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Terça-feira, Agosto 3, 2021
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Cristina Rodrigues faz «Travessia» de Madrid para Castelo Branco

Tem curadoria do espanhol Mateo Feijóo e estará patente no CCCCB – Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco de 10 de Outubro a 31 de Janeiro

A partir do Centro Internacional de Artes Vivas Naves Matadero em Madrid, Cristina Rodrigues traz «Travessia», de 10 de Outubro a 31 Janeiro, ao Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco. 

Aclamada pela crítica local, esta exposição esteve patente neste icónico centro de arte da capital espanhola em 2019.

A exposição tem curadoria de Mateo Feijóo e a sua base assenta no projecto «Home is the Cathedral of Life [A Casa é a Catedral da Vida]», idealizado de raiz pelo curador e coreógrafo espanhol e pela artista para Madrid, no ano passado.

O impacto mediático obtido pelo projecto em Madrid justificou o convite para o trazer para Castelo Branco, algo a que a exposição «Travessia» vem responder.

Uma das obras de Cristina Rodrigues

A exposição permite conhecer novas perspectivas sobre o tema da emigração, através de obras como uma instalação e um documentário intitulados «Travessia», que retratam os relatos de um conjunto de migrantes originários da Venezuela, Honduras, El Salvador, República Dominicana, Argentina, Perú, Marrocos, Angola e Senegal.

Por trás da concepção e execução deste conjunto de obras, encontra-se um aprofundado trabalho levado a cabo pela artista, que ao longo de 20 meses entrevistou dezenas de pessoas que deixaram os seus países para ir viver para Madrid.

Aqui, o duplo papel da arte de informar e registar o contexto histórico-social do nosso tempo, aspecto fundamental em Cristina Rodrigues, assume especial relevância: a ideia das vidas num permanente suspenso, que não têm laços com o país de acolhimento porque não lhe pertencem e, simultaneamente, começam a perdê-los em relação ao país de origem.

A esperança dá, nestas vidas, lugar ao desconhecido, à desconfiança, à discriminação.

Cristina Rodrigues é uma artista plástica e arquitecta portuense com trabalho artístico apresentado em vários espaços de referência na Europa, Ásia e América do Sul, em diversas exposições a solo, aspecto que contribui para a afirmar como uma das artistas plásticas portuguesas mais relevantes da sua geração.

Várias das suas obras integram colecções de museus e entidades públicas, entre as quais a Catedral de Manchester e o Cheshire East Council, no Reino Unido Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, Município de Castelo Branco, Município de Viseu, Município de Vila do Conde, Município de Baião e Estado Português.

A artista foi capa da Sculpture na edição Janeiro-Fevereiro de 2016.

A Casa é a Catedral da Vida por Cristina Rodrigues

O eclectismo que emana das suas obras exprime as suas paixões e formação académica.

Toda a sua obra é regida por uma estética simples que liga a etnografia social, a antropologia e a sustentabilidade ao desenho, à pintura, à instalação e à escultura.

Devido ao grande sentido do global/universal, as suas instalações exprimem um trabalho aprofundado, desenvolvido em torno de permanentes contrastes entre o tradicional e o contemporâneo, um diálogo fluido entre o tradicional de inspiração popular e uma cultura de raiz mais «erudita».

Aspecto essencial em Cristina Rodrigues é o método através do qual procede à conservação, através da arte, de um conhecimento popular, de uma tradição, um idioma ou dialecto, uma técnica de artesanato, enquanto elementos que integram a cultura e a identidade de um local e os torna universais.

Desta forma, não apenas os «regista» como tal, mas também os leva a percorrer mundo, integrando as suas obras e exposições.

Cristina elabora as suas peças com minúcia, levando à descoberta da identidade artística de objectos obsoletos, transformando-os em relíquias escultóricas que realçam o seu percurso e o conjunto da sua obra.

Com as suas criações, Cristina Rodrigues cria narrativas imaginárias que ligam a sua história pessoal, enquanto mulher portuguesa num contexto global, a um fantástico mundo de simbolismos.

A artista conduz o espectador contemporâneo através de um percurso transcultural e transtemporal, em que são visíveis as preocupações com a dimensão humana, centrando-se de forma incisiva nos direitos humanos.

Recorde-se que Cristina Rodrigues, licenciada em Arquitectura pela Universidade Lusíada (2004) e mestre em História Medieval e do Renascimento pela Universidade do Porto (2007), é doutorada em Arte e Design pela Manchester School of Art (2016).

Refira-se que Mateo Feijóo é um curador e coreógrafo espanhol nascido no Gerês em 1968 que desenvolve um trabalho muito próximo e em colaboração directa com outros artistas de diferentes disciplinas, Marina Abramović, Elena del Rivero e Cristina Rodrigues, o que confere ao seu trabalho um selo muito pessoal e sempre interdisciplinar.

Em 2017 aceitou o cargo de director artístico do Naves Matadero – Centro Internacional de Artes Vivas, cessando funções em Março de 2020.

Surgiu como escolha natural para a curadoria desta exposição desde que, em 2017-18, a artista expôs O Sudário numa das salas do Naves Matadero e travaram conhecimento.

Nessa altura, convidou-a a conceber uma exposição de raiz para o museu.

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