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BeiraNews | Novembro 12, 2019

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Gonçalo Salvado dirige Coleção de Poesia que une Poesia e Vinho

Gonçalo Salvado dirige Coleção de Poesia que une Poesia e Vinho
José Lagiosa

O poeta Gonçalo Salvado vai dirigir uma coleção de poesia intitulada Lumen Pintura Poesia e Vinho, editada pela A 23 Edições em parceria com a Quinta dos Termos.

Trata-se de uma colecção de poesia, única no panorama editorial português, cujas obras surjem em original formato livro/garrafa numa união que pretende efectivar materialmente a relação simbólica e milenar entre o vinho e a poesia.

A referência ao vinho na poesia e na literatura ocupa um lugar previlegiado ao longo de toda a história da humanidade.

Gonçalo Salvado

Nenhuma outra bebida foi tão citada literariamente e se prestou tanto a comparações.

Desde os primeiros textos conhecidos, que a literatura refere o vinho, inclusive a própria Bíblia, no seu célebre poema Cântico dos Cânticos.

Este poema identifica-se como exemplo maior, visto que utiliza a figura do vinho oito vezes como metáfora.

Lembre-se, também,o lugar de proeminência que o tema do vinho ocupa na poesia persa, com Rubaiyat, de Omar Khayyam, Pérsia, 1048 – 1131, ou na  árabe, onde o vinho expressa, em simultâneo, o enamoramento e o gozo profano,  o êxtase e embriaguez mística.

 Já na modernidade, lembre-se o valor que atribuem ao vinho poetas marcantes como Baudelaire (França, 1821-1867) ou Neruda (Chile, 1904 –  1973) que lhe teceu uma Ode inesquecível.

As obras surjem em original formato livro/garrafa numa união que pretende efectivar materialmente a relação simbólica e milenar entre o vinho e a poesia

O vinho tem sido utilizado como metáfora amorosa por excelência ou como símbolo de iniciação e conhecimento  em culturas como a grega, hebraica, cristã, chinesa ou hindu.

Como elucidou um autor brasileiro recentemente: “Como fonte imorredoura de alegria, alucinação, relaxamento e prazer, o vinho é nascente segura de poesia e arte e talvez seja a própria disposição para poetas e artistas. (…) O vinho, para muitos autores, representa vida e morte, cuja compreensão se faz tão misteriosa quanto o processo produção da bebida”.

A colecção Lumen foi inaugurada com o livro de poesia Cântico dos Cânticos de Gonçalo Salvado,  longo poema inspirado no célebre livro bíblico do amor, em versão bilingue (Português/Italiano), ilustrado com desenhos do escultor Francisco Simões e prefaciado pelo ensaísta e crítico de poesia Fernando Guimarães, contando ainda com texto de abertura de Maria João Fernandes. 

A obra tem design gráfico de Mariana Almeida.

A tradução para o Italiano é da poetisa e tradutora italiana Stefania Di Leo (poema) e de Anna Antonini (restantes textos).

A sua primeira apresentação ocorreu, no passado mês, em Salamanca, Espanha, na Faculdade de Filologia da Universidade de Salamanca, no contexto do XXII Encuentro de Poetas Iberoamericanos organizado pela Fundación Salamanca Ciudad de Cultura y Saberes sob a direção do poeta peruano espanhol Alfredo Pérez de Alencart, Professor da Universidade de Salamanca.

O evento intitulado “Llama de Amor Viva”, foi consagrado à figura ímpar de S. João da Cruz (Espanha, 1542 – 1591) e à memória de Eunice Odio (Costa Rica, 1919 – México, 1974), dois poetas tributários e profundamente marcados, pela influência e leitura apaixonada do Cântico dos Cânticos.

O livro de Gonçalo Salvado foi seguidamente apresentado, a 27 de Outubro, no quadro do Festival Literário da Gardunha, no Fundão, organizado por Margarida Gil dos Reis, em colaboração com Ricardo Paulouro, e com a Câmara Municipal do Fundão.

Maria João Fernandes escreve, no texto de abertura a Cântico dos Cânticos, de Gonçalo Salvado:  “Neste seu atual livro/garrafa  para além destas grandes referências que já pertencem ao património da humanidade refletem-se ainda as poesias de amor do Egito, da Mesopotâmia e árabe, caras ao autor, e que associam o amor e o vinho e a grande poesia do Ocidente, mas sem ofuscar, antes realçando, a fonte original do seu próprio estilo, alimentado pelo caudal luminoso das suas metáforas, no fundador diálogo com o Cosmos que é o de toda a verdadeira poesia.”

Recorde-se ainda que o vinho num contexto amoroso é por sua vez o tema da primeira antologia de poemas de Gonçalo Salvado, ilustrada com desenhos do escultor José Rodrigues, publicada por esta mesma editora e com o mesmo formato (2017) em homenagem ao Rubayat do poeta persa do séc. XI Omar Kayyam – obra cume da poesia universal que, a par do Cântico dos Cânticos, mais referencia e enaltece o vinho.

Esta antologia de Gonçalo Salvado constituiu-se na altura o primeiro livro/garrafa editado em Portugal.

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