Realizou-se, no passado sábado, dia 10 de outubro, uma sessão pública sobre a temática da Central Nuclear de Almaraz organizada pelo Bloco de Esquerda.
A iniciativa foi realizada na Biblioteca Municipal de Castelo Branco e contou com as intervenções da deputada do Bloco de Esquerda na Assembleia da República, Fabíola Cardoso, e do meteorologista e ativista ambiental na região do Tejo, Manuel Costa Alves.
A moderação ficou a cargo do membro da Comissão Coordenadora Distrital de Castelo Branco do Bloco, António Fiúza.
A sessão, realizada conforme as medidas sanitárias emanadas da DGS, juntou mais de três dezenas de pessoas.
O público foi bastante interventivo colocando questões e dando a conhecer as suas reflexões sobre a problemática ambiental e social derivada da Central Nuclear de Almaraz.

Um perigo iminente
Durante a sessão foram dados vários exemplos de centrais nucleares e dos problemas associados a estas estruturas, como por exemplo o acidente em Fukushima, em 2011.
Também se falou de forma como afetaria na região transfronteiriça um incidente na central e de acordo com a simulação feita com tecnologia da NATO pela Escola Prática de Engenharia do Exército, um acidente nuclear em Almaraz, com as mesmas características que o ocorrido em 2011, em Fukushima, lançaria uma nuvem radioativa para a atmosfera que, ao fim de 38 horas, já teria atravessado a fronteira e atingido a região centro de Portugal.
As cidades mais afetadas seriam Castelo Branco e Portalegre, que ao fim de um mês já teriam acumulado na atmosfera 1 sievert (Sv) de radiação ionizante sobre os seres humanos.
Em junho de 2020, a Central sofreu dois incidentes no espaço de 5 dias onde os reatores das Unidades I e II se desligaram automaticamente sendo que a Unidade I estava em fase de carregamento de energia, a 51%.
A falta de arrefecimento pela água, devido a desativação automática dos reatores poderia levar ao aquecimento provocando uma fusão nos reatores.
A necessidade de Planos Especiais de Emergência
Tanto Fabíola Cardoso, como Manuel Costa Alves, que já defende a necessidade de Planos Especiais de Emergência há alguns anos, consideram imperativo a implementação destes planos com o objetivo de informar, organizar e proteger as populações possivelmente afetadas por um desastre nuclear em Almaraz.
Por isso é imprescindível conhecer cientificamente o que poderá acontecer em caso de acidente e criar cenários sobre os diferentes graus de intensidade de um acidente nuclear e a sua propagação quer à bacia hidrográfica do Tejo, quer atmosférica.
Equacionar com especialistas os vários cenários com base nos diferentes graus de intensidade identificados e nos graus de dano previstos e definir raios de acção.
O Bloco ainda defendeu que se definam as medidas preventivas em caso de declaração de emergência e que de forma clara e inequívoca cada entidade do Sistema de Protecção Civil saiba o que fazer.
A importância do envolvimento dos jovens e de especialistas
Foi também consensual que os jovens sejam parte ativa desta reivindicação, a do encerramento da Central Nuclear de Almaraz, devido ao dinamismo e persistência da juventude, sobretudo nas lutas ambientais, tal como se tem visto com o movimento da Marcha Mundial pelo Clima.
A necessidade de debate junto de especialistas também foi discutida durante a iniciativa devido a importância de arranjar argumentos consistentes para levar ao encerramento da central e de conhecer cientificamente todos os cenários em casa de acidente.
Assembleias Municipais preocupadas com a Central
A Assembleia Municipal de Castelo Branco aprovou, em junho de 2020, por unanimidade uma moção que pede ao Governo português uma intervenção junto do Estado espanhol e das instituições europeias para o encerramento definitivo da central nuclear espanhola de Almaraz.
Na moção apresentada e subscrita por todas as bancadas com representação na Assembleia Municipal de Castelo Branco (PS, PSD, CDS-PP, BE e CDU), os deputados municipais realçam que a central nuclear de Almaraz, em Espanha, “registou nos últimos cinco dias dois incidentes”.
Também a Assembleia Municipal da Covilhã, em 2019, aprovou por unanimidade uma moção que pedia o fim da continuidade da Central Nuclear de Almaraz.










