14.3 C
Castelo Branco
Quinta-feira, Setembro 23, 2021
No menu items!
InícioCulturaColóquio sobre o Cântico dos Cânticos na Biblioteca Nacional de Portugal organizado...

Colóquio sobre o Cântico dos Cânticos na Biblioteca Nacional de Portugal organizado por Gonçalo Salvado

Com o título: “Grava-me como um selo em teu coração” – O Cântico dos Cânticos, Paradigma Universal da Cultura Portuguesa vai decorrer na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, em Novembro, de 2021, um Colóquio integrado na exposição “Beija-me com os Beijos da tua Boca – O Cântico dos Cânticos – Exposição Bibliográfica e Iconográfica a partir da Coleção do poeta Gonçalo Salvado, que igualmente organiza o ciclo de conferências em colaboração com a Biblioteca Nacional.

Trata-se da primeira vez que em Portugal, uma exposição bibliográfica e iconográfica e um ciclo de conferências são dedicados a este célebre poema bíblico, por muitos considerado o mais belo poema de amor da humanidade.

Cântico dos Cânticos, celebrado poema de amor, legado pelo Antigo Testamento, atribuído pela tradição bíblica a Salomão, datado por especialistas entre os séculos XIII e VII a.C. (período do florescimento da literatura amorosa do Egipto) e no registo escrito entre os séculos VI e IV a.C., inspirou todas as expressões da arte, desde há vários séculos, a literatura, as artes plásticas, a dança, a música e o cinema.

Recorde-se que a Exposição “Beija-me com os Beijos da tua Boca”, que antecedeu o Colóquio, esteve patente na Biblioteca Nacional, de 1 outubro a 30 novembro de 2020, numa das principais salas daquela instituição, conhecida como Sala Museu, espaço que permitiu reconstituir a atmosfera e recriar o imaginário do Cântico dos Cânticos, e onde, a par da exposição bibliográfica, houve uma vertente iconográfica reunindo algumas imagens emblemáticas que em Portugal lhe foram dedicadas na pintura, no desenho e na escultura, algumas pela primeira vez apresentadas no contexto deste tema.

Constituíam a Exposição cerca de uma centena de peças pertencentes à vasta coleção privada do poeta Gonçalo Salvado, grande influência da poesia deste autor.

Nesta coleção privilegiaram-se as edições em língua portuguesa editadas no nosso país e no Brasil, algumas das quais de grande raridade e inacessibilidade.

A mostra foi completada e enriquecida com obras pertencentes ao acervo da própria Biblioteca Nacional e de outras entidades do nosso País.

De lembrar que no dia da inauguração, e apenas nessa ocasião, esteve em exposição, aberta nas páginas correspondentes ao Cântico dos Cânticos, a chamada Bíblia de Cervera, texto bíblico manuscrito e iluminado, em pergaminho, dos séculos XIII-XIV, que pertence ao acervo da Biblioteca Nacional destacando-se pela sua antiguidade e excelência, como a mais importante obra do género, existente em Portugal, e uma das mais valiosas do mundo.

Atendendo ao valor que este universal poema de amor representa para a cultura portuguesa, a exposição “Beija-me com os Beijos da tua Boca”constituiu-se como uma das mais relevantes de 2020, em Portugal, opinião, partilhada por diversas personalidades do meio cultural português que visitaram a exposição e expressaram este parecer.

Também outras personalidades, fora do nosso país, saudaram a iniciativa e o ineditismo da mostra,como o intelectual brasileiro Gilberto Holanda Cavalcanti, autor de um ensaio monumental sobre o Cântico dos Cânticos, talvez o mais significativo e importante sobre o tema, até à data publicado em língua portuguesa.

Citando este autor: “o Cântico dos Cânticos permanecerá um poema aberto e enquanto o amor, em sua dupla expressão de união espiritual e carnal, florescer no coração dos homens, o Cântico dos Cânticos continuará vivo, capaz de instigar os amantes a buscarem nos seus mistérios as imagens, sempre as mesmas e sempre novas, com que se tenta descrever o inefável.”

Gonçalo Salvado

Já para Gonçalo Salvado “nenhum outro poema despertou tanto fascínio e deu origem a tantas traduções e interpretações como o Cântico dos Cânticos, o mais sublime e exaltante dos poemas amorosos. A beleza e o fulgor dos seus símbolos, a intemporalidade das suas metáforas emergindo diretamente da fonte auroral dos arquétipos, a sua atmosfera plena de fragrâncias subtis e de inebriantes aromas, o êxtase da comunhão intensa e sempre inalcançável dos amantes fazem deste poema (ou conjunto de poemas, como defendem alguns) de apenas mil duzentas e cinquenta palavras hebraicas, não só ‘uma das obras eróticas mais formosas que a palavra poética criou’, como escreveu o poeta mexicano Octavio Paz, mas um dos textos de que a humanidade mais deveria orgulhar-se.No que se refere à cultura portuguesa, o Cântico dos Cânticos tem vindo a afirmar-se como um arquétipo estruturante do imaginário português: está na raiz do lirismo, deixou marcas não só na poesia medieval, mas em toda a poesia, assim como em todas as expressões culturais posteriores.”

A presença do Cântico dos Cânticos na cultura de expressão em língua portuguesa foi aliás o tema de A Chama Eterna, um grande livro de Gonçalo Salvado em co autoria com Maria João Fernandes, a publicar, que marcou presença na Exposição da Biblioteca Nacional, a que deverá seguir-se uma Exposição internacional por ambos comissariada cujo projeto chegou a ser apresentado à Fundação Gulbenkian.

O ciclo de conferências– no seguimento da exposição –terá como principal objetivo clarificar a extraordinária influência que o Cântico dos Cânticos exerceu – e continua exercendo – na cultura de expressão portuguesa quer na sua vertente religiosa, quer na profana.

De referir que o título do colóquio reproduz o versículo 8, 6 do Cântico dos Cânticos:”Grava-me como um selo em teu coração, como um selo no teu braço, porque forte como a morte é o amor”.

Lembremos que a exposição“Beija-me com os Beijos da tua Boca”,cuja primeira apresentação em 2017 ocorreu na Biblioteca Municipal de Castelo Branco, teve em 2020 uma visibilidade maior na Biblioteca Nacional de Portugal evidenciando a extraordinária presença no nosso País deste intemporal hino ao amor, documentada nessa mostra desde o século XV, quer no plano das versões e traduções, quer na poesia, no teatro, no ensaio e na música, até aos nossos dias.

De salientar que a primeira mostra desta exposição em Castelo Branco acompanhou o lançamento do livro de poesia de Gonçalo Salvado “Cântico dos Cânticos”, uma edição bilingue português/hebraico, ilustrada com desenhos do escultor João Cutileiro, recentemente falecido, e prefaciada por Maria João Fernandes.Trata-se de um poema do autor, inspirado no poema bíblico, cuja segunda edição foi prefaciada por Fernando Guimarães.

 

Leave a Reply

- Advertisment -

Most Popular

COMENTÁRIOS RECENTES

Paula Alexandra Farinha Pedroso on Elias Vaz lança livro sobre lendas e mitos de Monsanto
%d bloggers like this: