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Covid-19: Comércio brasileiro tem aumento recorde de 17,2% no terceiro trimestre

As vendas no comércio brasileiro aumentaram 17,2% no terceiro trimestre do ano, face aos três meses anteriores, num aumento recorde desde o início da série histórica, em 2000, informaram hoje fontes oficiais.

O resultado mostra uma recuperação robusta do setor após as quedas no primeiro (-1,9%) e segundo (-8,5%) trimestres do ano, afetadas pela pandemia do novo coronavírus, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As vendas também cresceram 6,3% entre julho e setembro últimos, em comparação com o mesmo período de 2019, naquele que é o maior aumento desde 2014.

Apenas em setembro, as vendas no setor cresceram 0,6% em relação a agosto, o quinto aumento mensal consecutivo.

No entanto, a subida é menos intensa do que a registada nos meses de agosto (3,1%), julho (4,7%), junho (8,7%) e maio (12,2%), na comparação com o mês imediatamente anterior, respetivamente.

“A desaceleração é natural e representa uma acomodação porque as quedas de março e abril foram muito expressivas, o que fez com que os meses seguintes de recuperação tivessem aumentos intensos”, explicou, em comunicado, o analista do IBGE Cristiano Santos.

Os fortes quedas de março (-2,5%) e abril (-16,6%) corresponderam às restrições adotadas por governadores e prefeitos do país para conter a pandemia da covid-19, e que começaram a ser relaxadas a partir do final de maio, ainda que a curva de contágios e morte estivesse em ascensão.

As vendas a retalho cresceram 7,3% em setembro, em relação ao mês homólogo de 2019, quarta taxa positiva consecutiva na comparação anual.

O setor registou estabilidade (0,0%) entre janeiro e setembro de 2020 e um ligeiro aumento de 0,6% nos últimos doze meses.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de mortos (mais de 5,7 milhões de casos e 162.829 óbitos), depois dos Estados Unidos.

A pandemia interrompeu o processo de recuperação económica que o Brasil vinha alcançando, após a grande recessão de 2015 e 2016, quando o produto interno bruto (PIB) do país caiu quase sete pontos percentuais.

Pelas projeções do Governo e de analistas consultados pelo Banco Central, a economia brasileira irá retrair entre 4% e 5% este ano, embora se espere uma forte retoma de mais de 3% para 2021.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.275.113 mortos em mais de 51,5 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

*LUSA

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