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A história da menina princesa, que acreditava vir a ser rainha

Ainda sobre o dia internacional da mulher e sobre as mulheres, na sua árdua história de evolução e de forçarem a uma sociedade mundial habituar-se à sua presença forte e resiliente.

Durante toda a semana, dediquei-me um pouco mais a ler sobre a evolução dos direitos das mulheres. Publiquei de forma activa sobre esse tema, nas redes sociais, e até falei sobre algumas mulheres que foram pioneiras nessa área, em Portugal.Quase todas elas, viram as suas lutas virarem uma realidade comum, mas já tardia, ou com pouca expressão. Mas houve duas mulheres Portuguesas que para mim se destacaram mais do que as outras.

Rita Baptista Antunes

Nomeadamente, Carolina Beatriz Ângelo, primeira mulher a conseguir votar, por excelente interpretação da lei, encontrou uma lacuna, tendo assim conseguido, pela primeira vez votar.Sem efeito, é claro!Posteriormente, foi anulado e a legislação foi alterada, para não haver quaisquer dúvidas em próximas mesas de voto. Inerentemente a isso, votou, e o seu voto, serviu para que hoje, todas nós possamos fazê-lo. Mas infelizmente, faleceu muito jovem, e não viu o efeito das suas acções. E a si, hoje, agradeço, pela luta que “lutou” por mim!

Lembro-me ainda de ter falado da primeira e única mulher, que conseguiu, em Portugal, ser Chefe de Estado, a Eng.ª Maria de Lourdes Pintasilgo, no V Governo Constitucional, ainda que tenha estado em funções breves meses, de julho de 1979 a janeiro de 1980, não deixou de fazer parte da nossa história, e de representar a oportunidade que todas as mulheres podem vir a ter, ainda mais, há 41 anos atrás, em que tudo parecia ainda mais impossível e inalcançável.

Ainda que haja, mulheres fantásticas, que desempenharam papéis completamente revolucionários na nossa história, todos os dias temos pessoas a conseguir alcançar vários marcos importantes, mas nem sempre a mulher tinha – aos olhos da sociedade ou delas próprias – a capacidade de perceber que eram muito mais do que simples donas de casa, e mães para filhos – muitos posteriormente até as abandonaram -que abdicavam da sua própria vida, vontade de viver ou ser, para eles.

O papel da mulher – aos olhos da lei até 1977, pósrevisão da Constituição da República – era apenas de esposa, dona de casa, e mãe. As poucas mulheres que tinham oportunidades de estudar, eram mulheres que pertenciam a famílias abastadas, e sob a alçada do pai, considerando que após casamento a mulher tinha como obrigação e dever de obediência ao marido, como tal, teria de fazer apenas o que o marido quisesse.

Ora, mentalidades como esta, numa sociedade em que ainda as minhas avós, nasceram e cresceram vendo-a como a única verdade possível. Como seria possível um avô ou pai que foi criado com essa mentalidade, não tentasse subjugar a sua neta ou filha a este tipo de pensamento?! Não! Nunca. Devemos essa responsabilidade a nós próprias de mudar isso.

Uma mulher nessa época era impensável pensar por si, era visto e criticado, por outras mulheres inclusive, como errado. As próprias mulheres consideravam-se incapazes de sonhar ou de fazerem crescer algo de raiz. Incrível! Errado. Eu sei.

Tive oportunidade de ver alguma publicidade da época, e cruzei-me com uma publicidade de uma farinha muito utilizada na época, em que perguntava à mulher se não era capaz de aguentar com a força do marido, que deveria de comer aquela farinha, para ganhar forças! Mas como? Como é possível ser este tipo de publicidade aceitável! Não foi. Não nos submetemos mais, e conseguimos!

Conseguimos ser independentes, ser susceptíveis de ter direitos, de pensarmos por nós e de demonstrarmos, que para além de tudo isso, somos mães, profissionais, donas de casa e esposas na mesma, sem falharmos com as nossas obrigações. O Homem considerado moderno, quando trabalha e ajuda em casa, é um excelente homem, porque ajuda! Porquê? Não suja? Será que não depende nós, mães atuais, de educar os nossos filhos a ser melhores pais e maridos? 

O ser fraco e incapaz, é história. A todas vós, que lutaram por eu ter esta liberdade e oportunidades de vida, agradeço.

Cresci a acreditar que era uma princesa, em que percebi rapidamente que podia sê-lo.Basta crê-lo!

Bom domingo, e bom resto de fim de semana.

www.aminhamaedeviaserjurista.pt     

*Rita Baptista Antunes

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