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Paula Rego vai entrar em diálogo com Josefa d´Óbidos na Casa das Histórias

Uma exposição sobre a temática religiosa na obra de Paula Rego, com 115 obras da pintora, em diálogo com 21 telas da artista barroca Josefa d’Óbidos, vai abrir ao público no sábado, na Casa das Histórias, em Cascais.

Intitulada “Paula Rego/Josefa de Óbidos: Arte Religiosa no Feminino”, a mostra vai partir de uma seleção de painéis sobre “A Vida de Santa Teresa de Jesus”, que se encontram na Igreja de Nossa Senhora da Assunção, em Cascais, datados de 1672, da autoria da pintora do Barroco português.

Estas pinturas destacaram-se entre as encomendas que foram aceites, na época, por Josefa d’Óbidos, para criar retábulos de diversas igrejas portuguesas.

“A exposição eleva a obra de autoras visionárias e inovadoras para a época a que a cada uma corresponde, que ultrapassaram conceitos preestabelecidos e se caracterizaram pela irreverência artística através da prática de temáticas intemporais”, destaca, num nota de apresentação da mostra, enviada à agência Lusa, a curadora da exposição, Catarina Alfaro, coordenadora de programação e conservação da Casa das Histórias.

De Paula Rego serão exibidas 115 obras de pintura, escultura, desenho e gravura, nesta mostra que ficará patente até 23 de maio de 2021.

A seleção de obras de Paula Rego para esta exposição “foi feita a partir de uma temática comum que a artista explorou, de modo mais ou menos declarado, desde sempre: a religiosidade católica e o que ela encerra de misterioso”, explica ainda a curadora.

“A sua reflexão constante sobre o protagonismo das mulheres estende-se assim a personagens concretas, santas e mártires, detentoras de uma existência narrativa e histórica”, aponta Catarina Alfaro.

Josefa de Ayala Figueira, nascida em Sevilha, Espanha, em 1630, era filha do pintor português Baltazar Gomes Figueira, e viria para Portugal com apenas quatro anos, ficando conhecida por Josefa d’Óbidos, cidade onde viveu e viria a falecer, em 1684.

Josefa aprendeu o ofício com o pai, com quem trabalhou na sua oficina, e recebeu educação religiosa no Convento de Santa Ana, em Coimbra, entre 1644 e 1646, passando a residir em Óbidos a partir desse ano.

Em 2019, uma pintura inédita desta autora, intitulada “Adoração do Menino”, datada de 1667, foi vendida por 220 mil euros num leilão em Bona, na Alemanha.

A pintora estendeu a sua representação de modelos femininos da Igreja Católica a Santa Teresa de Ávila, uma personalidade marcante, sobretudo na Península Ibérica, pelo seu papel reformador na definição da espiritualidade, a partir do século XVI.

“Afastando qualquer intenção comparatista entre as suas vidas e obras, é inevitável estabelecer pontos comuns. O caráter independente e o empenho na afirmação da sua individualidade, quer na vida, quer na arte, foram certamente determinantes para a realização de um percurso artístico único”, destaca Catarina Alfaro sobre a ligação entre as duas artistas.

Além dos seis painéis, outras obras da pintora barroca serão provenientes de coleções particulares e públicas, para completar esta exposição no museu de Paula Rego, pintora portuguesa que reside em Londres desde os anos de 1960.

A aproximação, no mesmo museu, entre as duas artistas portuguesas “justifica-se, desde logo, pelo modo como ambas se distinguem, nas suas diferentes épocas criativas, pela originalidade da sua obra – que ultrapassa os academismos dominantes nas suas épocas -, pela intensa carga sensualista que ambas imprimem à pintura e ainda pela capacidade imaginativa de reconfiguração das temáticas religiosas, utilizando um discurso original em que o sagrado e o profano comunicam através de um vocabulário pictórico pessoal que ambas as artistas ousaram construir”, descreve a curadora.

Paula Rego radicou-se em Londres, cidade onde estudou pintura, na Slade School of Art, e onde se distinguiu pela singularidade da obra, inspirada na literatura e marcada, ao longo das décadas, pela defesa dos direitos das mulheres.

Nascida em Lisboa, em 1935, Paula Rego foi aconselhada pelo pai a deixar Portugal para seguir os seus estudos artísticos longe da ditadura do Estado Novo.

A Casa das Histórias, em Cascais, manteve, ao longo deste ano, a exposição “Paula Rego: desenhar, encenar, pintar”, inaugurada em dezembro de 2019.

Embora tenha reaberto ao público, como muitos outros museus e galerias de arte, encerrados entre março e maio deste ano devido à pandemia covid-19, a Casa das Histórias mantém a visita virtual e outras informações no sítio ‘online’.

Para 2021 está prevista a realização de uma retrospetiva da obra de Paula Rego na Tate Britain, em Londres, com desenho, pintura e gravura.

*LUSA

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