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Investigadores do CSIC apoiados pelo Município de Penamacor identificam um grande complexo aurífero romano no centro de Portugal

Durante a Antiguidade, a terra lusitana foi sinónimo de riqueza e abundância.

Os poetas romanos elogiaram a riqueza em ouro do rio Tejo, conhecido na altura como o “Aurifer Tagus”, o Tejo Aurífero.

A existência de antigas minas romanas de ouro no centro do país não era totalmente desconhecida, mas, no entanto, os resultados de um projeto de investigação dirigido pelo Consejo Superior de Investigaciones Científica – CSIC veio mostrar a sua verdadeira dimensão.

O projeto foi dirigido por Brais X. Currás (investigador do Instituto de História do CSIC) e F. Javier Sánchez-Palencia (professor de investigação do Instituto de História CSIC).

Um resumo dos resultados acabou de ser publicado na revista Antiquity (https://www.doi.org/10.15184/aqy.2021.82), uma das principais referências a nível mundial na investigação arqueológica.

A identificação de um conjunto mineiro foi realizada através de meios de teledeteção aérea, empregando a análise da fotografia aérea dos anos 1950, mas também por outros mais modernos como a limpeza do terreno com tecnologia LiDAR.

O resultado é a documentação de um extenso conjunto de minas, que situa a Lusitânia como uma das principais zonas produtoras de ouro do Império Romano.

Trata-se fundamentalmente de minas a céu aberto, que foram trabalhadas com a ajuda da água.

Na maior parte dos casos, destas antigas explorações hoje só restam os materiais estéreis, em forma de grandes amontoamentos de pedra, conhecidos localmente como “conheiras”.

As minas localizam-se fundamentalmente no vale do Tejo e nos seus afluentes: o Erges, o Ponsul, o Ocreza e o Zêzere.

Neste último rio, boa parte das minas situam-se abaixo das barragens e só podem ser reconhecidas nas fotografias aéreas tiradas pelo exército nos anos 1940.

Também se documentou uma grande área mineira no vale do rio Alva, ate agora quase desconhecida, e que alberga uma das maiores concentrações de explorações auríferas romanas de todo Portugal.

Escavações centradas no conjunto mineiro do Covão do Urso e Mina da Presa apoiadas pelo Município de Penamacor

No marco do projeto realizaram-se diferentes escavações arqueológicas, centradas no conjunto mineiro do Covão do Urso e Mina da Presa, que tiveram o apoio da Câmara Municipal de Penamacor.

Aqui realizaram-se escavações nos depósitos de água da rede hidráulica empregada no funcionamento.

Por este meio, conseguiu-se demonstrar que as minas estiveram em funcionamento entre os séculos I-III d.C.

Além disso, o estudo dos registos paleoambientais conservados na rede permitiu compreender as mudanças nos usos do solo derivados do início da mineração do ouro.

Dentro do complexo mineiro de Penamacor realizaram-se também escavações no acampamento romano situado junto à Mina da Presa.

Os dados obtidos mostram que a cronologia do acampamento situa-se na época Julio-Claudia, por volta da primeira metade do século I d.C..

Na altura, o território lusitano já tinha sido conquistado por Roma há um longo tempo.

Assim, a presença do exército não estaria relacionada com a conquista, mas com o controlo do território e a exploração dos recursos.

Esta investigação iniciou-se no âmbito de um projeto de pós-doutoramento da FCT dirigido por Brais X. Currás na Universidade de Coimbra e foi levado a cabo com financiamento dos projetos de “Arqueología en el Exterior” do Estado Espanhol.

Atualmente, a investigação continua dentro dos projetos “AVRARIA. El oro de Hispania. Impacto territorial, económico y medioambiental de la minería del oro en el Imperio romano” e “AVRIFER TAGVS. Poblamiento y geoarqueología del oro en Lusitania (AuTagus3)”

Os investigadores preveem continuar as escavações no conjunto mineiro de Penamacor em colaboração com a Câmara Municipal.

Os objetivos da próxima campanha de trabalhos arqueológicos centram-se no estudo do povoamento ligado às minas e está prevista a realização de várias sondagens.

A partir de uma perspetiva geoarqueológica, também se procurará entender a geologia dos depósitos auríferos e a tecnologia empregada para o seu aproveitamento.

Também se prevê continuar o estudo da presença dos exércitos de Roma na antiga Lusitânia e a sua relação com a mineração do ouro.

 

 

 

 

 

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