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Dia de Santa Cruz assinalado em Proença-a-Nova em formato digital no próximo domingo

Este domingo, 3 de maio, assinala-se o dia de Santa Cruz, uma data com tradição para a população do concelho de Proença-a-Nova.

Além do significado litúrgico, cuja devoção faz parte da história e cultura de Proença-a-Nova, neste dia tem-se mantido uma das feiras anuais com maior tradição no concelho e que este ano, pela primeira vez, não será realizada devido à situação pandémica.

Também a Igreja da Misericórdianão estará aberta, onde era todos os anos exposto o Santo Lenho, o pedaço da cruz de Cristo trazido de Roma por Pedro da Fonseca.

Há dois anos que o Município de Proença-a-Nova tem contribuído para a comemoração deste dia com a organização de um mercado quinhentista no Largo Pedro da Fonseca e a recriação histórica do regresso de Pedro da Fonseca, trazendo consigo a relíquia recebida pelos seus préstimos como conselheiro do Papa.

Esta iniciativa, adiada para 2021, pode ser, no entanto, recordada no álbum de fotografias na página oficial do Facebook do Município.

O dia de Santa Cruz foi até há três décadas feriado municipal, tendo passado, durante o mandato do Pe. António Sousa, para o dia 13 de junho.

Preservar esta data é também celebrar a vida de Pedro da Fonseca, nem sempre conhecida das novas gerações.

Nascido em Proença-a-Nova em 1528, Pedro da Fonseca entrou no Colégio de Jesus, em Coimbra, aos 20 anos.

Recebeu o grau de Doutor em Teologia, na Universidade de Évora, numa cerimónia que contou com a assistência do Cardeal D. Henrique e D. Sebastião, presenças que indiciam o seu peso político.

Em 1572 foi escolhido para representar os jesuítas portugueses em Roma, na eleição do novo superior.

Nessa altura, foi conselheiro do Papa Gregório XIII e aproveitou os dez anos que permaneceu em Roma para desenvolver as suas reflexões sobre Metafísica que o tornariam conhecido como o Aristóteles Lusitano.

Recebeu um pedaço da cruz de Cristo crucificado pelos seus préstimos e, regressando a Portugal, trouxe consigo a relíquia do Santo Lenho que doou à Santa Casa da Misericórdia da sua terra natal, em 1588, bem como o terreno onde foi construída a Capela da Misericórdia.

O Santo Lenho tornou-se então num símbolo de culto e fé, ao qual a população pedia proteção em situações de intempéries, secas, pragas e outras doenças.

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