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BeiraNews | Outubro 18, 2019

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Sábado o bombo é o centro das atenções em Alcongosta

Sábado o bombo é o centro das atenções em Alcongosta
José Lagiosa
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O troar do bombo faz parte da memória colectiva das gentes de Alcongosta.

Em tempos idos, este, aquele e o outro que tinha um bombo, uma caixa ou um pífaro, juntavam-se em ocasiões festivas na freguesia, de forma informal.

Há cerca de 40 anos passou a existir, de forma organizada, o Grupo de Bombos de Alcongosta, que continua a fazer soar este símbolo da cultura popular dentro e fora de portas.

No próximo sábado, 20, o Grupo de Bombos de Alcongosta organiza o III Encontro de Bombos de Alcongosta, que conta com a presença de seis representações de diferentes proveniências e estilos, com o intuito de dinamizar o agrupamento local, a freguesia, de promover o convívio entre tocadores e de incentivar a troca de saberes e experiências.

Os grupos convidados são recebidos na Terra da Cereja às 17h e, às 18h, realiza-se o desfile pelas ruas de Alcongosta.

Às 21h têm início as actuações em palco, no recinto de festas de Santa Bárbara e, após todas as apresentações, começa o arraial com o conjunto João Clara e Irmãs.

No evento, além do Grupo de Bombos de Alcongosta, entidade promotora, participam também o Grupo de Bombos do Paço, de Canas de Senhorim, o Grupo de Bombos de São Nicolau, de Arganil, a Associação Recreativa e Cultural Grupo de Bombos de Almaceda, de Castelo Branco, o Grupo de Bombos dos Três Povos e o Grupo de Bombos de São Sebastião, do Barco, Covilhã.

“Salvaguardar e transmitir às novas gerações”

João Nuno Rodrigues, pifareiro há 17 anos, enaltece a vontade de “valorizar este elemento da cultura local, património que faz parte da identidade de uma comunidade, que queremos contribuir para salvaguardar e transmitir às novas gerações, como temos vindo a fazer”.

“O bombo tem uma vertente não apenas cultural, como também social, na medida em que ele estava, e está, associado à celebração, a momentos de festa, que se pretende que sejam de alegria”, acentua João Nuno Rodrigues, de 36 anos.

“É uma manifestação artística popular relevante. Os grupos de bombos são passado, mas nós somos a prova de que são também presente e tudo faremos para que sejam sinónimo de futuro”, acrescenta o pifareiro, que chama a atenção para a juventude do grupo e para as crianças que gravitam em torno dos seus membros, aproveitando também para experimentar tocar. 

Muitos dos actuais elementos herdaram de familiares essa tradição, com a missão de não permitir que se perca.

O pai tocou bombo durante anos.

Pedro Nunes, 26 anos, toca caixa, tem visto juntarem-se novos rostos e espera que mais gente o faça, em nome desse “simbolismo que se quer homenagear e preservar”.

“Com esta terceira edição do encontro queremos dinamizar o grupo e a freguesia, mas também que os mais velhos relembrem os velhos tempos e os mais jovens se identifiquem com esta tradição e se juntem a nós”, salienta Pedro Nunes, que convida todos a participarem na festa, onde serão também servidos jantares.

Fábio Henriques, 28 anos, toca igualmente caixa, pelo ritmo mais frenético “e menos pausado do que o bombo”.

No sábado, tal como acontece neste tipo de convívios, pretende estar atento a outras variações e “aprender com os outros”.

Oportunidade para mostrar diversidade de toques

E se num passado que começa a ser cada vez mais distante o grupo era exclusivamente composto por homens, há muitos anos que o Grupo de Bombos de Alcongosta se tornou misto.

Telma Rolão, membro há cerca de uma década, vê na “variedade de repertório” uma mais-valia do III EBA.

“É uma oportunidade de mostrar, em Alcongosta, a diversidade que existe a nível de toques.

Nós tocamos música de tradição beirã, mas fomos introduzindo novas músicas”, realça.

Patrícia Fernandes, 26 anos, destaca a dimensão multigeracional dos grupos de bombos, onde gente de diferentes idades interage e troca experiências e conhecimentos.

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