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Pedro Sousa assegura presença portuguesa nos quartos de final do Maia Open

Lisboeta derrotou Gastão Elias

Frederico Silva também foi a jogo e esteve perto de vencer

Nos pares já não há jogadores da casa em competição

Pedro Sousa chegou ao Maia Open como o mais cotado entre os tenistas portugueses inscritos e dentro do court está a confirmá-lo, tendo carimbado, na tarde desta quinta-feira, o acesso aos quartos de final do torneio organizado pela Federação Portuguesa de Ténis com o apoio da Câmara Municipal da Maia.

Quem também esteve perto de seguir em frente foi Frederico Silva, mas uma reviravolta ditou o fim de época para o jovem caldense.

Principal candidato ao título, estatuto que ganhou logo no arranque do torneio graças à eliminação de Pedro Martínez, o lisboeta de 32 anos derrotou o lourinhanense Gastão Elias, de 30, em dois sets, com os parciais de 6-2 e 6-4.

Numa reedição do duelo no Lisboa Belém Open (o outro torneio do ATP Challenger Tour que aconteceu este ano em Portugal), o desfecho foi o mesmo, mas o desenlace bastante distinto: apesar de ter ficado resolvido em duas partidas, o encontro foi mais equilibrado e viu os dois portugueses apresentarem bom ténis desde o início.

Pedro Sousa

Com melhores resultados nos últimos anos, Sousa fez uso da sua famosa pancada de esquerda para criar dificuldades ao adversário, que conhecedor do seu jogo como nenhum outro tudo tentou para o anular.

Se no primeiro set os esforços de Elias não surtiram efeito, no segundo esteve perto: o quinto jogo colocou-o pela primeira vez na frente com um break e ficou bem encaminhado para igualar o duelo, mas ao 2-4, numa fase em que já tinha deixado passar várias oportunidades para se colocar na frente, Pedro Sousa elevou o nível nesse jogo de resposta e conseguiu virar o rumo dos acontecimentos, acabando por vencer quatro jogos consecutivos para selar a vitória.

No final, Pedro Sousa considerou ter sido “um encontro duro. Acho que o resultado não mostra que foi tão duro como acabou por ser. Todos os jogos estavam a ser disputados, qualquer um podia ganhá-los e estavam a cair para o meu lado. É verdade que no início do segundo set podia ter descolado com dois breaks, tive algumas oportunidades e não as aproveitei e depois as coisas começaram a cair para o lado dele. Chegou a ter um break de vantagem, mas foi como disse, o jogo esteve sempre equilibrado, tanto nos meus jogos de serviço como os dele”.

“Foi muito melhor do que o do CIF apesar de ter sido em dois sets. Aqui soubemos lidar melhor com os nervos porque tivemos essa experiência anterior”, completou o lisboeta, antes de explicar que “as condições estão muito lentas e é um risco muito grande tentar desequilibrar o ponto. Como nos conhecemos muito bem estávamos a anular-nos e os pontos foram longos. Estávamos à espera da bola certa e muitas vezes essa bola vinha tarde, jogámos com muito cuidado”.

Gastão Elias concordou com a análise do amigo: “Foi um 6-2 e 6-4 de 1h48, o que demonstra que o encontro foi equilibrado. No primeiro houve uma ou outra bola que fez a diferença e ele conseguiu fazer um break, mas no segundo a história foi diferente. Apesar de ele ter começado melhor, eu passei para a frente e a certa altura achei que já não me ia escapar. Mas ele jogou muito bem quando esteve 4-2 abaixo, fez zero erros não forçados e foi muito agressivo. Foi pena, porque acho que o encontro de hoje merecia pelo menos um terceiro set. Quem entende de ténis viu que este encontro foi muito mais equilibrado, diria que tive muito mais hipóteses hoje do que no CIF, onde jogámos três sets mas nunca me senti confortável ou com hipóteses de passar para a frente. Nesse encontro ele controlou sempre o encontro, enquanto aqui houve muito equilíbrio do início ao fim.”

Depois, a jornada esteve perto de conhecer um segundo vencedor português, mas os esforços de Frederico Silva não foram suficientes: recém-chegado de São Paulo, onde discutiu pela primeira vez um título no ATP Challenger Tour, o caldense de 25 anos perdeu por 2-6, 6-4 e 7-5 para o italiano Andrea Arnaboldi (276.º), que já o tinha derrotado em Parma, no mês de novembro.

Tal como o resultado, também o duelo se dividiu em três atos: o primeiro set foi totalmente dominado pelo número quatro nacional, com o tenista canhoto a entrar a todo o gás para se colocar muito perto de o vencer por 6-0.

Silva não conseguiu encerrar o parcial nem no serviço, nem na resposta, num jogo em que dispôs de três pontos para o fazer, mas à terceira foi de vez.

No segundo set, Arnaboldi procurou cortar o ritmo e a estratégia surtiu efeito, com o tempo de adaptação a ser penoso para as aspirações do português.

Mas na terceira partida Silva voltou a ser capaz de lutar pelo encontro e foi sempre o tenista em melhor posição para carimbar a vitória, mas uma sequência de pausas e trocas de argumentos iniciadas pelo adversário voltou a alterar o rumo dos acontecimentos — e de forma definitiva.

“Foi um encontro exigente fisicamente e acabou por também se tornar mais exigente do que seria normal a nível mental por todas as situações que houve durante o terceiro set. Sabia que ia ser um encontro difícil porque conhecia as qualidades dele, mas sabia o que tinha de fazer. Acho que entrei bem no jogo, bastante determinado, a comandar os pontos e a servir e responder bem. Fiz um primeiro set muito bom, mas no segundo ele tentou mudar um bocadinho o jogo, ao cortar o ritmo com slices e amorties, e eu demorei a habituar-me. No final do segundo set já me senti dentro do jogo e soube outra vez o que é que tinha de fazer. Tive várias vezes 15-40 e algumas vantagens. Numa ou outra situação ele serviu bem e teve mérito, noutras eu podia ter feito melhor e ou falhei uma resposta, ou não fui suficientemente incisivo na forma como joguei o ponto. Às vezes sentimos que todos os pontos de break que desperdiçámos foram culpa nossa, mas não acho que tenha sido o caso. Muitos foram por mérito dele”, analisou Frederico Silva após a derrota em 2h47, ele que terminou o duelo com 5 pontos de break aproveitados de um total de 20 (e 1 de 10 no terceiro set).

Apesar de ter desvalorizado as pausas que Andrea Arnaboldi impôs na terceira partida “não foi por causa disso que perdi o encontro”, o jovem português não escondeu algum espanto com o sucedido: “A grande questão foi que o árbitro não conseguiu impor-se. O Arnaboldi até podia estar a sentir-se mal, apesar de a forma como estava a jogar não o indicar, mas o árbitro tem de conseguir seguir as regras. Um jogador não pode parar o jogo por duas vezes entre pontos, não pode pedir um pedaço de pão a meio e ficar 30 segundos a comê-lo e não pode parar para beber sempre que lhe apetece. O árbitro deixou-o ir seguindo e não o puniu como devia. Mas não é a primeira vez que isto acontece, apanhamos sempre jogadores que tentam desestabilizar. São situações em que tenho de tentar manter-me tranquilo e ficado e deixar isso do lado de lá da rede, não dar importância.”

Para além de Pedro Sousa e Andrea Arnaboldi, também seguiram para os quartos de final de singulares do Maia Open o campeão em título, Jozef Kovalik (que derrotou Altug Celikbilek por 6-3, 3-6 e 6-3) e Carlos Taberner, que impôs os parciais de 7-6(6) e 6-3 a Alexey Vatutin.

Na variante de pares, Pedro Sousa e Gonçalo Falcão eram os únicos tenistas portugueses ainda em competição e foram afastados nos quartos de final por Lloyd Glasspool e Harri Heliovaara, que venceram com 6-2 e 6-3.

*Texto: Gaspar Ribeiro Lança
*Fotografias: Beatriz Ruivo

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