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Ciclones, pandemia e violência agravam fome e insegurança alimentar em Cabo Delgado

Os ciclones, a pandemia de Covid-19 e a violência extremista agravaram a insegurança alimentar e a fome na província moçambicana de Cabo Delgado, onde os esforços das ONG se centram agora sobretudo em acorrer a emergências.

“No sul da África, apenas Madagáscar tem uma situação de fome pior que Moçambique. Não só ao nível da fome, mas também da pobreza temos uma situação difícil já há algum tempo”, disse Jaime Díaz Martínez, da organização não governamental (ONG) Ajuda em Ação Moçambique.

O responsável falava à agência Lusa a propósito do lançamento em Portugal do Índice Global da Fome 2020, que este ano analisa uma década do objetivo de desenvolvimento “Fome Zero” e no qual Moçambique aparece, juntamente com Angola, entre os 40 países com níveis de fome considerados graves.

Apesar de nos últimos anos o país surgir consistentemente entre os seis ou sete piores no Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, Jaime Díaz Martínez assinalou que a situação da fome em Moçambique estava a melhorar gradualmente até o país ser atingido pelos ciclones Idai e Kenneth, em 2019.

“A nível geral a situação da fome e da pobreza estava a melhorar, mas se aprofundarmos a análise a situação é difícil, as estruturas são frágeis e estamos a ter muitos problemas”, disse.

“Temos a pandemia, temos uma situação de mudança climática que está a castigar Moçambique com os ciclones e, finalmente, temos a violência no norte, que está a afetar muitas pessoas que estão a ter de deixar as suas casas”, acrescentou.

Com presença em Cabo Delgado desde 2016, a Ajuda em Ação concentra-se agora no apoio aos mais de 300 mil deslocados que, devido à violência dos grupos extremistas, estão a fugir para os distritos do sul da província.

A construção de acampamentos e a garantia de serviços básicos como abrigos, água e saneamento passou a ser atividade quotidiana da organização, juntando-se aos programas de longo prazo de geração de atividades económicas, proteção da infância e da mulher e educação.

“Tornou-se uma situação de mistura entre emergência e apoio ao desenvolvimento das populações”, adiantou Jaime Díaz Martínez, sublinhando a importância de não deixar cair os programas de desenvolvimento.

“Temos um enfoque de longo prazo e achamos que para poder ter impacto na pobreza temos de ficar muito tempo”, sublinhou.

Pedro Matos, do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas, assinalou, por seu lado, as mudanças que a organização foi forçada a fazer na sua operação no país que, até aos ciclones Kenneth e Idai, se centrava numa abordagem de alimentação escolar e de comida por trabalho.

“Com os ciclones Idai e Kenneth, aumentamos muito a nossa resposta de emergência para cerca de 2 milhões de pessoas”, disse.

A estratégia do PAM para estes deslocados passa pelo fornecimento de comida até as populações terem capacidade de plantar novas colheitas e estas crescerem.

Neste esforço, o PAM conta com a parceria da Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO) das Nações Unidas, através da distribuição de sementes.

Progressivamente, o objetivo passa por fazer migrar estas populações de programas de alimentação gratuita para programas de alimentação por trabalho e de apoio à agricultura.

O objetivo, segundo Pedro Matos, é voltar “ao ponto de desenvolvimento” em que o PAM estava antes.

A pandemia de covid-19 e, no caso da província de Cabo Delgado, a violência extremista vieram agravar ainda mais a situação, com retrocessos significativos nos ganhos alcançados na luta contra a fome e a pobreza.

“Em Cabo Delgado, o número de deslocados internos aumentou muito e a nossa resposta a esses deslocados também, mas a violência impede-nos de implementar e monitorizar os nossos programas de alimentação escolar e nutrição”, disse.

Por isso, apontou, “a regressão está a ser muito grande”.

“Precisamos de ter segurança para podermos fazer outros programas em Cabo Delgado e, neste momento, não temos. Isso tem de ser garantido pelo Governo”, disse.

*LUSA

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