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Covid-19: Projeto sobre deteção do discurso de ódio em parceria com Lusa arranca em maio

O projeto do INESC-ID para o desenvolvimento de um protótipo de deteção e análise do discurso de ódio no Twitter, tendo como foco o contexto pandémico, arranca em maio, com a colaboração da Lusa e do CNCS.

A Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) financia o projeto do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores – Investigação e Desenvolvimento (INESC-ID), de Lisboa, em 35,8 mil euros, que visa analisar o discurso de ódio no contexto da pandemia de covid-19 em Portugal.

Este projeto “surge no âmbito da chamada da FCT para apoio a projetos de investigação sobre o impacto da pandemia da COVID-19 no discurso de ódio, um problema que é global, disse à Lusa a investigadora do INESC-ID Paula Carvalho.

O estudo tem a duração de 10 meses e arranca “em 01 de maio”, disse a investigadora, salientando que envolve uma equipa interdisciplinar.

Além da investigadora, que é linguista e trabalha o processamento da língua natural, estão investigadores do INESC que trabalham o processamento de língua natural e de inteligência artificial e ainda um elemento que trabalha nas questões das ciências sociais, contando com a Lusa e o Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) como parceiros.

“É uma equipa interdisciplinar que procura desenvolver esse protótipo, mas com a consciência das diferentes dimensões que este projeto tem de ser abordado”, afirmou.

“O discurso de ódio tem um peso cada vez mais relevante nas redes sociais” e, com base em relatórios que têm vindo a ser divulgados, “aumentou drasticamente com a pandemia”, acrescentou, salientando que o objetivo do projeto é “dar resposta ou pelo menos ajudar a compreender” o problema, identificando o discurso de ódio automaticamente.

“Mas, para podermos fazer isso, convém compreender o fenómeno de forma profunda”, referiu.

Isto porque, “se é relativamente fácil para uma máquina identificar palavras tipicamente associadas a discurso de ódio”, como insultos, por exemplo, “quando esse discurso é feito de forma mais subtil, com recurso à ironia, a palavras ou expressões que não estão a ser tipicamente reconhecidas por modelos de aprendizagem automática, então o discurso de ódio é apenas reconhecido parcialmente”, explicou a investigadora.

O projeto vai, por um lado, identificar os potenciais alvos de discurso de ódio no contexto português, durante a pandemia, e naquilo que acontece nas redes sociais pela comunidade portuguesa.

Depois de identificados os alvos, “queremos perceber que formas de expressão – direta e indireta – são utilizadas para atacar esses alvos”, explicou.

E porquê a escolha do período de pandemia? “Queremos precisamente tentar perceber se há uma evolução, quer a nível de novos potenciais alvos de discurso de ódio, quer mesmo ao nível de intensidade do discurso utilizado”, rematou Paula Carvalho.

“Será que as pessoas, porque estão confinadas, estão muito mais revoltadas e estão muito mais expressivas, têm menos filtros e utilizam mais discurso de ódio ou será, por exemplo, que já havia algum tipo de xenofobia, de racismo associado a determinadas classes ou identidades” que durante o período da pandemia “começou a ficar mais exacerbado nas redes sociais”, questionou.

Daqui a dez meses o protótipo estará a funcionar.

“Nós queremos chegar ao discurso de ódio indireto”, salientou.

Além disso, “o nosso projeto tem um objetivo: para cada mensagem que tiver sido selecionada como potencial mensagem veiculadora de ódio, apontar”, na mesma, “os indícios que levam a caracterizá-la como tal”, sublinhou Paula Carvalho.

“É uma forma de contribuir também para a formação das pessoas porque às vezes não percebem que estão a veicular o discurso de ódio. Queremos um modelo explicativo, que mostre às pessoas que está a acontecer”, destacou.

*LUSA

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