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Esperança e receio no regresso dos carrosséis e demais diversões a Viseu

Esperança, oportunidade e receio são as palavras mais usadas pelos empresários dos equipamentos de diversão que estão a montar carrosséis em Viseu, após o confinamento provocado pela pandemia.

“Vamos fazer o possível e o impossível para que Viseu e os viseenses se orgulhem e vejam que a ideia formada da itinerância não será uma catástrofe. E acredito que vamos ser exemplo para estabelecimentos fixos que até tinham mais condições do que nós, mas nós vamos estar muito mais à frente”, afirmou Abílio Felício.

Este “empresário de carrosséis”, como se assume, reduziu o número de equipamentos no Campo de Viriato, se comparado com o que costuma montar na Feira de São Mateus, “até porque não é a mesma coisa e, apesar dos receios, há esperança e confiança”.

À agência Lusa, Abílio Felício destacava “a oportunidade e o benefício da dúvida” que receberam da cidade, para “mostrar que é um setor como os outros, capaz e competente para reiniciar a atividades como aconteceu com outros setores”, após meses de paragem por causa da pandemia de covid-19.

A poucos dias de a Câmara Municipal de Viseu e a Viseu Marca inaugurarem, na terça-feira, a programação cultural “Cubo Mágico”, que espalha por 18 espaços da cidade diversas iniciativas ao longo de dois meses, estes empresários viram em Viseu a sua janela de oportunidade.

“Nós não somos os culpados, porque ainda nem abrimos ao público. Nós vamos ser um grande exemplo, porque estamos preparados para tomar muito a sério a nossa segurança e saúde e a dos nossos clientes, porque se falharmos não vamos ter outra oportunidade”, admitiu Luís Paulo Fernandes.

Este empresário explicou que a iniciativa “é algo de uma dimensão reduzida”, na qual “todos os divertimentos estarão a 10 a 15 metros de distanciamento”. Mas defendeu que, “este ano, não é para pensar na faturação, já será bom se der para pagar os seguros e outras contas”.

“Viseu está a conseguir retomar, já se vê um brilho nos olhos nos cafés e restaurantes. Alguns de nós não trabalhamos há 10 meses e nós dinamizamos a economia, com gasóleo, portagens, cafés, restaurantes, frutaria. Ainda ontem fomos 12 pessoas comer ali a um restaurante e até ficaram com brilho nos olhos, foi um balão de oxigénio”, contou Luís Paulo Fernandes.

Um balão de oxigénio que Mauro Amaral disse já ter “feito questão de agradecer pessoalmente”, uma vez que, a par de outros, gere um negócio de família “que é preciso sustentar”.

Pai de crianças pequenas, Mauro Amaral não esconde “os receios naturais” e, por isso, desafia os pais a “verem primeiro” o espaço e a forma de trabalhar. E depois acredita que “já vão sentir-se à vontade para trazerem os filhos”.

“Se vamos a um centro comercial ou a um café também podem vir aqui, porque nós vamos tomar as mesmas precauções ou mais ainda e ainda temos a vantagem de estar ao ar livre”, disse Mauro Amaral.

Neste sentido, apontou para a “responsabilidade de todos, a começar pelos operadores e pais”, uma vez que não escondem o “receio de ajuntamentos”, como o dos “festejos da vitória do campeonato do FC Porto”, que Paulo Moreira lembrou.

Este empresário admitiu que “estava muito reticente” em deslocar-se para Viseu, por considerar que “é um risco muito grande” e, por isso, “é o único sítio, este ano”, onde marcará presença.

“O meu maior receio é a minha família, porque o equipamento está seguro, mas há pessoas que têm medo de virem para não se contagiarem, mas o meu medo é que fiquemos contagiados por quem vem. É um risco e todos nós estamos sujeitos”, admitiu.

Todos os empresários assumiram à agência Lusa que “as regras sanitárias são para cumprir, como o distanciamento, os clientes entram por um lado e saem pelo outro, as cadeiras são desinfetadas em cada utilização e a capacidade será reduzida e o uso de máscara é obrigatório, assim como a desinfeção das mãos antes de usarem o equipamento”.

Regras que a organização reforçou e que admitiu que “são repetidas em todas as reuniões com os empresários, porque nada pode falhar”, no entender do vereador da Cultura da Câmara de Viseu e diretor da Viseu Marca, Jorge Sobrado.

Este responsável defendeu que a realização deste programa “é até uma forma de a cidade ter um plano de segurança”, ou seja, “a autarquia, a proteção civil e as autoridades policiais e sanitárias têm obrigação de preparar a cidade com um plano e isso aconteceu para a realização do Cubo Mágico”.

Jorge Sobrado lembrou que “cada um é um agente de segurança e de saúde pública”, e assumiu que a organização “se reserva ao direito de limitar admissões ou fechar temporariamente um espaço se se verificar que há um fluxo muito grande de pessoas”.

*LUSA

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