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Teatro das Beiras: “A Força do Hábito”, em cena até 27 de novembro

Depois da estreia a 20 de novembro, “A Força do Hábito”, de Thomas Bernhard, com tradução de Alberto Pimenta e encenação de Nuno Carinhas está em cena de 4ª a 6ª feira, 25 a 27 de novembro, às 20h45, no Auditório do Teatro das Beiras.

A lotação da sala é reduzida a 45 espetadores por sessão.

A reserva deve ser feita por telefone, para o 275 336 163.

Sobre a peça:

As criaturas vulgares

Se “A Força do Hábito” fosse um quadro de Magritte, teria inscrita a frase: “Isto não é um retrato de artistas”. Artistas relutantes, diga-se. Exilados, ambulantes – o público no escuro é reconhecido pelo faro apurado de Garibaldi: em cada cidade, um cheiro diferente. Os artistas odeiam-se entre si, não se entendem, embora precisem uns dos outros, e por isso mesmo. Para tocar em conjunto, para continuarem vivos. Continuando a ensaiar o “Quinteto da Truta”.

A vida de todos os mortais precisa de narrativas construídas pelos artistas. E de que se alimentam os artistas para sua sobrevivência, para além do cheiro do público? Doutras artes, doutras práticas que lhes exigem persistência em busca da perfeição. A par dos afectos esquinados pelas ovelhas tresmalhadas da família e das memórias extremas. Dos momentos inesquecíveis, entre a ocasião sublime e o acidente fatal. Provas de vida a cada dia de ensaio, dentro e fora da “pista”. Sentidos alerta: um passo em falso, e é a morte do artista. Não desistir do treino e do rigor: cabeças e corpos. Ferrara / fé rara. De terra em terra, de estação a estação, a viagem com esperança no infinitamente difícil, inatingível.

Bento Domingues: “Na utopia, vive a esperança de uma outra sociedade; na esperança, vive a utopia de um outro mundo”.

Diz Garibaldi:

“A sociedade escorraça

de si

quem a ameaça”

(…)

“Não resta senão”, diz o mesmo Garibaldi,

“entrar com o arco a tocar

pela morte dentro”

Entretanto não se fala de produção nem de consumo. Tão só da alma, igual à peça de madeira que une as costas à frente dos instrumentos de corda e que faz ressoar o som.

“Toda a palavra é uma invocação”, como no teatro!

“A arte que se faz nunca mais deixa em paz a cabeça”.

Uma homenagem que Thomas Bernhard presta à gente do Teatro, do Circo e da Música, com verrina e ternura. Criaturas (in)vulgares em versão de câmara.

*Nuno Carinhas Teatro das Beiras, Covilhã, outubro de 2020

Ficha artística:

Autor: Thomas Bernhard

Tradução: Alberto Pimenta

Encenação: Nuno Carinhas

Cenografia, figurinos e cartaz: Luís Mouro

Desenho de luz: Fernando Sena

Sonoplastia: Hâmbar de Sousa

Interpretação: Fernando Landeira, Roberto Jácome, Sílvia Morais, Susana Gouveia e Tiago Moreira

Apoio musical: Maria Gomes e Rogério Peixinho

Operação de luz e som: Hâmbar de Sousa

Confecção de figurinos: Sofia Craveiro

Carpintaria: Pedro Melfe

Produção: Celina Gonçalves

Fotografia e Vídeo: Ovelha Eléctrica

Duração: aprox. 1h20minutos

Classificação etária: M/12 anos

Datas:

Apresentações: 25, 26 e 27 de novembro, às 20h45

Covilhã > Auditório do Teatro das Beiras

Reservas para 275 336 163 / 963 055 909

Preço bilhete: 6€ (aplicam-se descontos a estudantes, maiores de 65 anos e sócios do Teatro das Beiras)

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