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Sexta-feira, Setembro 25, 2020
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Ponto de Vista… por Ana Camilo

A MINHA “MONO CAUSA” SÃO AS PESSOAS!

Atravessamos um período estranho nas nossas vidas, a pandemia veio destapar as desigualdades dum país que nunca teve preocupações de inclusão/integração dos mais desfavorecidos, daqueles que por razões que a vida lhes impôs nascem e/ou vivem em situações de desvantagem.

Ana Camilo

Os últimos meses têm sido profícuos em notícias que a todos nos devem envergonhar e fazer corar de vergonha, a mais recente retrata uma situação de abandono num lar de Reguengos de Monsaraz (chamar “lar” a uma instituição onde se deixa morrer será um abuso de semântica). Fazendo fé na auditoria feita, as pessoas morreram de desidratação, falta de assistência e não de Covid, soubemos também ao longo deste tempo que existem em Portugal 350 lares ilegais. Ilegais? Serão ilegais juridicamente, mas o Estado sabe da sua existência! E perguntarão: porque não actua o Estado? Precisamente porque não consegue ou não quer dar resposta aos milhares de idosos que neles sobrevivem.

É este o país que queremos? Um pais que destrata os mais velhos? Um país que faz por ignorar a sua existência, esquecendo todo o contributo que deram a Portugal? Esquecendo todo o esforço ao longo de uma vida para criar os filhos, para ajudar a criar os netos?

Vivemos, de facto, num mundo estranho, num mundo egocêntrico, que seja lá porque razão for abandona os mais velhos e os mais frágeis institucionalizando-os transferindo para terceirosos cuidados de que necessitam. Sei, por experiência própria, que ser cuidador é tarefa árdua, tanto mais quanto menor é o seu reconhecimento e a falta de apoio financeiro por parte do Estado, talvez por isso não me espante a necessidade de ter de se abdicar da vontade de cuidar.

Este caso de Reguengos será, infelizmente, igual a tantos outros de norte a sul do país onde centenas de idosos foram votados ao abandono acabando por sucumbir vítimas da pandemia sem nunca terem tido Covid.

Estranho país este que ergue bandeiras, entra em histeria nas redes sociais e organiza manifestações em defesa dos animais (nada contra os animais, devem ser cuidados e bem tratados), e não se levanta e não eleva a voz perante um caso como este.

Os chamados partidos “mono causa”, quando está em risco o bem-estar animal rebelam-se imediatamente contra o Estado, outros estão demasiado ocupados e preocupados com recomendações para financiamentos a associações LGBTI,que não serão diferentes de outras que foram afectadas pela crise económica que a pandemia veio agravar, mas que todos gostaríamos de saber o que é feito com esses financiamentos públicos, dinheiro dos nossos impostos, e que benefícios trazem às pessoas abrangidas. Todos gritam e batem no peito na defesa das suas pequenas causas com a conivência do Governo. É o mesmo Governo que perante um caso como o de Reguengos se remete ao silêncio como se nada tivesse a haver com o que se passou. Esquecendo a sua obrigação de cuidar e que um dia os velhos seremos todos nós…

Se a “mono causa” está na moda, eu também tenho a minha! A minha “mono causa” são as PESSOAS, a sua liberdade individual, o seu bem-estar, a sua qualidade de vida e acima de tudo a sua dignidade.

*Ana Camilo, dirigente do Partido Aliança

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