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Novo livro de poesia de Gonçalo Salvado ilustrado por Álvaro Siza Vieira

Centro Português de Serigrafia edita quatro serigrafias

O Centro Português de Serigrafia (CPS), de Lisboa, vai editar e patrocinar uma edição de quatro serigrafias a partir de desenhos originais de Álvaro Siza Vieira, reproduzidos no novo livro de poesia de Gonçalo Salvado, intitulado Quando a Luz do Teu Corpo Me Cega.

Álvaro Siza Vieira, um dos ícones da cultura portuguesa contemporânea nome cimeiro da arquitetura mundial e um dos portugueses mais conhecidos e admirados no estrangeiro cuja fama e êxito são globais foi distinguido em 1992 com o Prémio Pritzker (o equivalente na arquitectura a um Prémio Nobel) e com o PrémioMies van der Rohe, entre muitos outros de igual relevância.

Além de arquiteto ímpar é exímio desenhador, com um traço inconfundível, expressão artística que sempre praticou como provam os desenhos com os quais ilustra agora a poesia de Gonçalo Salvado e que realizou expressamente com esta finalidade.

Gonçalo Salvado com Álvaro Siza Vieira no atelier do arquitecto, no Porto

O livro, que se encontra em fase de realização e cuja publicação foi adiada devido ao surto de Covid-19, será editado pela RVJ Editores, editora de Castelo Branco, e terá duas edições, uma delas especial, em Braille, composta por uma seleção de poemas e incluindo um desenho de Siza Vieira gravado em relevo (com a colaboração da ACAPO), ambas as edições apoiadas pela Câmara Municipal de Proença-a-Nova.

A obra deverá ser apresentada por Maria João Fernandes.

As imagens para as quatro serigrafias, numeradas e assinadas por Álvaro Siza Vieira, foram previamente selecionadas e escolhidas, pelo próprio arquitecto/artista, ao início do corrente ano, e pelo diretor do Centro Português de Serigrafia, João Prates.

As serigrafias acompanharão as duas primeiras edições do livro.

Está prevista também uma terceira edição especial em formato de livro/garrafa, com selecção de alguns poemas, uma edição da Lumen (antiga A 23 Edições) e da Livraria Sá da Costa, de Lisboa, em colaboração com a Quinta dos Termos e ilustrada igualmente com desenhos de Álvaro Siza Vieira.

Esta edição especial insere-se numa coleção de poesia, dirigida por Gonçalo Salvado, única no panorama editorial português, cujas obras surjem em original formato livro/garrafa, uma conjugação que pretende dar forma à relação simbólica e milenar entre o vinho e a poesia.

O editor é Ricardo Paulouro.

Uma exposição dos desenhos de Álvaro Siza Vieira, que ilustram a obra, estará patente na Galeria Municipal de Proença-a-Nova coincidindo com o primeiro lançamento do livro de Gonçalo Salvado e do arquiteto artista, em data a definir.

O título da obra foi retirado de um poema de Gonçalo Salvado presente no seu livro Outra Nudez (2014) ilustrado com desenhos do escultor João Cutileiro, um dos três livros de poesia que o poeta publicou em colaboração com o escultor português, recentemente desaparecido: “Só verdadeiramente vejo/quando a luz do teu corpo/ me cega.”

Este poema que dá o título a este novo livro de Gonçalo Salvado resume, por assim dizer, a arte poética do autor e a filosofia da sua obra.

Acerca da poesia de Gonçalo Salvado pronunciou-se o próprio arquiteto Álvaro Siza Vieira que refere a transparência, a essencialidade e o rigor a ela, associadas: “Gosto muitíssimo da sua poesia. Tentarei aproximar-me com os meus desenhos da essencialidade e do grande rigor com que “esculpe” as palavras”.

Recorde-se que Gonçalo Salvado nasceu em 1967, em Lisboa onde reside, tendo passado toda a sua infância e a sua juventude em Castelo Branco.

Gonçalo Salvado e Álvaro Siza Vieira

Licenciado em Filosofia pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa, tem vindo a assumir-se como um poeta exclusivo do amor, do erótico e do feminino.

Publicou dezasseis livros de poesia e diversas antologias de temática amorosa.

A União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro atribuiu-lhe em 2013, pelo conjunto da sua obra poética, o PrémioSophia de Mello Breyner Andresen, e em 2020, o Prémio Álvares de Azevedo, pelo seu livro de poesia Denudata (2018), igualmente editado com a chancelada RVJ Editores.  

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