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A família foi o mote para filme “Corte” de Afonso e Bernardo Rapazote

A ideia de família, “principalmente de uma que estivesse a desaparecer”, foi o mote para “Corte”, filme de época, escrito e realizado por Afonso e Bernardo Rapazote, que está em competição no IndieLisboa.

“Corte”, trabalho final do curso de Cinema dos gémeos de 23 anos, “passa-se no século XVIII – quando começaram a surgir a sério os ideais de Liberdade -, por causa dos temas” que os dois tinham preparado.

Afonso e Bernardo Rapazote, contou o primeiro, em entrevista conjunta à Lusa, tinham “ideias soltas” que queriam trabalhar, “e que tinham principalmente que ver com uma ideia de família, principalmente esta ideia de uma família que estava a desaparecer”.

“Para nós, que estamos a estudar no presente olhando para o passado, [o século XVIII] é um século de prazer e mais hedonista” e foi escolhido, “não por interesse nem fetiche em perucas, mas porque tinha que haver uma tensão entre uma certa Liberdade e uma certa estabilidade”.

Os dois queriam que a família no centro da narrativa “fosse de certa maneira impossível de conciliar com um mundo mais libertino (o uso do pretexto da liberdade para se fazer o que se quiser)” e encontraram no século XVIII “uma maneira mais fácil de figurar tudo”.

Além disso, referiu Bernardo Rapazote, os filmes em que tinham pensado que não eram de época, conseguiriam “fazer facilmente sem dinheiro e com uma equipa para aí de dez pessoas”.

Em contexto escolar, tinham “uma equipa de 40 pessoas à disposição” e “não ia custar nada” do bolso dos dois. “Então aproveitámos o facto de termos uma turma inteira a trabalhar para nós”, referiu.

Além de realizadores e argumentistas, Afonso e Bernardo Rapazote acabaram também por ter que assumir o papel de atores.

“Não somos atores, nem queremos ser”, garantiu Bernardo, mas o par de gémeos que tinham arranjado cancelou “umas três semanas de começar a rodagem”.

“Ainda tentámos arranjar outro par de gémeos, conseguimos, mas já foi muito em cima da hora para preparar o texto e tudo mais, e decidimos ser nós”, recordou.

Afonso salienta que “é claro” para quem vê o filme que os dois são “os únicos que não são atores”. “Mas era um trabalho de representação muito simples, não pedia muito de nós, as nossas personagens eram só peões daquela história toda”, disse.

Certos de que a representação não é para eles, já na escola secundária, em Viseu, os dois sabiam que era cinema que queriam estudar. Mas, “desde crianças” que a Sétima Arte os atrai, “muito por causa” do pai e do irmão mais velho.

A relação entre os gémeos “sempre foi pacífica” e sempre foram “muito unidos”. Afonso afirmou e Bernardo concordou: “é uma mais valia” serem irmãos a trabalhar em conjunto.

“Em princípio trabalharemos sempre juntos, é mais fácil e sabemos que se um tiver uma ideia e o outro quiser trabalhar sobre ela, [essa ideia] tem alguma força. Temos a facilidade de sermos gémeos, sabemos mais ou menos o que o outro está a pensar, temos ideias muito semelhantes sobre o mundo, é fácil encontrarmos temas sobre os quais queremos trabalhar, gostamos do mesmo tipo de filmes, é fácil ir buscar referências, acontece tudo naturalmente se formos os dois”, referiu Bernardo.

Depois de um ano a estudar História (Afonso) e Direito (Bernardo), entraram na Escola Superior de Teatro e Cinema, cujo curso terminou com “Corte”, que será exibido no IndieLisboa, nos dias 30 de agosto e 04 de setembro, no Cinema São Jorge, em Lisboa.

Além do IndieLisboa, “Corte” está integrado no programa Cinéfondation, uma das competições do Festival de Cannes, em França, que este ano não se realizou devido à pandemia da covid-19.

Para Afonso , “não houve grande choque em o filme não ser exibido em condições normais”. “Já estávamos um bocado à espera”, disse.

Bernardo salienta que “o ponto forte” é o filme ter sido selecionado, “e é isso que interessa”.

“O festival permite que as pessoas conheçam o trabalho e, só por ele ter sido selecionado para Cannes, já há outros festivais interessados nele. O mais importante era dar uma certa visibilidade ao filme, dá-nos mais oportunidade de fazer filmes, caso isso seja possível no futuro”, referiu Afonso.

Para futuros filmes têm “várias ideias”, tanto para curtas como para longas-metragens, “tudo ficção”.

A 17.ª edição do IndieLisboa, que deveria ter acontecido entre abril e maio, mas foi adiada devido à pandemia da covid-19, decorre de 25 de agosto a 05 de setembro.

*LUSA

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