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UE/Presidência: Portugal quer parceria de defesa da UE com Reino Unido

Portugal defende que a União Europeia (UE) deve criar “estruturas amplas de parceria” com o Reino Unido ao nível da política de defesa e segurança, afirmou hoje o ministro da Defesa, João Gomes Cravinho.

Numa conferência de alto nível que debatia o futuro da segurança e defesa da UE, João Gomes Cravinho destacou a necessidade de “fazer parcerias melhor e mais estrategicamente”, através da intensificação da “cooperação” e de “novas dimensões” no trabalho com parceiros tradicionais.

Dando os exemplos do Canadá e da Noruega, o ministro apelou a que, “no futuro”, também com o Reino Unido se crie “não apenas mecanismos corporativos necessários, mas também estruturas amplas de parceria”.

Ao mesmo tempo, defendeu a necessidade de uma relação “mais forte” com os Estados Unidos, especialmente em áreas como as “ameaças híbridas” ou as “falhas de capacidade”, entre outras.

“A UE é o aliado mais efetivo dos EUA. Portanto, entendemos que deveria haver, brevemente, um diálogo de segurança e defesa entre as duas regiões ao nível ministerial”, assinalou.

Quanto a organizações multilaterais como a NATO e as Nações Unidas, João Gomes Cravinho acredita que deveria haver “diálogos estratégicos regulares também ao nível ministerial”.

Por isso, sublinhou que a Bússola Estratégica, que abarca três fases – uma análise de ameaças à UE, o estabelecimento de objetivos estratégicos para reforçar a UE enquanto ator de segurança e defesa e a criação de orientações políticas para procedimentos de planeamento militar -, deve estar articulada com “uma revisão do conceito estratégico da NATO”.

Para tal, é necessário coordenar os diálogos “político de alto nível” e de “nível técnico”, apontou.

Além das parcerias com outros países, o ministro referiu ainda os restantes três pilares da futura estratégia comum da UE, nomeadamente o “gerenciamento de crises”, a “resiliência” e as “capacidades”.

Sobre a gestão de crises, João Gomes Cravinho destacou a “habilidade de desenvolver missões e operações de políticas comuns de segurança e defesa da UE que correspondam às necessidades” europeias e, para isso, considerou serem precisos “requerimentos mais práticos, sistemas de controlo mais robustos, um melhor planeamento antecipado baseado em cenários de crise, e mandatos mais robustos para as missões” da UE.

Segundo o ministro, a pandemia de covid-19 fez notar “a necessidade de fazer melhor no que toca a lidar com emergências complexas” e, nesse contexto, a resiliência deverá incluir dois aspetos: “tudo o que seja objeto de ação inimiga, o que requer que sejamos muito dinâmicos na identificação de possíveis ações de inimigos”, e “qualquer aspeto que possa requerer uma aplicação extensiva de capacidades militares”.

No entanto, o responsável considera também que a pandemia mostrou “exemplos de boas práticas que deveriam ser a base para uma medicina militar civil conjunta”, que sirva de “resposta a emergências complexas”.

“Deveríamos desenvolver exercícios regulares para acelerar procedimentos. Precisamos de desenvolver mecanismos, por exemplo, que nos permitam incorporar rapidamente capacidades militares de um país noutro [país] em resposta a emergências civis”, sublinhou.

O ministro propôs ainda a construção de uma “unidade ciber da UE”, a fim de “suplementar e coordenar os esforços nacionais” dos 27.

João Gomes Cravinho participou hoje numa conferência virtual de alto nível, intitulada “Rumo a uma Bússola Estratégica? Reflexões sobre o Futuro da Segurança e Defesa da UE” e organizada pelo Ministério da Defesa e pelo Instituto da UE para Estudos de Segurança (EU-ISS, na sigla em inglês) no âmbito da presidência portuguesa do Conselho da UE.

*LUSA

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