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Projetos de investigação liderados pela UC conquistam financiamento de 900 mil euros para estudar Vale do Côa

Da arte da Pré-História Recente às alterações climáticas durante o período glaciar, passando pelas práticas com plantas medicinais, três projetos de investigação liderados pela Universidade de Coimbra (UC) acabam de conquistar financiamento no total de cerca de 900 mil euros para estudar a região do Vale do Côa.

Os projetos, LandCRAFT, Côa MedPlants e CLIMATE@COA foram aprovados para receber financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), no âmbito do Vale do Côa International Research Awards – Programa Internacional de Investigação sobre o Vale do Côa, que tem como objetivo a promoção de atividades de investigação e desenvolvimento de âmbito interdisciplinar e pluridisciplinar nesta região classificada pela UNESCO como património da Humanidade.

“Estes três projetos são mais uma prova da qualidade da investigação desenvolvida na Universidade de Coimbra e mostram ainda a elevada capacidade, das equipas de investigação em dar resposta a desafios cientifico-tecnológicos”, afirma Cláudia Cavadas, Vice-Reitora da UC para a investigação.

O LandCRAFT, liderado por Lara Bacelar Alves, investigadora do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património (CEAACP) da Faculdade de Letras da UC, vai estudar os contextos socioculturais da arte da Pré-História Recente no Vale do Côa, com o objetivo de acrescentar um novo olhar sobre a história da arte na região, focando-se num período crucial de transformações das comunidades humanas e do território. 

“Este projeto irá contribuir para consolidar o conhecimento do património do Vale do Côa, focando-se numa realidade posterior ao bem conhecido ciclo Paleolítico. O intuito é precisamente investigar a arte e os modos de vida das primeiras comunidades de agricultores e pastores, através do estudo arqueológico e paleoambiental dos sítios e paisagens do 6.º ao 2.º Milénio AC. A investigação será desenvolvida por uma equipa internacional e multidisciplinar com competências diversas, desde a Arqueologia, Conservação e Restauro, novas tecnologias de registo tridimensional à divulgação no âmbito da Ciência Cidadã. As atividades poderão vir a ser acompanhadas através das redes sociais, de um website e serão incorporadas num documentário que pretende refletir sobre a própria produção do conhecimento em Arqueologia”, descreve a investigadora do CEAACP.

O CôaMedPlants, liderado por Célia Cabral, investigadora do Instituto de Investigação Clínica e Biomédica de Coimbra (iCBR), da Faculdade de Medicina da UC, visa a preservação e valorização do património cultural relacionado com as práticas com plantas medicinais do Vale do Côa e a validação científica das propriedades destas plantas, com o objetivo de perceber o seu potencial impacte na doença do fígado gordo não-alcoólico (NAFLD), que está associada a alimentação e estilos de vida não saudáveis e que pode culminar em cirrose e cancro do fígado.

“Este projeto associa a medicina tradicional às necessidades da medicina contemporânea, abrindo caminhos para estratégias inovadoras de investigação. Iremos igualmente apostar numa forte componente de comunicação de ciência aos cidadãos, visando atrair mais visitantes ao Vale do Côa através da promoção de novas atividades e percursos pedestres”, refere a investigadora do iCBR.

E, por fim, o CLIMATE@COA, liderado por Luca Dimuccio, investigador do Centro de Estudos em Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT), da Faculdade de Letras da UC, vai estudar a evolução climática e a adaptação humana durante o último período glaciar na Região do Vale do Coa, tendo como objetivos desenvolver um modelo evolutivo deste território e deduzir os fatores ambientais condicionantes para essa evolução.

“Trata-se de um projeto que, para além de envolver uma equipa de investigadores nacionais e internacionais, se apresenta com uma forte componente multi/interdisciplinar baseada nas análises geológicas, geomorfológicas, geoquímicas, arqueológicas, zoo-arqueológicas e geocronológicas de vários arquivos terrestres ao longo do vale e nas áreas de planalto adjacentes”, aponta o investigador do CEGOT.

*Fotografia: © UC | Ana Zayara

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