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Décimo terceiro mês

Dezembro é um mês cansativo, porque há um décimo terceiro dentro do décimo segundo que a economia inventou para nos compensar de um ano duro de trabalho.

Quem de vós se pergunta, como eu, porque existe um décimo terceiro mês?
Não será o décimo terceiro mês uma retenção na fonte onde se inspirou também o ministro Mário Centeno?

“Que nada te sobre para o próximo mês que será de novo o primeiro” é capaz de ser já um provérbio português.

Com a economia a manifestar-se amiga dos Hipermercados; da família e dos amigos.

E cá estamos todas a lidar com um Mês-Duplicado (segundo a parábola inventada pelo Saramago).

Leitores no Mercado de Alcains

Com o décimo terceiro mês somos mais amigas, mais solidárias, muito mais sensíveis a qualquer peditório e somos todas e todos convidados para muitos jantares.

Creio até que já está escrito em algum contrato que todo o dinheiro do décimo terceiro mês é para gastar até ao fim do décimo segundo de forma a reverter, através do iva, para o próximo Orçamento do Estado.

Não pensem que eu não gosto do Natal e do Ano Novo.

Gosto, e gosto especialmente da narrativa do nascimento do Menino Jesus que se mistura aqui na Beira, com o Madeiro e a Missa do Galo.

E no início de um Novo Ano recordo sempre os Três Reis do Oriente
que seguindo uma estrela se puseram a caminho.

E mais do que as prendas aos meninos e às meninas do Ocidente,
que de alguma forma ainda continuamos a ser: Gaspar, Melchior e
Baltazar souberam olhar o céu, cada um à sua maneira, como nos
descreve Sophia de Mello Breyner no seu conto (e cito):
“Primeiro pareceu que a estrela era uma Palavra. Uma palavra de
repente dita na muda atenção do céu. Mas depois os seus olhos
habituaram-se ao novo brilho e viram que era uma estrela, uma
nova estrela, semelhante às outras, mas um pouco mais próxima e
mais clara e que, muito devagar, deslizava para o Ocidente”. …

Prémio Mariana

E foi para seguir essa estrela que os Três Reis abandonaram o seu
palácio.

Oxalá que, em 2020, os reis e as rainhas do oriente e do ocidente
saibam reconhecer a estrela que nos alerta para os perigos deste
nosso mundo comum e a compreendam com humildade e com a
verdadeira Alegria de que são feitas todas (e para todos)
as Boas Festas.

*Elsa Ligeiro, Rádio Cova da Beira, 19 de dezembro de 2019

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