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BeiraNews | Setembro 20, 2019

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Império de Roma foi tema de Palestra em Boidobra

Império de Roma foi tema de Palestra em Boidobra
José Lagiosa

A Real Associação da Beira Interior, no passado dia 9 de Junho, organizou uma palesta na Junta de Freguesia de Boidobra, subordinada ao tema, “Império de Roma”, com o orador convidado a ser o Coronel António Mateus Alves, e contou com o apoio da Autarquia local.

Na Mesa esteve o orador, o Tesoureiro da Junta de Freguesia de Boidobra, Tiago Duarte e a Presidente da Real Associação da Beira Interior, Elisa Vasconcelos e Sousa.

Falar da formação de Roma, da sua evolução política, social e administrativa, é tarefa ciclópica, acerca da qual existe uma extensíssima bibliografia, para além de um acervo imenso de documentos da mais diversa índole, lendas, mitos e que à volta do tema se foram formando, durante muitos Séculos.

Segundo a tradição lendária, terá sido o troiano Eneias, na sequência da destruição pelos gregos da sua cidade, Tróia, quem, com um grupo de seus compatriotas em fuga, terá aportado à Península do Lácio e ai se terão fixado e dominado os povos autóctones, dando início a uma colonização e regime que levaram à fundação de Roma.

O seu primeiro Rei terá sido Rómulo e a ele se atribui a fundação da Cidade, situada próximo da foz do Tibre e dispersa pelas colinas circundantes.

Esta Monarquia foi-se estruturando e fortalecendo, dominando os povos vizinhos, e disfrutou de uma relativa prosperidade.

O seu último Rei foi o Etrusco Tarquínio (o Soberbo), derrubado em 509 A.C.

Desde o início foi patente a influência civilizadora da vizinha Grécia e as contingências da heterogeneidade dos povos que a formaram, desde cedo impuseram uma notória tradição de partilha de poderes que não se verificou nas Cidades-Estado da Grécia, bem menos liberais neste domínio.

Com o fim da Monarquia Etrusca, é implantada uma república que durará cerca de 4 Séculos.

Desde logo, em Roma, coexistiram escravos, estrangeiros, artesãos e homens de humilde proveniência, que puderam ascender à plena cidadania.

Este nivelamento social verifica-se já no Séc. IV A. C., e um número estimado de 900.000 indivíduos livres, tinha atingido a plena cidadania, isto é: todos os habitantes do Lácio.

O processo reivindicativo das classes mais desfavorecidas, permitiu que estas conseguissem, em poucos séculos, terem os seus direitos exarados numa lei escrita, Lei das 12 Tábuas, nomearem os seus tribunos, exercerem o consulado, verem abolida a pena de escravidão por dívidas, acederem ao sacerdócio e finalmente, o direito à propriedade e ao casamento com a classe dos patrícios ainda dominante.

O início desta democratização social, deveu-se ao apoio que os últimos Reis Etruscos buscaram e conseguiram junto da plebe, na sua luta contra os patrícios sempre ciumentos da autoridade Real.

Este processo prosseguirá sem interrupção e irá ter como consequência o enfraquecimento da própria República que, nos finais do Séc. I A. C. se vê enfraquecida pelas intermináveis querelas políticas e guerras civis.

Roma, contudo, tinha conseguido alargar as suas conquistas no Mediterrânio e no mar Egeu, derrotando a sua grande rival, Cartago em 143 A.C.. bem como a Macedónia em 146 A.C. e a Grécia em 148 A.C.

Também na Península Ibérica, (139 A.C.) na Gália do Sul, na Ásia Menor, (129 A.C.) e na Síria, (63 A.C.) os romanos tinham dominado militarmente, pelo que, o mar Mediterrânio era agora o que designavam por “Mare Nostrum”.

O crescimento desmedido deste vasto Império, cada vez mais precisava de um governo forte e determinado.

É Júlio César o primeiro a tentar afirmar tal imperativo, mas, percebida a sua intenção, ele é apunhalado em pleno Senado de Roma e, da luta pelo poder que se seguiu, emergirá como vencedor, em 27 A.C., seu sobrinho-neto, Octávio.

Este, consciente do que sucedeu ao seu tio-avô, nunca declarará extinta a república, mas conseguirá o poder absoluto e é, de facto, o primeiro Imperador de Roma.

Durante os dois primeiros Séculos da era Cristã, o Império pôde desfrutar, de um extenso período de paz (Pax Romana) que mais estimulou a economia e a riqueza aparente do Império.

Roma encheu-se ainda de mais escravos, bens de toda a natureza, nomeadamente de metais preciosos, perfumes e tecidos raros do oriente, de grande luxo.

As cidades do Império replicam a imagem da sua capital e as obras monumentais – circos, aquedutos, termas, palácios e estradas, surgem por todo o lado.

Todos os deuses dos povos conquistados, se adoram em Roma e no vasto Império.

Apenas os judeus e os cristãos são perseguidos pelo seu monoteísmo, recusando o culto ao Imperador, agora divinizado.

Esta prosperidade era apenas aparente e, para manter a paz social, os governantes romanos, distribuíam gratuitamente trigo ao enorme número de proletários que a ociosidade, o abandono da terra e a dissolução dos costumes, remetera para as grandes cidades.

No Coliseu de Roma e nos circos por todo o Império, milhares de cristãos e vencidos da guerra, eram lançados às feras por mero entretenimento.

Nas fronteiras do vasto Império, povos bárbaros esperavam qualquer oportunidade para forçarem as fronteiras, cada dia mais desprotegidos e vulneráveis, pois a sua defesa era agora entregue a toda a espécie de mercenários e tropas auxiliares oriundas dos povos estranhos que preparavam o assalto final.

As perseguições aos convertidos a Cristo não os extinguiram, pois “o sangue dos mártires é a semente de novos cristãos”.

É assim que Constantino concede à nova religião a liberdade de culto em 313, pelo Edicto de Milão.

Em 391, Teodósio torna o cristianismo a religião do oficial do Estado.

Eram, contudo, inevitáveis as consequências da decadência.

Os povos bárbaros que se acumulavam nas fronteiras do Império, venceram as últimas resistências e submergiram todo o Ocidente Romano.

Hunos, Visigodos, Anglo-Saxões, Burgúndios, Francos, Alamanos,…, caíram destruidores, sobre o Império moribundo.

Em 476, o chefe bárbaro Odoacro, depôs o último Imperador do Ocidente, Rómulo Augustulus.

Começava a Idade Média.

Só o Império Romano do Oriente, que se separará do Ocidente, perdurará até 1453, data que a História consagra como o fim da Idade Média. 

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