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Covid-19: PIB per capita em Timor-Leste já caiu para níveis de há 12 anos

A debilitada economia timorense, em contração ou estagnação desde 2017, fez cair no último ano o Produto Interno Bruto (PIB) per capita para níveis de há 12 anos, situação que se pode ainda agravar, segundo estimativas de economistas.

Com o país a entrar no seu pior período desde o início da pandemia em termos sanitários – diariamente se registam novos máximos de casos -, empresas fechadas e confinamento na capital, os dados podem agravar-se este ano.

Pedro Martins, economista do Banco Mundial em Timor-Leste, salientou, em declarações à Lusa, que o país teve contrações económicas importantes em 2017 e 2018, em parte devido ao impasse político, e que mesmo em 2019, os dados apontam a uma estagnação.

“Estávamos à espera de que a recuperação de 2019 tivesse sido mais robusta, de cerca de 3%, mas os dados oficiais apontam a um crescimento de 1,8% o que, dado o crescimento populacional de cerca de 2% implica uma estagnação do PIB per capita”, disse, referindo-se a um indicador que pode ajudar a perceber o nível de bem-estar da população.

Um cenário preocupante que parece continuar a adiar a tão ansiada recuperação económica.

Empresários ouvidos pela Lusa queixam-se de continuarem “sem poder respirar” depois de anos em que sucessivas crises políticas, da falta de orçamento e da pandemia que não alivia o quadro macroeconómico nacional.

Empresários destacam as dificuldades em receber do Estado – há empresas que prestaram serviços no início da pandemia, há um ano, e que ainda não receberam e outras com dívidas mais antigas -, a morosidade burocrática e, mais recentemente, a queda do rendimento per capita e até a fuga de milhares de estrangeiros que, com o país fechado há um ano, não voltaram.

A economia timorense pareceu ganhar alguns sinais de robustez em 2015 e 2016, fruto de um otimismo gerado, em parte, pela maior circulação de capital público e por um período, pouco habitual, de quase consenso político.

Isso permitiu até despolitizar e despartidarizar, em parte, a pesada administração pública e o debate geral, gerando sentimentos de motivação e confiança que levaram ao período de talvez maior expansão e diversificação do ‘jovem’ setor privado do país.

Um equilíbrio político que durou pouco e que rebentou em 2017, depois das legislativas, gerando uma forte crise política com vários contornos e que durou até meados de 2020, já em pandemia, com o país com o Governo incompleto e sem orçamento.

Mesmo numa situação económica normal, e como se evidenciou noutros países, o impacto da pandemia é significativo, mas no caso de Timor-Leste, que vive desde 2017 com contração ou estagnação económica, os efeitos podem ser potencialmente maiores.

É com este cenário que o país entrou, em 2020, na pandemia da covid-19, com a economia a “não estar numa situação mais favorável para lidar com a crise de saúde pública”, com ainda os efeitos da crise económica e a falta de Orçamento Geral do Estado (OGE), como refere Pedro Martins.

Uma situação que, apesar de algumas medidas de apoio a empresas e populações, não impediu que o recuo económico tenha sido de cerca de 7%, o que somado ao crescimento populacional implica uma queda do PIB per capita de 9% no ano passado.

E se, segundo as contas do Banco Mundial, em 2018 o país já tinha regredido para níveis de PIB per capita de 2011, a estagnação de 2019 e a forte contração de 2020 empurram os níveis de PIB per capita ainda mais para trás, potencialmente para 2009.

A situação económica melhorou ligeiramente na reta final do ano e no início de 2021, mas a ligeira retoma está agora a sofrer os impactos de um aumento de casos, de cercas sanitárias e de um confinamento obrigatório na capital de duração que, para já, ninguém ousa estimar.

Pedro Martins alerta que a duração desse confinamento irá afetar a recuperação económica, estimada em 3% se a vacinação começasse de forma intensiva a meio do ano.

“As empresas e famílias que estão a usar as suas poupanças, só gradualmente ajustarão os seus padrões de investimento e consumo. E por isso a recuperação seria sempre gradual”, notou.

“Mas com esta nova situação, estamos como em março de 2020, sem saber quanto tempo as medidas estarão em vigor”, afirmou o economista notando que, no entanto, “há dois fatores positivos”.

O clima de maior estabilidade política facilita a tomada de decisões e a sua implementação, notou, havendo já “alguma experiência acumulada no que respeita ao desenho e implementação de medidas de apoio económico”.

“O registo da segurança social foi expandido e o dos agregados familiares melhorado, o que permite uma resposta mais atempada e efetiva”, disse.

Uma das notas positivas é o facto de o país ter começado o ano já com o orçamento aprovado, algo que só ocorreu em menos de metade dos últimos 10 anos.

O economista nota mesmo que a execução nos primeiros dois meses do ano foi a mais alta desde 2017.

Pedro Martins considera que na situação atual se tornam igualmente relevantes as propostas avançadas pelo Banco Mundial neste período no ano passado, com medidas de contenção em termos de saúde, apoio ao consumo e às empresas para manutenção do emprego.

Será também importante, enfatizou, “reavaliar o impacto das medidas anteriores, para que se possa desenhar um plano de resposta económica mais efetivo”.

*LUSA

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