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BeiraNews | Agosto 22, 2019

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Teatro das Beiras recebe ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve com a peça “Improvável”, a 25 de maio

Teatro das Beiras recebe ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve com a peça “Improvável”, a 25 de maio
José Lagiosa

O Teatro das Beiras recebe, no sábado, 25 de maio, às 21h30, A Companhia de Teatro do Algarve (ACTA), com a peça “Improvável”, de José Martins, com encenação de Luís Vicente e interpretação de Luís Vicente e Pedro Monteiro.

Trata do encontro improvável (?) de dois homens que se cruzaram em dado momento das suas vidas, num dado lugar, na mesma circunstância, mas em papéis opostos.

Eram então ambos jovens, conheceram-se na António Maria Cardoso, um era PIDE, outro activista político, um era o torturador, outro foi o torturado.

A narrativa desenvolve-se em três momentos: os dois primeiros são formalmente idênticos – dois monólogos interiores; quanto ao terceiro momento, que trata do reencontro de ambos, este apresenta-se sob a forma dramática.

Monólogo do penitente: Ainda hoje, quando saio de casa, tenho de olhar para um lado e para o outro. Várias vezes para um lado e para o outro, quando decido sair de casa. E ainda hoje não consigo olhar de frente as pessoas com quem me cruzo. E tenho um verdadeiro pavor de atravessar sítios como o Rossio ou a Praça da Figueira. Já ouvi dizer que isto é uma espécie de medo, ou fobia. Agorafobia. Mas eu sei que não é porque sei muito bem o que é (…).

Monólogo do arrependido (…) E sempre foi assim comigo, nunca suportei a humidade nas mãos, sempre quis ter as mãos secas bem secas. Quando era verão e conduzia e sentia as mãos pegajosas a colarem-se ao volante, abria a janela e secava-as ao vento. Acho que há numa das peças de Tchekov uma personagem a quem acontece o mesmo, não suporta as mãos húmidas de suor. Mas não tenho a certeza, já não tenho a certeza de nada, a não ser desta humidade ainda por cima quente, ainda por cima minha, que me invade as mãos. Persistentemente, como se alguma coisa dentro de mim sentisse um prazer irreprimível na libertação desse suor (…).

Por estes dois trechos se percebe a conflitualidade interior que cada um evidencia relativamente ao seu passado.

É por via dessa conflitualidade, feita de um silêncio repleto de ruídos, que a estratégia narrativa promove o encontro de ambas as personagens numa circunstância “caricata”, com ressonâncias catárticas fazendo lembrar a Tragédia Grega.

*Reservas para o 275 336 163

Ficha artística:

Autor: José Martins

Encenação e Dramaturgia: Luís Vicente

Assistência de encenação: Sara Mendes Vicente

Intérpretes: Luís Vicente e Pedro Monteiro

Espaço Cénico e Figurinos: Luís Vicente, Octávio Oliveira e Sara Mendes Vicente

Adereços: Tó Quintas

Desenho e operação de Luz: Octávio Oliveira

Desenho e operação de Som: Diogo Aleixo

Multimédia: João Franck

Grafismo e fotografia: Rita Merlin

Comunicação: Sofia Rodrigues

Produção Executiva: Elisabete Martins

Duração: 65 minutos

Classificação etária: maiores 14 anos

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