13.9 C
Castelo Branco
Quarta-feira, Abril 21, 2021
No menu items!
Início Opinião O conto da formiga e do grilo…

O conto da formiga e do grilo…

O que parecia ser um conto de fadas e uma brilhante história de amor, tornou-se num amor perdido pelo meio de ambições e ganância, maior do que aquilo que cada um poderia pedir para si.

Sim, a formiga é aquela figura que associamos sempre a um ser trabalhador, que luta por amealhar o máximo que consegue durante o verão, construindo a sua quinta, para depois no inverno poder descansar e viver do que colheu.E o grilo?Ai o grilo…

Rita Baptista Antunes

Assim é, ou melhor foi, a história de amor perdido pela Rosa Grilo e o seu amante, que não descansaram enquanto não viveram a sua história de amor e perdição.

Vivem ainda sob a alçada do “in dúbio pro reo”, que consiste nada mais nada menos, que em caso de dúvida, decide-se a favor do réu – absolve-se o réu, em caso de dúvida – a realidade é que já passou por três tribunais, em que em todos foi condenada dos crimes que estava acusada de cometer contra o seu marido. Coube ao Ministério Público representar os interesses do seu filho menor, que exige dela uma indeminização por danos não patrimoniais.

Rosa Grilo, está a ver-se acusada de vários crimes, nomeadamente de homicídio qualificado, profanação de cadáver, todos na forma consumada,e ainda de crime de detenção de arma proibida, ao que com o cúmulo jurídico(é a junção de várias penas, reduzidas à pena de prisão máxima prevista) traduz-senuma pena de prisão efectiva de 25 anos. Será suficiente?

Ora, considerando que Rosa Grilo, alegadamente, praticou homicídio em conjunto com o seu companheiro amoroso, contra o seu marido, tendo-se demonstrado que ponderou bem na prática do homicídio, e o planeado.Posteriormente, como se não bastasse, tentou ocultar o corpo, tudo para herdar, enquanto mulher da vítima, todos os seus bens.Questiono-me do seguinte: seria esse o seu último crime cometido, senão fosse apanhada? Afinal, tinham um filho em comum, como tal, havia mais um herdeiro com quem partilhar a herança! Descabido este raciocínio? Talvez, é um filho! Contudo, a nossa história recente tem demonstrado vários pais que têm sido capazes de matarem os próprios filhos, só porque sim.

Não terá esta percebido que na partilhapelo divórcio, a probabilidade seria grande de receber efectivamente metade do que resultava da constância do matrimónio, sem tendo praticado um crime. Sendo acusada de um crime, ver-se privada da sua liberdade e ainda ter traumatizado profundamente uma criança?

Sim. Há quem queira herdar os bens de forma muito mais rápida, do que aguardar pela altura em que morre o nosso ascendente ou cônjugue, a verdade é que, tal como Rosa Grilo, agora encara de frente a declaração de “indigna sucessória” quanto à herança aberta por óbito da vítima. Todos os que praticaram o crime, com finalidade de herdar, esquecem-se que em Portugal, estes perdem o direito à herança.

Todo este tipo de prática de crime, demonstra não só uma capacidade desumana, nas acções, como uma perfeita ignorância da lei.

Em semana que o Supremo Tribunal de Justiça, vem condenar novamente a autora do crime, que demonstra uma vez mais a ausência de qualquer tipo de remorsos quanto aos seus actos, o que por si só, poderia funcionar como uma atenuante da pena.Mas, lá está, uma capacidade desumana, que a minha mente não consegue alcançar.

A verdade é que a defesa de Rosa Grilo, continua a insistir na inconstitucionalidade de vários pontos que querem que se tomem como improcedentes mas,  já foi julgada por três vezes, e por três vezes não houve qualquer réstia de dúvidas por parte do tribunal, os acórdãos assim o demonstram, nas largas duzentas páginas.

O crime não compensa, nem nunca compensará. O espírito da lei, é a justiça, e justiça será feita, mas será suficiente?!

*Rita Baptista Antunes

Leave a Reply

- Advertisment -

Most Popular

COMENTÁRIOS RECENTES

Paula Alexandra Farinha Pedroso on Elias Vaz lança livro sobre lendas e mitos de Monsanto
%d bloggers like this: