28.3 C
Castelo Branco
Terça-feira, Agosto 3, 2021
No menu items!
InícioNacional“A ética na engenharia é uma arma fundamental contra a corrupção”

“A ética na engenharia é uma arma fundamental contra a corrupção”

Santos Cabral, juiz conselheiro e ex-diretor da Polícia Judiciária,defende que a engenharia “tem a chave para desenvolver mecanismos de prevenção e deteção de irregularidades”. Na primeira sessão do ciclo de conferências “Engenharia e Sociedade”, do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra,o tema será a“Ética e Corrupção”. Em discussão estará o papel das escolas de engenharia na formação ética de profissionais e na criação de plataformas que tornem os procedimentos mais transparentes.

A engenharia é uma área-chave no combate à corrupção em setores como a construção e obras públicas,nos quais são frequentes os trabalhos a mais, os desvios de verbas e a necessidade de adjudicações não planeadas.

Segundo Santos Cabral,ex-diretor da Polícia Judiciária e juiz conselheiro jubilado,as metodologias próprias da engenharia, assim como o uso das tecnologias digitais, devem ser instrumentos cruciais para combater as corrupções e restituir à sociedade a confiança nos poderes públicos.

“Ética e Corrupção” é o título da primeira sessão do ciclo de conferências “Engenharia e Sociedade” promovido pelo Instituto Superior de Engenharia de Coimbra – ISEC no Casino da Figueira da Foz. Esta primeira sessão terá Santos Cabral como orador e irá realizar-se hoje, dia 15 de julho, quinta-feira, às 18 horas.

Segundo Santos Cabral, “aética na engenharia é uma arma fundamental contra a corrupção”.

Para o orador da conferência, a chave para diminuir os níveis de corrupção está muito dependente de dois fatores, ambos ligados à engenharia: os valores éticos dos engenheiros e as suas capacidades técnicas para desenvolverem mecanismos de prevenção e deteção de irregularidades em áreas como a construção civil e obras públicas.

Também Mário Velindro, presidente do ISEC, defende que a engenharia pode ser uma forte ferramenta no combate à corrupção em mercados como o da construção, nomeadamente através do modelo BIM – a representação virtual de todo o ciclo de construção de um edifício.

“Com este modelo é possível simular todas as fases de uma obra, antever possíveis contratempos e acompanhar com mais fiabilidade os recursos que estão a ser utilizados no projeto, comparando-os com os que estavam previstos no orçamento”, afirma.

“O BIM controla a obra do ponto de vista da qualidade, do prazo de entrega e dos custos. Desta forma, torna-se mais difícil ocultar e inflacionar despesas”.

Segundo o presidente do ISEC, a evolução tecnológica ligada à engenharia irá conduzir a uma redução progressiva da corrupção.

“A digitalização dos serviços na administração pública irá permitir uma verdadeira transparência em todas os negócios,ao saber-se com precisão quais as alterações realizadas nos serviços ou quem acedeu/alterou documentos, por exemplo”.

Mário Velindro destaca ainda o papel que as escolas de engenharia devem assumir no cumprimento deste objetivo.

“As universidades e os politécnicos têm de aproveitar o seu potencial científico para criarem soluções tenológicas com aplicação prática nas empresas e organizações. Este é o caminho que o ISEC está a seguir!”, afirma Mário Velindro.

Mais ética no ensino superior

“A formação de quadros qualificados permite que o tecido empresarial tenha colaboradores com um forte conhecimento técnico em diferentes áreas. No entanto, para além de transmitir conhecimento teórico-prático, o ensino superior tem que começar a incluir ‘ética’ e ‘moral’ na formação que oferece aos estudantes”, afirma Santos Cabral.

“Só assim é possível construir uma sociedade mais justa e fraterna, guiada pelos valores da justiça e equidade”.

Por essa razão o ISEC decidiu reforçar a sua ligação à Ordem dos Engenheiros e irá começar a organizar sessões semestrais de Ética e Deontologia para os seus estudantes.

O objetivo é esclarecer o regulamento de ética da profissão, demonstrando quais os procedimentos morais que devem ser adotados em caso de corrupção em contexto laboral.

Segundo Santos Cabral, a corrupção é um dos problemas centrais de Portugal.

“E está presente em todos os escalões da sociedade! A nossa entrada na Comunidade Económica Europeia – atual União Europeia – já trouxe a Portugal milhares de milhões de euros, mas uma parte desse dinheiro foi desviado”, afirma.

“Se não fosse a corrupção, podíamos ter um país muito diferente, muito mais próspero. Daí ser tão importante encontrar soluções para diminuir este flagelo”.

 

 

Leave a Reply

- Advertisment -

Most Popular

COMENTÁRIOS RECENTES

Paula Alexandra Farinha Pedroso on Elias Vaz lança livro sobre lendas e mitos de Monsanto
%d bloggers like this: