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Cultura entre pontes reúne pela 1ª vez em palco grupo jovem de canto polifónico feminino

Espetáculos de Canto Polifónico Feminino dão força à candidatura para Património Cultural Imaterial da Humanidade (UNESCO)

Pela primeira vez, um grupo jovem de Canto Polifónico Feminino, uma tradição do centro de Portugal, vai apresentar-se ao público em geral com 4 concertos a decorrer em 21 e 22 de agosto, em Sever do Vouga e Vouzela, respetivamente e, mais tarde, a 11 de setembro em Oliveira de Frades e dia 12 em São Pedro do Sul.

A prática polifónica a 3 ou mais vozes corria sério risco de se perder.

Mas agora, fruto de um esforço conjunto dos municípios que encabeçam a projeto “Cultura Entre Pontes”, está a ser possível trazer de volta as vozes inconfundíveis da memória e dar novo alento a esta prática ancestral com a nova geração de jovens mulheres que não querem deixar morrer a tradição.

As oficinas de Canto Polifónico Feminino, inseridas no âmbito do projeto Cultura Entre Pontes (CEP), reúnem um leque vasto de jovens vozes de Sever do Vouga, Vouzela, São Pedro do Sul e Oliveira de Frades para dar voz e perpetuar esta prática, que está a ser alvo de candidatura a património imaterial da UNESCO.

«Há muito que não se testemunhava a vontade de perpetuar o canto polifónico com esta vitalidade e com um grupo de mulheres tão jovens, com uma média de idades na casa dos 30 anos, e a prova são os 4 espetáculos agendados para este verão nos 4 municípios que integram o projeto CEP», concretiza Paulo Pereira, diretor artístico das oficinas e dos concertos de canto polifónico.

«Há algo de profundamente mágico e particular no canto polifónico que é esta técnica de canto, para alguns algo difícil de compreender, que é precisamente cantar em ‘descante’, em que a afinação em particular soa a algo ‘desafinado’. Parece uma contradição, mas é aqui que reside o caráter diferenciador, único desta forma de cantar ‘modas’. As vozes projetadas com força vão ao limite agudo da canção e revelam uma concentração quase em transe das cantoras», explica Paulo Pereira.

Os intérpretes

«Quem ouve pela primeira vez Canto Polifónico associa muitas vezes às vozes de outras paragens, da Córsega, às vozes árabes e búlgaras. É uma experiência que nos transcende, hipnotiza», concretiza.

Os concertos do grupo composto por 40 vozes realizam-se no dia 21 de agosto no Parque Severi em Sever do Vouga e no dia a seguir, a 22, no Anfiteatro do Parque da Liberdade em Vouzela; em setembro a 11o concerto terá lugar na Escadaria do Monte de Cadafaz, Ribeiradio em Oliveira de Frades e dia 12atuam na Praça do Município em São Pedro do Sul.

Aos espetáculos irão juntar-se associações locais de cada Município.

Cada uma, com base no património recolhido por Michel Giacometti, vão apresentar cerca de 3 cantadas ou modas. 2

Estes concertos são o culminar de um esforço de captação de jovens vozes para perpetuação do canto polifónico feminino, só possível nas oficinas de canto criadas para o efeito e no âmbito do projeto CEP.

Estes concertos são afinal um ato de “amor sincero ao povo”, utilizando a expressão de Giacometti, reconhecido etnomusicólogo francês que desenvolveu no território um trabalho único na preservação e valorização do património imaterial associado ao canto polifónico.

As oficinas, ministradas pelas reconhecidas cantoras Carmina Repas Gonçalves, Joana Negrão, Celina da Piedade e Teresa Campos têm como objetivo preservar e reinterpretar o cancioneiro tradicional do território, para que esta importante e identitária prática não se perca no tempo.

O objetivo passa assim pelo ensino, disseminação e valorização do canto a 3 vozes junto da população mais jovem, sendo recuperadas e transcritas para pauta 10 cantadas a partir do património musical polifónico dos 4 Municípios – Sever do Vouga, Vouzela, Oliveira de Frades e São Pedro do Sul.

 

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