tendo Almeida já sido tomada pelos franceses, vai dar-se em 26 de Setembro de 1810 no Buçaco, onde a derrota dos franceses os não impede de avançar sobe Coimbra, Santarém e dirigirem-se para o seu objectivo final.

Contudo Wellesley fizera construir à volta de Lisboa, em grande segredo, um dispositivo de três linhas de fortificações bem implantadas no terreno, as quais Massena cedo compreendeu que não teria forças para vencer.

São as célebres Linhas de Torres Vedras.

Após meses em que esperou reforços sem os conseguir, Massena teve que retirar de Portugal os seus exércitos e de outros generais franceses na Península Ibérica, que irão ser perseguidos pelos exércitos anglo-lusos e pelos espanhóis, que contra eles se haviam revoltado.

Esta perseguição até ao interior de França numa série de intermináveis derrotas, serão factor importante para a queda do imperador Napoleão Bonaparte. 

Comentar