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BeiraNews | Março 29, 2020

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Teatro das Beiras estreia a peça “A Bela Verdade” a 10 de outubro

Teatro das Beiras estreia a peça “A Bela Verdade” a 10 de outubro
José Lagiosa

A peça “A Bela Verdade”, de Carlo Goldoni, 104ª produção do Teatro das Beiras, tem estreia marcada para a próxima quinta-feira, 10 de outubro, estando em cena até dia 19 de outubro [exceto domingo e segunda-feira].

No âmbito desta produção, decorrerá ainda uma conversa com Fernando Paulouro Neves e Gil Salgueiro Nave, “GOLDONI, mundo e teatro”, sábado, 12 de outubro, às 18h, no Café do Teatro das Beiras.

Refira-se que Carlo Goldoni (1707-1793), referência fundamental do teatro europeu do século XVIII, influenciou profundamente o gosto e a prática teatral do seu tempo operando a “reforma” do teatro italiano, reforma que desencadeou os fundamentos de uma nova dramaturgia europeia. Portugal esteve na rota deste autor.

Largas dezenas de comédias, farsas e “dramas per musica” da autoria de Goldoni, foram traduzidas e adaptadas ao “gosto português” e insistentemente programadas nos “Theatros Públicos da Corte” do Portugal de setecentos.

O número de obras do autor depositadas na Biblioteca Nacional de Lisboa, confirma a importância do teatro goldoniano no nosso país.

A prática de um reportório atento à história do teatro, à sua escrita e realização cénica, tem proporcionado uma recorrente relação do Teatro das Beiras com a obra de Carlo Goldoni: a companhia produziu no ano 2000, “Uma das últimas tardes de carnaval”, em 2007 ,“Molière” (comédia biográfica que Goldoni escreve homenageando aquele de quem era grande admirador) e em 2012, “Farsas per Música” (La Cantarina e Matrimónio discorde).

Goldoni escreve, em 1762, ”A bela verdade”, uma das obras mais originais e a mais autobiográfica, onde o autor representa o personagem Lorano Glodoci, precisamente no papel de escritor de peças.

No argumento, uma companhia ensaia o drama jocoso “As bodas”. Atores e empresário solicitam a Glodoci, o autor, para que escreva um novo argumento capaz de interessar e motivar o público.

O autor aceita por fim e não sem dificuldade, compor uma nova obra; “uma obra em gestação”.

A partir de então, atores e empresário todos lhe apresentam exigências.

O enfadado autor tem de enfrentar todo o tipo de dificuldades; o mau humor do empresário, os caprichos dos atores, disputas de papéis, contratempos…

Apesar de tudo consegue impor os seus critérios e escreve uma “obra-verdade”, exatamente a que se está representando.

O drama é, desta forma, um quadro de costumes sobre o mundo do teatro, dos artistas, do palco e simultaneamente, uma reflexão sobre o entendimento e a forma que Goldoni encontra para expor o seu conceito da “verdade” teatral.

Esta obra destaca o conceito que Goldoni se propõe encetar, sobressaindo o sentido autobiográfico e carácter metateatral.

Goldoni apresenta os ingredientes para um teatro que substitua os arquétipos já desgastados dos personagens/máscara da comedia del’arte, para dar lugar a personagens de carácter realista e rosto humano, anunciadores de mudanças sociais que inevitavelmente se aproximavam com as alterações políticas do tempo.

Ficha artística:

Texto: Carlo Goldoni

Tradução e encenação: Gil Salgueiro Nave

Cenografia e Figurinos: Luís Mouro

Música original: Helder Filipe Gonçalves

Desenho de luz: Fernando Sena

Interpretação: Fernando Landeira, Hâmbar de Sousa, Inês Barros, Roberto Jácome, Sílvia Morais, Susana Gouveia e Tiago Moreira

Duração: 80 minutos

Classificação etária: maiores 12 anos

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