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Mariana ou uma história de luta, dedicação e amor

António Pedro olhava embevecido para a fotografia no jornal e as lágrimas começaram a escorrer-lhe cara abaixo, fruto de um misto de sentimentos: amor, felicidade, raiva e ódio. Tudo começara havia mais de vinte e seis anos…

José Lagiosa

Ele que durante tantos anos fizera um esforço enorme para arrumar num qualquer baú do cérebro, as memórias que um dia o obrigaram a partir de Lisboa para outras paragens, fora traído agora que contemplava aquela figura feminina que ali estava, mulher feita, irradiando uma beleza que, em menina pequena até nem era tão vincada.

A figura feminina na fotografia era, Mariana sua enteada, que ele um dia adoptara como sua filha, mesmo antes de casar com a mãe da menina, Isabel.

Quanto mais olhava para a foto do jornal mais lembranças emergiam da sua memória. A primeira vez que vira Mariana era ela recém nascida.

Achara-a feia, aliás como achava todos os recém nascidos e nada parecida com Isabel sua mãe, por quem António Pedro se apaixonara apesar da gravidez. Era a paixão da sua vida. Longe estava ele de imaginar a quantos sacrifícios essa paixão o obrigaria daí para a frente.

Engraçado como depois de um primeiro encontro onde aparentemente se tinham chocado de uma forma quase violenta, se desenvolveu uma paixão tornada, amor, e que iria ser a sua grande arma para enfrentar tudo o que algum dia podia ter imaginado vir a acontecer-lhe.

Agora, apesar de tudo, ao olhar novamente para aquela fotografia que ilustrava uma pequena entrevista de Mariana, sentia-se um homem feliz. Feliz por ele, por Isabel mas principalmente por Mariana.

A jovem era uma pessoa feliz. Interessada nos estudos, um pouco rebelde nesta fase da adolescência é certo, mas com uma personalidade forte, amiga da sua amiga, certa do rumo que queria dar à sua vida e agora também ela apaixonada.

A sua primeira paixão. Havia seis meses que durava. E que bonito era de se ver. António Pedro revia na paixão da sua enteada, a sua própria paixão. Como o tempo passava. Já lá iam tantos anos.

A paixão aparentemente fora esmorecendo. Mas lá o fundo António Pedro sabia que haviam sido as agruras da vida que escolhera, que tinham contribuído para isso.

Nunca mais tinha tido descanso. A saída de Lisboa obrigara-o a deixar para trás um bom trabalho, a família, os amigos, uma vida economicamente abastada.

Viera encontrar uma pequena cidade do interior onde demorou a enraizar-se.

Hoje, no entanto, tudo se tornara mais fácil. A cidade crescera muito e estava, sem dúvida, muito mais integrado no meio local.

Mas ao olhar novamente para aquela fotografia não pôde deixar de pensar novamente: tudo começara havia mais de vinte e seis anos… 

*Excerto retirado de um projeto de livro

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